Índios urbanos
C.A.
"Andar pelas ruas do Rio de Janeiro tornou-se perigoso", dizia-me um amigo carioca, acrescentando: "aumenta o número de assaltantes, deparamo-nos a todo momento com gente mal-encarada".
Enquanto ele assim falava, eu ia me lembrando de São Paulo, em cujas ruas cresce o número de "acampamentos" de desocupados (e desocupadas), movidos a álcool, na maior promiscuidade, que se fixam em determinadas calçadas e ali ficam indefinidamente. Cozinham alimentos em fogões improvisados, dormem ao relento e espalham pelos arredores um odor insuportável. Um grupo deles "mora" atualmente junto ao muro do cemitério da Consolação (o mais tradicional da cidade), esparramando ao longo dele seus "pertences". Ao lado de todo tipo de cacarecos, trastes velhos, utensílios enferrujados, trapos e muita sujeira, roupas são estendidas na calçada, após serem molhadas nos tanques do cemitério.
E é só andar mais um pouco em direção a Santa Cecilia, e já na rua Martim Francisco, esquina de Jaguaribe, vemos outro "conjunto" do gênero. Chama a atenção que além da ojeriza total ao trabalho (e há entre eles homens fortes e mulheres robustas), raramente pedem algo aos passantes. Ademais das garrafas de aguardente, sempre presentes a seu lado, de que se alimentam? Onde obtêm os cobertores nos quais se enrolam nas noites frias? Nada têm eles a ver com os tradicionais mendigos – estes sim dignos de compaixão - que ostentam suas mazelas ou sua pobreza ao público para pedir ajuda.
Tudo se passa como se uma misteriosa "mão", interessada em produzir esse "espetáculo" nas cidades, se encarregasse de mantê-los ali, na mais abjeta preguiça, na bebedeira e na desrazão. Será a mesma "mão" que impede uma legislação mais severa contra o crime, e que agora está interessada em abrir as portas dos manicômios para que os pobres loucos circulem pelas cidades ao bel prazer de seus desvarios?
Mas nem a Praça da Sé, em São Paulo, ou certos morros do Rio se tornaram tão temíveis quanto o centro de Salvador, sobretudo o trecho que se estende da famosa igreja de São Francisco até a Catedral. O belo e pitoresco Terreiro de Jesus, na capital baiana, virou um antro de desocupados, travestis, prostitutas, ladrões, gente esquisita deitada nos bancos da praça. Atravessá-lo em pleno dia mete medo. A noite, nem é bom tentar. Recife anda pela mesma linha; e é o que se vê um pouco por toda parte no Brasil.
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A esta altura, um "progressista" de dedo em riste poderia repetir, com ênfase vazia, o slogan bem-amado das esquerdas: "Os ricos estão cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres". Soa falso! Não se vê que no Brasil os ricos estejam cada vez mais ricos. O que é patente é que estamos diante de um empobrecimento generalizado, com todas as características de ser induzido. O Brasil é um dos países potencialmente mais ricos da Terra, por sua capacidade e variedade de produções e pela imensidão ainda inexplorada de seu território. Há tempos, porém, vem nossa pátria sendo vítima de políticas econômicas desastrosas, sempre mais igualitárias, concessivas à esquerda, favorecedoras da estatização e que desestimulam o capital nacional, além de afugentar o capital estrangeiro. São elas que vão tornando a situação cada vez mais irrespirável.
E é nesse contexto que vão surgindo, sobretudo nas cidades maiores, esses bandos de desocupados. As populações tendem a se habituar a um panorama urbano bizarro, e a achar "normal" que seja assim.
Existe para isso uma explicação de fundo? Há muito tempo o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira vem nos advertindo para a decadência geral dos hábitos, costumes, trajes, fórmulas de cortesia e da própria razão humana, e também para uma propaganda crescente que exalta um certo comunismo indigenista.
A pergunta que fica, é: esses "índios" urbanos com que nos deparamos no Rio, em São Paulo, Salvador, Recife e de modo geral pelas cidades brasileiras não preparam psicologicamente o público para a aceitação progressiva de uma situação que se encaminha para a taba? Não estaremos em presença da mais espantosa guerra psicológica revolucionária movida contra uma nação (e o fato não é só brasileiro) para habituar aos poucos seus habitantes a uma condição sub-humana, quase animal?
Na rua Martim Francisco (SP), dia e noite: ojeriza ao trabalho. Quem os mantém?
Assestando o foco
UM ESTADO, DENTRO DO ESTADO? - O Movimento dos Sem Terra-MST transforma seus acampamentos em verdadeiras repúblicas independentes, com leis e milícias próprias, conforme decisão do Congresso Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reunido em Curitiba, em janeiro de 1985: "Os trabalhadores, ao ocuparem as terras, devem ir criando as suas próprias leis e organismos".
Os acampamentos dos invasores são cuidadosamente vigiados por elementos armados, e as próprias autoridades não podem ali ingressar senão sob a proteção de fortes contingentes policiais. Neles têm sido retidos como reféns oficiais de justiça, policiais, fazendeiros, empregados rurais.
Segundo denúncias das autoridades, nesses acampamentos fazem-se treinamentos de táticas de guerrilhas e de agitação, bem como a doutrinação. O jornal do MST chega a fazer referência a uma Escola Nacional, na qual se ensina cientificamente a invadir a propriedade alheia ("Sem Terra", março 1991).
Um jornalista descreve o acampamento de Granja Arvoredo, Rio Grande do Sul: "A segurança é feita por três grupos, cada um com 20 pessoas, que se revezam a cada duas horas. Ali a vida é um exercício de trabalho comunitário, de divisão de tarefas, onde armas, religião e revoltas convivem com atribuições cotidianas.... Os coordenadores se encarregam dos grupos de discussão e divisão de atribuições. Os diferentes grupos cuidam de limpeza, segurança e saúde" ("Jornal do Brasil", 2-10-89).
Tais acampamentos funcionam como redutos de onde os ativistas do MST partem para as novas invasões.
Ligado à igreja progressista, o movimento recebe financiamento até do exterior, para sua tentativa de cubanizar o Brasil. É o que o leitor poderá facilmente ver na documentada reportagem que publicamos.
Denúncias como esta são da maior importância para evitar o alastramento de tamanho flagelo. E a TFP, tendo à frente o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, não tem deixado de fazê-las sempre que a situação o exige.