Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 502 | página 16-17
| ESPIRITUALIDADE | (continuação)

Morte de um pecador

Eis como Svetlana Alliluyeva, filha do ímpio Stalin –– o tirano que durante décadas dominou a Rússia soviética ––, narra a morte de seu pai, no livro Vinte cartas a um amigo:

“A respiração fazia-se cada vez mais ofegante. Nas últimas doze horas tornou-se claro que a fome de oxigênio crescia. A face escurecia e se alterava. Gradualmente seus traços tornavam-se irreconhecíveis, os lábios negros. Na última hora, ele simplesmente foi se sufocando. A agonia foi espantosa. Um homem era estrangulado sob os olhares de todos. Já no último minuto, de repente, ele abriu os olhos e os voltou para todos aqueles que estavam à sua volta. Foi um olhar terrível, talvez louco, talvez furibundo e cheio de terror em face da morte. Foi uma coisa incompreensível e horrível, que não entendo, mas não posso esquecer: ele ergueu improvisadamente para o alto o braço esquerdo e com ele apontou para o alto ou talvez ameaçou a todos os que ali estavam presentes. O gesto permaneceu incompreensível, mas foi cheio de ameaça... No instante seguinte a alma, feito o último esforço, se destacou do corpo”.


Morte de uma santa

E Olhando para um crucifixo, exclamou: "’Ó... Amo o meu Deus, eu Vos amo’. Foram essas suas últimas palavras. Mal acabava de as proferir quando reergueu-se de improviso, como se a chamasse uma voz misteriosa, abriu os olhos e fixou-os, brilhantes de paz celestial e de indizível júbilo, um pouco acima da imagem de Nossa Senhora. Este olhar prolongou-se pelo espaço de um Credo, e sua alma ditosa voou então para o Céu’” (História de uma Alma, Vozes, Petrópolis, 6ª ed. brasileira, 1927, p. 342).


| ATUALIDADE |

Campanha nacional contra a Reforma Agrária e a Reforma Urbana

“LUTEI PARA CONSEGUIR três casas, que aluguei. Só com a aposentadoria não dá para viver. Não! Eu assino com gosto”.

Essa foi a reação de uma simples cozinheira, quando um cooperador da TFP lhe explicou o objetivo da campanha que a entidade iniciava, naquela manhã ensolarada do dia 11 de agosto último, no Largo do Arouche, em São Paulo. A humilde signatária do texto do abaixo-assinado que em 31 dias se alastraria para 98 cidades de 13 Estados da Federação –– voltou algum tempo depois àquele local, para conversar com os coletores de assinaturas. Desejava levar algumas listas para colher firmas em Sorocaba.

Esse fato é sintomático da receptividade que o público tem dispensado à nova iniciativa da TFP. Da campanha participaram 346 sócios e cooperadores da associação, permanecendo eles em locais estratégicos de ruas e praças de várias dezenas de cidades brasileiras, atraindo a atenção do público tanto por suas vistosas capas rubras, marcadas com o leão dourado, quanto pelos slogans bradados em megafones.

Colaboraram também nesse esforço 135 correspondentes da entidade, espalhados por todo o território nacional. São chefes de família, donas-de-casa, jovens de ambos os sexos que, aproveitando suas horas de lazer, desassombradamente saem às vias públicas para angariar assinaturas contra as reformas socialistas que ameaçam nossa Pátria.

“O abaixo-assinado está recebendo uma acolhida popular que superou nossas expectativas. Tínhamos certeza dessa boa acolhida, mas não pensávamos que ela fosse tão calorosa como está sendo”, declarou à imprensa o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do Conselho Nacional da entidade.

Aumento de confiança e credibilidade

Foi também muito significativa a confiança demonstrada em relação à TFP, por parte de pessoas abordadas na campanha. Nesse sentido, é característico o diálogo travado entre dois transeuntes, em Juiz de Fora:

“Você não sabe para quem está dando sua assinatura. Eles são dá Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade”, exclamou alguém, enquanto um amiigo seu assinava uma lista. Ao que o signatário prontamente respondeu: “Para eles, eu assino até um cheque em branco!”

