nesse páreo do primeiro prêmio presidencial, seu concorrente, Luís Ignácio Lula da Silva.
Mas também Lula vem experimentando considerável retração, ainda que não tão grande quanto a do Sr. Ronaldo Caiado.
Tal retração deveu-se principalmente ao desagrado da opinião pública diante das consequências da greve "geral" de março passado e do surto grevista posterior, evidentemente impulsionado pela CUT, tão ligada a ele e ao partido que dirige, o PT.
Segundo a revista "Veja" (17-5-89), desde o início de tal surto, o nome de Lula vem caindo nas pesquisas. "Reconhecemos que a opinião pública está irritada com as greves", afirma o deputado Paulo Delgado (PT-MG), "mas não podemos frustrar o movimento sindical".
Também contribuiu para o desprestígio de Lula o noticiário jornalístico a respeite da reação decepcionada e ao mesmo tempo irônica de muitos elementos dos altos meios financeiros norte-americanos em relação à exposição que ele fez em Nova York, no Hotel Waldorf Astoria. "A grande maioria não gostou do que ouviu. Muitos riam nas horas mais sérias" ("O Estado de S. Paulo", 3-5-89).
Em proporção menor, mas ponderável, pesaram contra a candidatura de Lula algumas atitudes da prefeita Da. Erundina, como por exemplo o tombamento da residência Matarazzo, situada na Av. Paulista, para construir a chamada "Casa do Trabalhador", que repercutiu muito mal em amplos setores da opinião pública paulista.
Esses e outros fatos alertaram muita gente que dormia por aí afora, embalada pela falsa segurança de que poderia conseguir os melhores resultados da política de concessões feitas em relação à esquerda...
No ocaso dos "favoritos", surge uma candidatura nova: Collor
Nesse clima de ocaso de "favoritos", desponta uma figura que se apresenta ao público brasileiro como solução: Fernando Collor de Mello.
Uma vez mais, grande parte da mídia toma essa figura e a apresenta como se fosse outro campeão de corrida que entrou no páreo eleitoral.
Campeão de corrida que, ao contrário de Lula, Covas ou Brizola - os quais, na medida em que vencessem, representariam uma capitulação acovardada da burguesia ante opções radicalmente esquerdistas -, implicitamente oferece às classes dirigentes, em seu "discorso", uma perspectiva menos sombria que a apresentada pelos três candidatos da esquerda.
A "mídia" cerca Fernando Collor com propaganda parecida à que favoreceu Caiado
Neto de Lindolfo Collor, político gaúcho muito saliente na era getuliana, ligado por vínculos familiares mais ou menos desfeitos, como por vínculos familiares atuais, ao grande capitalismo, ele próprio um capitalista de considerável fortuna, o nome de Fernando Collor desperta em certos setores brasileiros a esperança de que venha a representar uma solução centrista com alguma tendência à direita, para a solução da situação caótica que submerge o País.
Começa a cercá-lo uma aura parecida com a que outrora favorecia Caiado. E a mídia vai projetando dele a imagem de pessoa resplandecente de otimismo, de êxitos passados e de esperanças para o futuro. E que traz em si uma como que promessa "evidente" de vitória.
Não é nossa intenção, nestes comentários, impugnar a atitude dos que consideram a presença de Collor, na lista dos mais cotados presidenciáveis, como representando certa distensão e certo alívio quanto à pressão das esquerdas.
Atitude "consensualista" da "mídia" priva o público dos critérios de análise
Mas é preciso tomar cuidado.
Uma análise dessa série de nomes que recentemente têm subido e descido ao sopro da publicidade (lembremos aqui, de passagem, um nome que já vai afundando nas sombras da história: o de Tancredo Neves) leva-nos à conclusão de que nos últimos dez anos os meios de comunicação social do Brasil vêm usando e abusando de certa atitude consensual, uns em relação aos outros. Sintoma dessa "consensualidade" é o fato de quase não haver mais polêmicas sérias e de conteúdo doutrinário entre eles.
Em consequência, quando um desses órgãos apoia certo nome ou candidato, é lançado sobre este uma tal carga publicitária, e tão unânime por parte dos demais órgãos, que acaba privando o público dos critérios de análise.
TFP recomenda: atitude de análise, sem confianças cegas nem incondicionalismos festivos
Collor parece ser um candidato preferível aos outros.
Mas, daí a depositar nele - como se fosse um candidato talismânico - a confiança cega, presente em certas formas de entusiasmo sugeridas por elementos das comunicações sociais, isso se nos afigura excessivo.
