Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 785 | página 40-41
| VIDAS DE SANTOS |

Santo Antonino, Arcebispo de Florença

Plinio Maria Solimeo

Sua vida foi tão exemplar e santa, que o Papa Nicolau V afirmou que o julgava digno de ser canonizado em vida.

Santo Antonino — afetuoso diminutivo de Antonio que lhe davam seus diocesanos por sua fragilidade e pequena estatura — nasceu em Florença em 1389. Seu pai, Nicolau Pierrozi, notário, e sua mãe, Tomazina, tiveram grande cuidado em educá-lo no temor de Deus. Entretanto, como diz um de seus biógrafos, “eles não tiveram grande trabalho, porque Antonio era de uma natureza tão boa, que se pode dizer que a virtude tinha nascido com ele”.1

Crescendo, Antonino empregava seu tempo nos estudos, sem descuidar da oração e da mortificação. Assim, ia rezar frequentemente diante de um Crucifixo na igreja do Arcanjo São Miguel, “suplicando com muita instância a Nosso Senhor que lhe outorgasse graça para guardar a pureza de sua alma e virgindade, perpetuamente sem mancha”.2 O Divino Salvador inspirou-lhe então a ideia de entrar em religião, tomando o hábito do Patriarca São Domingos.

Aprendeu o Direito Canônico de cor

Aos 15 anos ele pediu admissão na Ordem Dominicana. Segundo vários de seus biógrafos, o então superior do convento — o Beato Frei João Dominici, mais tarde Cardeal-arcebispo de Ragusa, legado da Santa Sé na Hungria e continuador da reforma da Ordem iniciada por Santa Catarina de Siena — , julgando o candidato muito novo, perguntou-lhe que estudos havia feito. Antonino respondeu que estudava Direito Canônico. Como evasiva, o Bem-aventurado lhe disse: “Estude bem esse direito, e quando o tiver aprendido de cor, prometo recebê-lo”. O santo não se perturbou. Voltou para casa e, um ano depois, procurou outra vez João Dominici. Este, agradavelmente surpreso, constatou que Antonino aprendera exemplarmente o Direito Canônico. Recebeu-o então, aos 16 anos de idade.3

Antonino foi o primeiro a receber o hábito no convento de Fiésole, fundado pelo próprio Frei João Dominici. Alí teve como co-irmãos o Beato Fra Angélico e Frei Bartolomeu. O primeiro é o celeste pintor, que ainda hoje extasia o mundo com suas pinturas, e o segundo um famoso miniaturista. Os três foram mandados depois para o convento de Cortona a fim de iniciarem o noviciado sob a direção do Beato Lourenço de Ripafratta.4

A carreira de Santo Antonino foi a de um gigante: “A virtude, suprimindo nele a idade, fez que fosse escolhido, embora muito jovem, para governar o convento de Roma. Nomearam-no sucessivamente prior dos conventos de Nápoles, Baeta, Cortona, Siena, Florença e outras cidades da Itália; por toda a parte ele reavivou o espírito primitivo da regra [seguindo fielmente a reforma começada pelo Beato Dominici], sobretudo pelo exemplo. Nomeado Vigário Geral da província da Toscana, e depois de Nápoles, nada afrouxou de suas austeridades”.5

Fiel ao Papa verdadeiro

Santo Antonino viveu em pleno “Cisma do Ocidente”, no qual três papas disputavam o trono de São Pedro. Em 1409 ele e seus religiosos tiveram que fugir de seu convento em Fiésole e refugiar-se no de Foligno, para escapar às arbitrariedades do governo florentino, partidário do antipapa Bento XIII. Durante esse cisma os dominicanos permaneceram fiéis ao verdadeiro papa, Gregório XII, do qual o Beato Dominici se tornou conselheiro e cardeal.6

Essa terrível e confusa situação da Igreja, que muito afligia Santo Antonino, só terminaria em 1415, no Concílio de Constança. Neste, Gregório XII aceitou renunciar para terminar com o cisma; João XXIII foi deposto [considerado antipapa, seu nome foi retomado no século XX pelo sucessor de Pio XII], submetendo-se depois; e finalmente Bento XIII foi cortado do corpo da Igreja, tornando-se “um papa sem uma Igreja e um pastor sem um rebanho”. Foi então legalmente eleito Martinho V para a Sé Apostólica.7

Fra Angélico no mosteiro de São Marcos

Quando Santo Antonino era provincial da Toscana, os dominicanos ocuparam o célebre convento de São Marcos, em Florença, reformado graças à munificência de dois irmãos, Cosme e Lourenço de Medicis. Para lá foram transferidos os frades do convento de Fiésole, entre os quais Fra Angélico, que o embelezou com suas insuperáveis pinturas. Foi também durante

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