| Revelações do Sagrado Coração de Jesus e a França | (continuação)
pretendidos direitos políticos, expulsava os seus reis e fazia em pedaços as suas constituições. Hoje trata-se de saber se conservará a família e a propriedade, se a sociedade ficará em pé. Uma catástrofe não espera por outra. Treme em seus fundamentos. E poderia vir tempo em que um homem honrado não encontrasse na França, nesta terra generosa, uma pedra em que recostar a cabeça" (7).
Da época em que o Pe. Bougaud redigiu essas linhas, à eleição de François Mitterrand em 1981, transcorreu pouco mais de um século. E as previsões do Vigário de Orleans veem-se confirmadas pela gestão do atual governo socialista francês. Para se fazer uma ideia do atentado à família e à propriedade que consta do programa do Partido Socialista Francês atualmente no poder, leia-se a luminosa Mensagem das 13 TFPs: "O socialismo autogestionário: em vista do comunismo, barreira ou cabeça-de-ponte?", de autoria do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira (8).
A mãe do diretor do colégio
Posta a incorrespondência de Luís XIV e da França aos desígnios do Sagrado Coração de Jesus, desencadeou-se sobre o Reino, como castigo justamente merecido, verdadeira cascata de catástrofes. É o que acabamos de considerar.
Entretanto, Nosso Senhor Jesus Cristo amara aquela nação com um amor todo de eleição. E prova disto é a série de aparições de sua Mãe Santíssima, que à maneira de maravilhosa esteira de luz, marcou, ao longo de todo o século XIX, o firmamento poluído da nação cristianíssima. Dispondo as coisas de tal modo, Nosso Senhor assumiu uma atitude que se poderia exprimir através da seguinte alegoria.
Imagine-se um diretor de colégio com alunos muito insubordinados. Ele os castiga severamente. Após tê-lo feito, retira-se dizendo à sua mãe:
- "Sei que governareis este colégio de modo diverso do meu. Vós tendes um coração materno. Tendo eu castigado esses alunos, quero agora que os governeis com maternal doçura".
Essa senhora dirigirá o colégio como o diretor deseja. Mas de um modo diferente do seguido por ele. Embora sua atuação seja distinta da dele, ela, contudo, faz inteiramente a vontade do diretor.
Poder-se-ia dizer que a alegoria exprime o significado da sucessão impressionante de aparições mariais no século passado, na França: Rue du Bac, em Paris, em 1830, onde "a devoção da Medalha Milagrosa ornada com os Corações de Jesus e de Maria parece indicar o futuro religioso da França" (9); La Sallette em 1846: Lourdes em 1858; Pontmain em 1871 e Pellevoisin em 1876, onde a Santíssima Virgem, aparecendo quinze vezes a Estela Faguette, parece vir como a celeste "embaixatriz de seu divino Filho, e como a Apóstola e Zeladora da devoção ao Sagrado Coração" (10), instituindo o Escapulário do Sagrado Coração, que foi aprovado em 1900 pelo Papa Leão XIII.
Notas
(I) Cfr. "Compêndio da Vida da Irmâ Margarida Maria Alacoque, religiosa da Visitação de Santa Maria", pelo Pe. João Croiset, SJ. - Tradução do original em francês por Roberto de Vasconcelos. Livraria Agir Editora, 1950, p. 77.
(2) As citações das cartas são extraídas da "História da Beata Margarida Maria – ou Origem da Devoção ao Coração de Jesus" do Pe. Bougaud, Vigário-geral de Orleans, na 3ª edição da tradução portuguesa de José Joaquim Nunes, Porto, Livraria Chardon, de LelIo & Irmão, 1926.
(3) Como se sabe, a Rainha Ana d'Áustria, esposa de Luis XIII, era estéril. À vista disso, o Rei e a Rainha pediram aos mais respeitáveis personagens do Reino, como Santa Joana de Chantal, fundadora juntamente com São Francisco de Salles da ordem da Visitação de Santa Maria; à beata Maria da Encarnação; a Sóror Margarida do Santíssimo Sacramento, de Beaume: ao Pe. Olier. pároco de S. Sulpício; e a tantos outros, que rogassem a Deus para que enviasse sucessor à estirpe de São Luis.
O próprio Rei Luís XIII dirigiu-se à Catedral de Notre-Dame, onde consagrou à Santíssima Virgem sua pessoa e seu Reino. A França inteira uniu-se ao monarca neste ato.
E no próprio ano da consagração (1637), nasceu o varão que se chamaria Luís XIV, cognominado "a Deo datus" (dado por Deus).
(4) Pe. Bougaud, op. cit., p. 303-304.
(5) Idem. op. cit.. p. 306-307.
(6) Idem, op. cit., p. 309.
(7) Idem, op. cit., p. 17.
(8) Cfr. "Catolicismo", jan-fev. de 1982, n°s 373-374.
(9) Cfr. Marcel Cardineau, "La Vierge vous Parle -- Le Message du Coeur de Marie- Pellevoisin". Editions Siloe, Paris, 1946, p. 94.
