Chile: primeira comunhão de crianças da periferia
Meninas com belos vestidos e véus brancos, e meninos com traje azul e o tradicional laço branco no braço esquerdo enchem a Basílica do Santíssimo Sacramento, no centro da capital chilena. É mais uma primeira comunhão solene para crianças da periferia de Santiago.
Há já vários anos, cooperadores e correspondentes da TFP chilena promovem, nesses bairros, aulas de catecismo visando a preparação de meninas e meninos para a primeira comunhão.
Esta mais recente primeira comunhão solene, para quase 1.500 crianças, realizou-se, no mês de novembro último.
Peru: caravanas percorrem 44 cidades
Um toque de trompete, estandartes ao vento, manifestação de Fé e coragem... Inicia-se uma nova campanha do Núcleo Peruano Tradição, Família e Propriedade que marca o começo da terceira caravana realizada no ano de 1991.
Nada menos do que 89 dias de atuação pública para difundir, em 44 cidades, 10.000 exemplares do livro “Nossa Senhora de Fátima: Profecias para a América e o mundo. Tragédia ou esperança, de autoria do sócio da TFP brasileira Dr. Antônio Augusto Borelli Machado.
Os slogans, o soar dos trompetes, o desfraldar dos estandartes e capas chamavam a atenção, atraindo um público simpático aos ideais da TFP.
Os jovens peruanos de Tradição, Família e Propriedade aproveitaram também a ocasião para proferir conferências e projetar audiovisuais para estudantes.
Em todas as partes repetiam-se as manifestações de adesão. Ora um sacerdote em plena rua desejava: "Que Deus os proteja", ora um humilde pescador bradava: "Por fim, católicos nas ruas".
Apesar do apoio da opinião pública os riscos não estiveram ausentes. Enquanto os slogans sobre a Mensagem de Fátima ecoavam na cidade de Ocoña, a poucos quilômetros o grupo terrorista Sendero Luminoso atacava, com sua habitual ferocidade, um outro povoado.
Em diversas cidades pessoas recordavam, com admiração, anteriores campanhas da TFP e reconheciam a eficácia das mesmas, como, por exemplo, um médico que afirmou: “Na cidade de Arequipa assinei para pedir a independência da Lituânia. Parecia impossível, mas foi obtida!”
Altamente significativas foi a opinião de um transeunte que assistia o desenrolar da campanha: “Há anos que os conheço. Admiro-os porque foram os primeiros a sair às ruas. Vocês são a resposta do catolicismo ao avanço das seitas”; e de um sacerdote: “Isto é algo que existe no mundo inteiro; vocês são os católicos do ano 200”.
“Cordialidade brasileira”, por que não?
J.J. Alencar
Esfreguei os olhos. Tornei a ler devagar. Não, é isso mesmo. O Sr. Marco Aurélio Garcia, em artigo para “O Estado de S. Paulo” (24-8-91), abre fogo contra a cordialidade brasileira.
O que pretende esse professor do Departamento de História da Unicamp? Que “a ‘cordialidade’... é o componente-chave do conformismo e da servidão voluntária que mantêm quase inalteradas as múltiplas estruturas de poder’” em nosso País. Acrescenta sem rebuços que “cordialidade e conciliação expressam convicções autoritárias, frutos de uma visão organicista da sociedade”.
Agora, é o leitor que está esfregando os olhos. Como se pode ser contra a gentileza e o bom gênio?
Essa posição tão singular tem, entretanto, uma explicação. Mais do que contra a cordialidade, o autor parece ser contra a desigualdade. Contra “as enormes diferenças sociais, étnicas, políticas e culturais que marcaram e marcam nossa história” (palavras suas).
A "cordialidade brasileira" não entrou por pouca coisa na portentosa obra diplomática do Barão do Rio Branco. Para ele, isto é um mal. Para eliminar este mal, as esquerdas desejariam pôr fogo em nosso País, jogando os pobres contra os ricos, os negros contra os brancos, os índios contra os “cara-pálidas” etc. Acontece que a lenha para esse fogo tem se revelado, em boa parte, incombustível. O País não se incendeia. Por quê? Por causa de uma forma especial de bom senso brasileiro, que é a cordialidade. Então, maldita seja ela, dizem os da esquerda.
O brasileiro percebe que a desigualdade –– não o seu abuso, é claro –– é algo de natural e desejado por Deus. Por isso, a luta de classes não pega. E o articulista, impaciente, toma o partido de trucidar o espírito gentil do nosso povo.
Várias coisas não vão bem em nosso País.
Estamos passando, no dizer de James Brooke, de locomotiva da América Latina, para seu último vagão.
Tiraram-nos boa parte da segurança, invadem nossos lares com as cenas doidamente imorais da TV, querem soltar os loucos pelas ruas. Agora, querem subtrair do Brasil a Amazônia. É claro que absolutamente não devemos permitir. Cordialidade não é fraqueza.
O Brasil, embora contundido por todas essas agressões, tem estrutura para não entrar em pânico, se o desejar. A Providência nos deu muito com que nos estimular. Além de nosso enorme território e de todas as grandezas que encerra, sabemos que somos um povo inteligente e intuitivo, flexível e jeitoso, bondoso e afável. Nosso País já foi mais cordial do que o é hoje. Mas o que resta ainda é um bom quinhão, e representa uma riqueza incomparavelmente maior do que um grande PIE ou indicadores econômicos em alta. É passaporte para um futuro com perspectivas grandiosas, ilimitadas.
Não percamos, pois a ... a cordialidade diante da tentativa de certa “Indústria cultural” hodierna (a expressão é da revista "Veja") a qual gostaria que nos envergonhássemos até de nossa cortesia.
Por mais que se possa abusar da cordialidade, como da desigualdade, como da generosidade e de todas as virtudes, não encontro modo, também, de concordar com a citação que o referido professor da Unicamp faz da teórica socialista Hannah Arendt. Para ela, “a cordialidade ... é substituto da luz para os párias”.
A mesma autora diz: “A cordialidade dos povos párias não pode legitimamente se estender àqueles cuja posição diferente no mundo lhes impõe uma responsabilidade pelo mundo e não lhes permite compartilhar da alegre despreocupação dos párias”.
Sem falar da justificação velada da violência, que o texto traz, historicamente isto é falso. Cordialidade, responsabilidade e civilização são coisas que vão muito bem juntas. Uma pede as outras. Basta pensar nos franceses –– de todas as condições sociais –– do Antigo Regime, à testa do mundo e célebres pela “douceur de vivre” com que perfumaram sua época. Ou na Áustria de Maria Teresa.
Que dizer dos portugueses, cuja amenidade no trato os fez e faz famosos em todo o mundo?
Fica na cabeça de quem lê o Sr. Marco Aurélio Garcia a desagradável impressão de que para ele constituímos um “povo pária”. E precisamente por termos esta marca de civilização, que é a cordialidade.
Prezado professor: a amenidade brasileira de si é uma virtude, não um defeito. Ela procede em linha reta da caridade cristã. A vida está um tanto dura, mas muito pior seria sem nosso bom gênio, conhecido e apreciado até no Exterior.
Estamos no Brasil! E só este fato já soluciona muitas coisas...