Qual o futuro da Europa? O que restará da civilização cristã após as invasões?
O ensinamento de Hassan el-Banna, guia supremo dos chamados Irmãos muçulmanos é mais válido que nunca: “O Islã é a doutrina, o culto divino, a pátria, a nação, a religião e a espada... Está na natureza do Islã dominar, impor sua lei a todas as nações e estender seu poder ao mundo inteiro” (“Le Point”, 27-5-91). O reitor da Grande Mesquita de Paris, Cheik Abbas, sempre deixou claro que a guerra santa não é só militar; na concepção corânica é toda ação destinada a expandir o Islã (“La Croix”, 7-8-87).
Diante dessa radicalidade, qual deverá ser a atitude dos católicos? Veremos em nossos dias alguém se opor ao Crescente com a sabedoria e decisão de um São Raimundo Peñafort, que o enfrentou na Idade Média?
Desdobramento da crise
Múltiplas são as causas que estão na origem da decadência Ocidental. Catolicismo tem-nas apontado e combatido. Há, entretanto, um desdobramento da crise moderna que, já a médio prazo, poderá ter consequências irreversíveis.
“A nossa civilização [Ocidental] pode ganhar todas as batalhas, mas no fim perderá a única guerra decisiva que conta, a dos berços”, (Pierre Chaunu, de L’Institut, em “Le Figaro”, Paris, 19-9-91, citando Yves-Marie Laulan, autor de “La Planete balkanisée”, Economia, 1991). De fato, o abandono da prática religiosa está na raiz da crise de nascimentos que assola os países europeus. A prática nefanda do controle da natalidade e do aborto, o divórcio etc., fazem com que, de modo geral, as nações ocidentais, ex-cristãs, tenham taxas de nascimento quase iguais ou mesmo inferiores às dos falecimentos. Por brevidade citamos apenas um artigo:
"A Espanha termina": A Espanha, junto com a Itália, é o país do mundo com menos nascimentos. Este fenômeno afetará toda a sociedade: saúde, educação, pensões e Exército” (“Cambio 16”, Madri, 7-10-91). A continuar a atual tendência, a outrora catolicíssima Espanha ver-se-á, no ano 2000, diante deste quadro aterrador: o número de menores de 18 anos será equiparado ao dos maiores de 65 anos...
Quem preencherá este vazio? Para manter a sociedade nessas condições é necessário admitir imigrantes, primeiramente dispostos a trabalhos braçais. Depois, pouco a pouco, ocuparão os demais espaços que normalmente seriam ocupados pelas novas gerações, inexistentes devido às práticas “modernas” de controle da natalidade e de aborto. Pouco a pouco, a fisionomia desses países adquirirá contornos que, em breve, os tornarão irreconhecíveis.
Na obscuridade, uma luz
Poder-se-ia objetar que a Europa, afinal, é fruto precisamente de um processo de invasões análogo a este, o qual representaria fator determinante para a formação da Civilização Ocidental e Cristã.
Nada mais falso. A Civilização europeia não foi fruto primordialmente das invasões, mas sim da ação evangelizadora e civilizadora da Igreja através do trabalho desenvolvido por inúmeros santos. Ela salvou o que foi possível da velha Roma. Mas esta, enquanto civilização, acabou por soçobrar. Sob o bafejo da Igreja, os bárbaros, convertidos à verdadeira Religião, com muitas de suas instituições, somadas às de Roma, produziram a Idade Média.
Hoje, porém, a própria Igreja se debate num misterioso processo de “autodemolição”, explicitado por Paulo VI. Nessa situação, o que esperar? Dos meios humanos, realmente nada.
"Ad te levavi oculos meos, qui habitas in caelis" (A ti elevei meus olhos, ó Tu que habitas no Céu). Ainda que as invasões se deem no seu pior aspecto, e que nada sobre da presente civilização, a Providência saberá como salvar aqueles que até o fim lhe forem fiéis.
"Os reis magos, entrando na casa, encontraram o Menino com sua Mãe; e prostrando-se, O adoraram"