Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 739 | página 20-21
| ENTREVISTA |

Aos pais, um apelo ao dever Sra. Elizabeth Woolley, nossa entrevistada Necessidade do bom senso materno e paterno no controle dos videogames dos filhos, visando a impedir o vício e outras consequências danosas. Elizabeth Woolley é a fundadora do Online Gamers Anonymous (Jogadores Anônimos Online) e opositora sem reservas de videogames que causam vício. Além de ter sido entrevistada pelo "Catholic Herald Citizen" e pelas renomadas emissoras norte-americanas CBC, CBS e BBC, ela pronunciou conferências em muitos países sobre os perigos desses jogos. Em 2002 fundou um site na Internet, com a finalidade de alertar a sociedade em geral sobre os aspectos tenebrosos dos jogos de computador, bem como ajudar e aconselhar os que já estão viciados em videogames. Esta entrevista a Sra. Woolley a concedeu inicialmente à revista Crusade, da TFP norte-americana, que nos autorizou gentilmente a reproduzi-la para os leitores de Catolicismo. * * * "Como pais, precisamos encontrar outras atividades para nossos filhos que não sejam somente a de faze-los sentar-se diante de uma tela de computador"

Catolicismo – A senhora poderia explicar por que fundou Online Gamers Anonymous?

Sra. Wooley – Em 2002, meu filho Shawn viciou-se em um jogo chamado Everquest. Em três meses ele largou o emprego, foi despejado de sua casa e ficava a noite inteira acordado jogando no computador. Apesar de nossos ingentes esforços para auxiliá-lo a restabelecer a normalidade em sua vida, ele cometeu suicídio um ano e meio mais tarde. Pouco tempo depois de seu suicídio, concedi uma entrevista ao "Milwaukee Journal Sentinel", e foi então que me dei conta de quantas famílias estão sendo destruídas e sofrem como a minha. Em 2002 eu decidi fundar o site Online Gamers Anonymous para ajudar essas pessoas a terem um lugar para se encontrar e saberem que não estão sozinhas. Faço questão de informar que esses jogos podem assumir o controle de suas vidas da mesma forma como o álcool e as drogas. Alguns jogadores me disseram que a pessoa pode tornar-se viciada em menos de 24 horas. Assim, ao passar dos jogos sociais para os jogos que provocam o vício, ela não consegue voltar atrás. Esses jogos podem tornar-se a droga preferida, devendo ser considerados como tal. O nosso website www.olganon.org divulga pesquisas sobre o modo como esses jogos afetam as crianças, prejudicando o seu normal crescimento e seu desempenho social, e procura alertar os pais a esse respeito. Organizamos diversas reuniões semanais nas quais os viciados contam a sua história e apoiam-se mutuamente no esforço de abandonar o vício, além de debaterem muitos assuntos relacionados com o problema deles.

Catolicismo – A senhora daria algum conselho aos pais que têm videogames em casa?

Sra. Wooley – O elemento crucial é garantir uma vida equilibrada aos filhos. Eles não podem ser criados com base em uma só atividade, pois do contrário vão ter problemas. Mesmo quando a criança protesta, a missão dos pais é dizer "não", e guiá-los para outras atividades. Ser pai ou mãe não é fácil, mas posso garantir que a vida podia ser perfeitamente normal antes da existência de videogames. Como pais, precisamos encontrar ou criar outras atividades para os nossos filhos que não sejam somente a de fazê-los sentar-se diante de uma tela de computador. Isso significa engajá-los em esporte, em encontros sociais e atividades educacionais. Mas é necessário oferecer-lhes opções. Se a criança disser que não quer abandonar o jogo, é preciso estabelecer limites ou então ela acabará tendo problemas.

"Qualquer pessoa pode se viciar. Certas universidades confessam que o videogame é responsável por uma grande porcentagem das desistências".

Catolicismo – Que tipo de pessoa tem inclinação para tornar-se viciada e quais são as consequências?

Sra. Wooley – Qualquer pessoa pode se viciar. Certas universidades confessam que o videogame é responsável por uma grande porcentagem de desistências. Muitas delas mantêm agora psicólogos para tratar do problema do vício no jogo entre os alunos. Estão também investigando se os estudantes estão envolvidos em videogames antes de lhes conceder bolsas de estudo. Elas sabem que podem estar perdendo uma bolsa se o candidato for um viciado. Eu conheço diversos pais que perderam as economias aplicadas no estudo dos filhos por causa disso. Muitos jovens que estão sendo arrastados para esse vício são de fato gênios. Eles são bastante inteligentes e cheios de motivação. A prova é que muitos desses jogos exigem horas de esforço tedioso, concentração e paciência. É triste ver todo esse potencial intelectual sendo jogado no lixo. Além das considerações que se podem fazer sobre o modo pelo qual o videogame prejudica as vidas e a educação, temos que levar em conta o quanto se poderia ganhar caso esses jovens capazes estivessem resolvendo os reais problemas da sociedade. Os videogames se tornaram em vez disso um poderoso fator de estupidificação da sociedade. Às vezes, pessoas já crescidas e com emprego sério podem ficar viciadas. Eu conheço várias delas que possuíam trabalho e casa, mas perderam tudo por causa dos videogames. Houve um caso extremo de um senhor na Flórida que perdeu seu emprego e teve que ir viver na rua. Ele acabou arranjando trabalho num restaurante a fim de conseguir dinheiro suficiente para ir ao gaming café, onde fica jogando o resto do dia. Quando o gaming café fecha, ele vai dormir na rua e no dia seguinte repete a mesma coisa. Muitos pais deixam a família para terem mais tempo de jogar. Eles perdem completamente a preocupação pelos filhos, porque tudo quanto eles julgam poder fazer é jogar. Mulheres adultas são mais inclinadas a engajar-se em jogos sociais como Farmville, SIMS e Second Life, porque gostam de fazer coisas conjuntas. Isso frequentemente causa problemas, pois as mulheres casadas acabam deixando os maridos e a família, abandonando os próprios filhos, para estarem com uma pessoa do jogo. Há muitos exemplos disso. Um caso extremo foi o do casal coreano que deixou o filho real morrer de má nutrição porque passavam todo o tempo disponível cuidando do "filho virtual".

"Há pais que desejam usar os videogames como babás. Não é bom pai aquele que dá à criança um jogo de computador para que ela não o amole".

Catolicismo – A maioria dos videogames dá às crianças uma sensação de que elas são algo ou que estão realizando alguma coisa. Isso é errado?

Sra. Wooley – Um dos perigos maiores é precisamente o de ser muito fácil obter uma sensação de valor e realização através do jogo. Se a

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