Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 489 | página 04-05
| A REALIDADE CONCISAMENTE |

Panela furada - I

Sob esse sugestivo título, o economista rural da Fundação João Pinheiro, de Belo Horizonte, João Batista Rezende, bem como Renata Farhat Borges e Aparecida Kimie Sakotani, da Columbus Cultural Editorial de São Paulo, publicaram os dados colhidos em amplo levantamento sobre os altos índices de desperdício no Brasil. Calculam eles que, por negligência e oportunismo, perdem-se 41 bilhões de dólares por ano.

Exemplo, colhido a esmo: em julho de 1990, técnicos do Ministério da Agricultura recolheram 102 mil toneladas de milho e arroz, sendo que 15% dos produtos estavam estragados. Somente com esse desperdício, o Governo estimou um prejuízo de 1,3 milhão de dólares. Motivos: máquinas colhedeiras desreguladas, precariedade na armazenagem e negligência de terceiros na estocagem e transporte...


Panela furada - II

Um dos convênios assinados entre o antigo MIRAD (Ministério da Reforma e Desenvolvimento Agrário) e o governo de Minas, previa a perfuração de 50 poços artesianos, aquisição de 100 mil metros de tubos e conexões de PVC e de 90 mil cestas básicas de alimentos. A auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), entretanto, apurou que "nenhum poço foi perfurado, nenhuma cesta básica foi adquirida". Eis um dos casos sem-conta de malversação de dinheiro público levada a cabo por órgãos agro-reformistas brasileiros.


Comunismo africano

Bebem água mineral portuguesa, escovam os dentes com pasta alemã, tomam cerveja do mundo inteiro, uísque escocês, vinho italiano, iogurte holandês etc. Trata-se, é claro, de ínfima minoria. Aliás, nem mesmo lojas para a venda desses produtos existem. Todo o comércio é feito no "paralelo". A grande maioria da população bebe a água que houver, não escova dentes pois não há escova nem pasta etc...

Os melhores hotéis da cidade mantêm nos apartamentos água em baldes, pois, pelas torneiras, ela raramente aparece. Veículos escassíssimos caem aos pedaços pelas ruas. Quase não há velhos — a expectativa de vida é baixíssima. O país retratado – grande produtor de petróleo e diamante – é Angola.

A isto o reduziu quinze anos de dominação comunista. O presidente comunista de Angola, José Eduardo dos Santos, reconheceu às escâncaras: a economia centralizada "não vingou em Angola nem em parte nenhuma".


"Perestroika" cambodgeana

O Khmer Vermelho - organização guerrilheira comunista, que assassinou milhões de intelectuais e praticamente toda a classe média do Cambodge na década de 70, proclama-se, agora, defensor dos "direitos humanos". Na realidade, é um mero lance propagandístico para granjear o apoio do Ocidente, cuja avidez em deixar-se ludibriar é desconcertante!

Camponeses que vivem nas regiões próximas à fronteira com a Tailândia, na área controlada pelo Khmer Vermelho, afirmam que a filosofia e os métodos da guerrilha continuam os mesmos. Uma pessoa pode ser executada simplesmente por trazer consigo uma caneta ou um lápis, considerados símbolos de dominação de classe.


Couves "patrióticas"

Não só entre nós a estatolatria tem provocado situações insólitas. Na China comunista, o recente episódio conhecido como "revolta das couves" é muito ilustrativo dessa mesma mentalidade.

Um erro de planejamento central gerou uma superabundância de couve. O governo exigiu, então, que, por patriotismo, os particulares comprassem mais couve do que necessitavam. Como o produto é perecível, os consumidores compulsórios foram obrigados a jogar fora o produto. Ora, enquanto isso ocorre, continuam a escassear, naquele país, os produtos básicos...

Quanto a nós, cabe ponderar: Até lá chegam os disparates do estatismo socialista.


A vitória do gregoriano

Para o compositor francês Olivier Messiaen, não há como negar a supremacia do canto gregoriano sobre as músicas adotadas pela liturgia moderna.

O que se vê hoje nas igrejas? "Vozes desafinadas gritando, violões agredindo os ouvidos dos fiéis, hinos com letras rudimentares... Enfim, um inferno. Exatamente o oposto do canto gregoriano, sólido como a terra e tranquilo como a esperança", na definição de Gounod.

João Guilherme Ripper, regente do Coro Opus Cantorum, especializado em música sacra, classifica o gregoriano como "a música cristã por excelência. É um canto que serve como nenhum outro para exprimir uma realidade espiritual!"


Dolorosamente ineptos

Tal é o despreparo da maioria dos candidatos a Juiz, que há em São Paulo mais de 400 vagas permanentes para a carreira. Entretanto, os sucessivos concursos não logram preencher essas vagas.

A Escola Paulista de Magistratura pretende introduzir, nas aulas, diversas disciplinas do Direito e até Língua Portuguesa, visivelmente pouco familiar aos concorrentes.

Agravante notável: cogita-se realizar uma espécie de técnica reeducativa de apoio para estimular o amadurecimento dos iniciantes!