E no município de Mauá, da grande São Paulo, uma senhora de 35 anos, antes de qualquer explicação, pegou a prancheta e foi logo assinando, enquanto perguntava: “Nós já vencemos a batalha da Lituânia; e esta aqui... qual será a próxima vitória?”

A campanha de âmbito internacional empreendida pelas TFPs em 1990, em favor da independência da Lituânia, que obteve 5 milhões e 200 mil assinaturas, ainda está presente na memória de muitas pessoas, e resultou num ponderável crescimento de prestígio e credibilidade da TFP brasileira e de suas coirmãs.

Campos divididos

É compreensível, porém, que, se de um lado a eficiência da atuação da TFP provoca admiração e adesões entusiásticas, de outro causa, em alguns esquerdistas, um aumento do ódio.

Nessa linha, merece menção o dito de um transeunte que observava, numa feira livre do bairro da Penha, em São Paulo, o encerramento de um dia de campanha. Sócios e cooperadores da entidade enfileiraram-se e deram seu brado característico: “Pelo Brasil! Tradição, Família, Propriedade. Brasil! Brasil! Brasi1!”.

Ao presenciar essa cena, exclamou o observador: “É assim mesmo, todos enfileirados assim ... É bom que já estejam todos enfileirados, porque, quando assumirmos o poder, vamos fuzilar todos eles!”

As manifestações de aversão por parte dos esquerdistas são muito enfáticas, mas pouco numerosas se comparadas às que se deram em campanhas anteriores. Sobretudo não alcançam repercussão junto ao público, não tendo prejudicado em nada o expressivo êxito da campanha.

Embora o tema do abaixo-assinado seja mais polêmico –– exigindo da parte dos coletores uma explicação mais complexa, no contato com o público ––, e apesar da desinformação deste a respeito do assunto (pois os projetos inexplicavelmente estão sendo votados na surdina), a média de assinaturas equivaleu à da campanha em prol da Lituânia. Até o fechamento da presente edição, foi coletado, em um mês de campanha, o expressivo total de 1.128.966 assinaturas, em todo o País.

Campanha em 98 cidades de 13 unidades da Federação

Abaixo, apresentamos quadro, no qual estão enumerados os Estados da Federação e as cidades onde se desenrolou essa atuação da TFP

SÃO PAULO

São Paulo (capital)

Americana

Araraquara

Bauru

Campinas

Diadema

Guarulhos

Jundiaí

Marília

Mauá

Olímpia

Osasco

Presidente Prudente

Rio Claro

Santa Cruz do Rio Pardo

Santo André

Santos

São Bernardo

São Caetano

São Carlos

São José dos Campos

Sorocaba

CEARÁ

Fortaleza

Crato

Jaguaribe

PARAÍBA

João Pessoa

PERNAMBUCO

Recife

BAHIA

Salvador

Abaíra

Itabuna

MINAS GERAIS

Belo Horizonte

Barbacena

Betim

Conselheiro Lafaiete

Contagem

Montes Claros

Poços de Caldas

Ponte Nova

Teófilo Otoni

ESPÍRITO SANTO

Vitória

RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro (capital)

Bom Jesus do Itabapoana

Cambuci

Campos

Cardoso Moreira

Italva

Itaperuna

Miracema

Natividade

Nova Friburgo

Porciúncula

São Fidélis

Tocos

PARANÁ

Curitiba

Apucarana

Iurbiturea

Londrina

Maringá

Ponta Grossa

Rio Negro

SANTA CATARINA

Florianópolis

Joinville

Doutor Pedrinho

RIO GRANDE DO SUL

Porto Alegre

Uruguaiana

MATO GROSSO

Cuiabá

DISTRITO FEDERAL

Brasília

Taguatinga


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