Madre Francisca do Rio Negro
Beleza refinada e distinta, modelo brasileiro de santidade
Plinio Corrêa de OliveiraEis aqui uma fotografia de uma religiosa morta em odor de santidade – Madre Francisca do Rio Negro. Ela nasceu em Petrópolis (1877) e faleceu em Roma (1932). É o tipo do que eu considero uma santa, uma pessoa ultra refinada e distinta, com vida interior.
Julgo-a extraordinária como seriedade, idealismo, pureza e elevação; um modelo de beleza e de grande virtude.
Ela é inteiramente o tipo físico de uma brasileira. Ninguém poderia olhar para ela e dizer que é uma francesa; não é uma espanhola e nem sequer uma portuguesa.
Madre Francisca era filha dos barões do Rio Negro, donos do Palácio Rio Negro em Petrópolis, e de grande fortuna. Ela aproveitou muito o ambiente da Europa, é um tanto europeizada.
Ali ela fundou uma congregação religiosa de Adoradoras Perpétuas do Santíssimo Sacramento, terceiras dominicanas na Itália.
Após sua morte a congregação transladou-se para o Brasil.
Olhando para a Madre Francisca do Rio Negro, posso dizer: isto é o Brasil totalmente!
O que há de brasileiro na fotografia? Há uma certa profundidade de olhar que é especialmente característica do brasileiro quando ele corresponde à graça. A alma brasileira tem vocação para uma certa profundidade: donde ela ter o pecado capital em sentido oposto.
Mas é uma certa profundidade cheia de discernimento de coisas do Céu. A tal doçura brasileira não é senão o aspecto doce dessa profundidade. Esta é a figura da Madre Francisca do Rio Negro.
Olhando-se para esta fotografia, vê-se que é uma pessoa de pensamento. Não quer dizer que seja uma pensadora no sentido técnico e especializado da palavra. Ela é uma pessoa que, a propósito de todos os assuntos, pensa com muita profundidade. A vida em profundidade é a vida dela!
Tal vida em profundidade ela a leva com ênfase! Em seu olhar há qualquer coisa de enfático. Ela fixa um ponto ideal para o qual tende com o "calor" de toda a sua pessoa. É uma pessoa de muito "calor".
Isso significa deixar de lado tudo quanto é bagatela, tudo quanto é "coisinha". E deixar de lado a si própria também. Não é uma pessoa que está preocupada consigo mesma e nem com o seu papel perante os outros. Há um ponto qualquer no olhar que indica para onde sua alma ruma. Para isto ela se lança sem que nada a detenha!
Madre Francisca não parece ser uma pessoa que só olha para as coisas espirituais e evita considerar as coisas temporais por julgar que, devido ao amor de Deus, estas não devem ser levadas em conta. Ela olha e sabe ver, simbolicamente, que analogias tais coisas têm com Deus. Sabe encontrar os aspectos mediante os quais Deus se reflete nelas e sabe assim ver o Criador em todas as coisas.
Donde se deduzem um rumo certo, um grande desapego, uma pureza perfeita e um critério de severidade que exclui o que é contrário; a fisionomia dela é muito excludente.
Tal mentalidade é muito contrária a brincadeiras. É também oposta ao espírito interesseiro e despida de amor-próprio.
A impressão que seu olhar me causa é de um olhar lucidíssimo. Não é o enxergar penetrante do detetive. Nem tampouco o olhar calvinista. É um olhar bem-intencionado, objetivo, que capta sem parti pris todas as coisas inteiramente como elas são. E que, em função daquilo que colhe, sente bem as afinidades e os contrastes com o que nela é amor de Deus; vê o valor daquilo enquanto refletindo o Criador. Ou seja, o que aquilo é conforme ou é oposto à verdade, à bondade e à beleza.
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