Certos fatos são eloquentes: o Tribunal de Justiça do Rio realizou, meses atrás, concurso para juízes. Dentre os 330 inscritos, 329 saíram reprovados...


| EM TEMPO |

"Paredón" atualizado

Organizados pelo Governo cubano, destacamentos paramilitares tentarão impedir manifestações de "pessoas com problemas políticos ou ideológicos" (eufemismo para designar os anticomunistas) durante os Jogos Panamerica-nos, em Havana. E incrível, mas os participantes das olimpíadas mantiveram-se calados a respeito...


Nova Colômbia?

A deputada Raquel Cândido (PRN-RO) afirma possuir documento do Ministério da Aeronáutica atestando que "90% das grandes fortunas da Região Norte do Brasil são forjadas e servem de fachada do narcotráfico e da produção mineral clandestina". Segundo ela, há "sério risco de o Brasil, dentro em pouco, transformar-se numa nova Colômbia".


Doentes em perigo

O Conselho Federal de Medicina decidiu enviar questionário a cerca de 80 escolas de Medicina para avaliar como anda o ensino da matéria em nosso País. Explica-se a medida: no ano passado, a média de reprovação dos médicos brasileiros foi da ordem de 60%!


A escória do ensino

Enquanto os países do Leste europeu procuram despoluir-se do comunismo, continua o ensino, no Brasil, em boa medida aferrado ao marxismo. "A Visão dos Educandos", por exemplo, trabalho utilizado na rede escolar da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME) - é vazado em puro jargão marxista.


Para evitar a AIDS

Neste verão os turistas de todo o mundo que se hospedaram nos hotéis da Côte d'Azur (França) encontraram nos toillettes preservativos gratuitos. "E uma medida para prevenir a difusão da doença (AIDS)", afirmou Dominique Char-net, director da associação francesa para a luta contra a AIDS. Com o incentivo ao pecado e não com o apelo à moral pretende-se... evitar a AIDS!


Símbolo

Na Polônia comunista, a nomemklatura (classe dirigente) era chamada "o pessoal da banana", pois eram os únicos que tinham acesso a esse "bem" raro, de "luxo".


Erro premiado

Segundo o diretor do Colégio Etapa, de São Paulo, Carlos Bindi, "na Fuvest existe até um caso em que o estudante tirou dez de redação embora escrevesse a frase 'há muito tempo'... sem h".


Quem será aprovado?

"Se os professores forem rigorosos [na correção das redações], poucos serão aprovados, tal o nível das novas gerações de estudantes", adverte o coordenador de português do Colégio Objetivo, José Francisco Lé.


| DESTAQUE |

Massificação e "robotização" pela TV

"Sabe-se perfeitamente que a televisão, em seus noticiários, reproduz menos de três colunas de um diário. Destaca mais o pathos afetivo - isso é próprio da imagem - do que o raciocínio. O exame crítico .... a análise em perspectiva, continuam a ser o apanágio da escrita. O público em geral acha-se mais informado do que no passado, uma vez que antes ele pouco ou nada lia. Mas o público tido como de elite se encontra hoje, pelo contrário, menos informado do que anteriormente, pois substituiu a leitura dos diários pela televisão.

"[No tocante à leitura dos jornais] a França ocupa um humilhante 32º lugar no conjunto das nações. Tal abstencionismo, inquietante entre nós .... é um dos sintomas principais da desculturização francesa".

Esse comentário do jornalista Claude Imbert, publicado pela revista parisiense "Le Point" , bem ilustra o fenômeno: os homens de cultura vão deixando de ler os jornais, pois a TV noticia "tudo".

Conclusão: os dotados de maior capacidade e instrução ficam menos informados. Os menos cultos creem-se mais "instruídos" do que realmente são. Uns e outros saem perdendo com esta falsa igualdade informativa. Imprevisíveis, as consequências.

Na obra Guerre du Golfe, le Dossier Secret, Pierre Salinger e Eric Laurant contrapõem os fatos realmente ocorridos com o que é noticiado. Concluem os autores: focalizar pura e simplesmente um evento com a câmara de TV não é informar. Gera (apenas) emoção, a qual paralisa a capacidade de refletir.

Não é assim que se preparam os robôs?


"Inquisição" da mídia

Alain Woodrow, de "Le Monde", reconhece em sua obra Information Manipulation (Ed. du Felin, 204 páginas): "A credibilidade dos jornalistas diminui, de ano em ano, de sondagem em sondagem".

A ausência de objetividade e critérios na imprensa noticiosa não serão alheios a tal descrédito? Com efeito, uma das formas características de distorção consiste no fato de certos governos utilizarem a mídia para a detração sistemática dos que se lhes opõem.

Philippe Guillaume, ex-presidente do Conselho do Audiovisual francês, assinala: a mídia posta a serviço do Poder estatal gera "desinformação, retenção de informação, linguagem dupla, emissão de rumores, a tortura que poupa o corpo para melhor ferir o espírito".

Sua conclusão é contundente e precisa: "Não mais estamos sob a Santa Inquisição, nem à mercê das penas de aluguel, nem sob o golpe da lei dos suspeitos. Todavia, como ontem, a mutilação continua sendo a marca do poder, e por ter-se tornado menos visível, nem por isso se pode dizer que desapareceu. Muito ao contrário".

Ele bem sabia do que falava...


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