E necessário acompanhar com atenção o que ele diz, para ter ideia exata do voto que se vai dar.
* * *
Alguém dirá: "Bom, mas afinal das contas, não há em quem votar, senão ele".
– Está bem, respondemos nós, mas é indispensável rechaçar o incondicionalismo utópico e festivo que certa mídia tem o vício de criar em torno de alguns candidatos.
Esse utopismo otimista é que vai marcar a atmosfera do primeiro período de governo. E acaba beneficiando prematuramente um novo Presidente de República com uma carga de confiança que ele talvez mereça... mas que talvez não mereça.
Esses não são comentários anti-Collor. São comentários pró-Brasil. Comentários que convidam à vigilância e à atenção.
Eles não desviam votos de Collor. Apenas procuram atenuar fanatismos que facilmente se podem tornar excessivos.
Talvez se pudesse dizer que não faltariam motivos para essa vigilância, na conduta passada e atual do Sr. Collor. Mas esta seria matéria extensa demais para ser, por nós, aqui analisada.
Estandartes tremulam nos Andes
LIMA - Aproveitando a temporada de férias, jovens estudantes do Núcleo Peruano de Tradição, Família e Propriedade percorreram cerca de 20 cidades peruanas, da região sul, divulgando estampas da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima.
A proclamação de slogans, com frases alternadas em castelhano e quechua - idioma indígena usado por ponderável parcela da população - salientou especialmente a promessa feita pela Santíssima Virgem em Fátima, de que "por fim o meu Imaculado Coração triunfará". Na foto, aspecto da campanha.
Notícias breves
MEDELLIN, Colômbia - A TFP colombiana elaborou substancioso audiovisual no qual aponta a impressionante degradação moral e artística produzida pelos conjuntos de música rock da atualidade. Além de apresentações na sede da entidade, foi esse documentário projetado em cerca de vinte estabelecimentos de ensino desta cidade.
Ao longo de 90 minutos, a projeção mostra como os vários estilos de música - sacra, clássica, folclórica etc. - podem expressar formas de ordenação de alma, enquanto o rock é essencialmente alucinado, animalesco e até satanista, conforme já o manifestam abertamente alguns de seus cantores.
A iniciativa suscitou vivo interesse tanto entre professores quanto entre alunos, que assim se viram convidados a rejeitar completamente esse tipo de música, cuja nocividade até então não haviam percebido. A tentativa de um ou outro "roqueiro", de apresentar objeções durante as projeções caiu no mais completo vazio.
MADRI - Ao fazer um balanço de sua mais recente iniciativa - que divulgou em escala nacional a obra "Espanha anestesiada sem percebê-lo, amordaçada sem querê-lo..." - TFP-Covadonga registra a eficiência das campanhas ideológicas de rua, com estandartes, fanfarra e proclamação de slogans.
O denso livro de 600 páginas teve duas edições, totalizando 11 mil exemplares. A barreira de silêncio erguida na imprensa em torno de TFP-Covadonga foi também rompida com a divulgação de 20 mil exemplares de uma síntese dessa mesma obra, bem como de 500 mil cartas de propaganda dela.
Em Roma, a obra foi distribuída a personalidades pelo Ufizzio (Escritório) local das TFPs, enquanto reportagens contendo seu resumo foram amplamente divulgadas pelas TFPs coirmãs no Brasil, Argentina, Bolívia, Chile e Uruguai.
Correspondentes estudam "Revolução e Contra-Revolução"
SESSENTA correspondentes da TFP, residentes em sua maioria na Grande São Paulo, nos municípios de Santo André, São Bernardo e São Caetano (ABC) participaram no Auditório São Miguel, em São Paulo, de um simpósio de aprofundamento das teses da obra básica da TFP, "Revolução e Contra-Revolução", de autoria do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.
Publicada inicialmente nas páginas de "Catolicismo", em 1959, o estudo analisa a crise do mundo moderno, resultante de sucessivas investidas contra a civilização cristã, a partir do Renascimento, do Protestantismo, da Revolução Francesa e do Comunismo, culminando em nossos dias com a revolução "hippie".
Jurandir Cavalcante, advogado que participou do encontro, comentava nestes termos a oportunidade da iniciativa: "Nós, que temos coleções de comentários ao Código Civil e outros códigos, sentimos a necessidade de uma coleção de comentários a uma obra tão densa como essa, do Dr. Plinio. Enquanto tal coleção não sai, reuniões como essa ajudam-nos muito".