(10) Marcel Cardineau, op. cit., p. 125.
O PROGRESSISMO E AS DEVOÇÕES TRADICIONAIS
A DEVOÇÃO ao Sagrado Coração de Jesus encontra atualmente detratores também no seio da própria Igreja, em ambientes dominados pelo progressismo católico.
Uma das manifestações mais chocantes do desprezo à mencionada devoção é a maneira pela qual o Pe. José Luiz Cortês abordou o tema em livro de sua autoria ("Un Señor como Dios manda", Promoción Popular Cristiana, Madrid, 1979).
Na referida obra, o sacerdote espanhol procura dar – com auxílio de ilustrações – uma visão blasfema da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo (Cfr. "Catolicismo". n°s 339 e 349, de março 1979 e janeiro 1980).
Não satisfeito em deturpar a mensagem evangélica, o Pe. Cortês critica impiamente a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Procura torná-la ridícula, apresentando-a como prática religiosa própria a pessoas de espírito tacanho.
A principal estratégia do progressismo, no trabalho de demolição das devoções tradicionais, não consiste nesses ataques diretos a elas dirigidos. E isto porque tais investidas podem ocasionar reações inesperadas por parte do público católico. Mais frequentemente, os progressistas procuram lançar no olvido semelhantes práticas de piedade, ou, quando muito, concedem-lhes importância secundária.
De uma e outra forma, infelizmente, vai sendo extirpada paulatinamente, em nossos dias, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a qual deveria ocupar lugar de realce na piedade católica.
INTERVENÇÃO PROVIDENCIAL DA TFP EQUATORIANA
NAS ELEIÇÕES realizadas em maio último, o povo equatoriano escolheu o novo presidente da República. Embora mantendo seu conhecido caráter apartidário, a TFP daquele país dirigiu à opinião pública manifesto sobre aspectos ideológicos do pleito eleitoral.
Tendo em vista a possibilidade de êxito do candidato do Partido de Esquerda Democrática, Rodrigo Boja, que apresentara um programa socialista de governo e conseguira a maior votação no primeiro pleito realizado em janeiro deste ano, a TFP equatoriana, em manifesto de três páginas de jornal, lançou um brado de alerta contra o perigo que representava sua vitória para o Equador. O documento foi estampado, em princípios do mês de abril, nos mais importantes jornais de Quito e Guayaquil. Essa intervenção contribuiu decisivamente para a derrota do candidato esquerdista.
O candidato da união de centro-direita (Frente Nacional de Reconstrução), León Febres Cordero - que só após a publicação do comunicado da TFP deu à sua campanha política um caráter ideológico - venceu as eleições com 100 mil votos de diferença.
A TFP também manifestou estranheza pelo fato de a Hierarquia eclesiástica - que apenas poucos dias antes de publicado o manifesto havia externado alguma apreensão em relação ao resultado das eleições - abster-se de esclarecer o público católico a respeito dos aspectos doutrinários e ideológicos do pleito.
O QUE VI E OUVI NO III ENCONTRO
Atílio Faoro
SÃO PAULO - Para quem acompanhou desde o princípio, como foi meu caso, a crescente expansão do movimento de correspondentes e simpatizantes da TFP, uma expectativa muito grande cercava a realização do III Encontro desses amigos da entidade.
Qual a razão de tanta expectativa?
Os dois Encontros já realizados, em maio e em outubro de 1983, prenunciavam que um número igualmente bom de participantes (do I Encontro participaram 400 pessoas, e do II nada menos que 735) se inscreveria também no III Encontro. Mas quem dispõe de números não tem tudo. Número sem qualidade é muito pouca coisa... E aflorava naturalmente a pergunta: haverá a soma de quantidade com a qualidade que houve das vezes anteriores?
Feito um balanço sereno e objetivo de tudo quanto vi e ouvi neste III Encontro, não tenho dúvida em afirmar que ele constituiu um significativo aumento de número de correspondentes e simpatizantes da TFP (eram desta vez 1.017 os participantes), os quais – isto é mais importante – estavam imbuídos de sólida convicção e adesão entusiástica aos ideais da entidade.
Assim, por exemplo, eram numerosas as expressões de contentamento dos correspondentes pelo fato de poderem participar do III Encontro. Nesse sentido, merece ser registrado que todos viajaram às próprias expensas, alguns vencendo grandes distâncias com notável sacrifício, além de arcarem com as despesas de hospedagem. Mas era unânime a opinião de que todos os sacrifícios foram largamente compensados. "Este Encontro é uma recompensa para o Dr. Plinio, por ter lutado sozinho, todo este tempo" - exclamava um ilustre professor universitário e valoroso correspondente da TFP.
Temática do Encontro
A temática central, à qual se subordinaram as conferências do Encontro, foi: o perigo comunista no Brasil - atuação da TFP em face da atualização dos métodos comunistas.
Slides e quadros foram utilizados em palestras, que foram seguidas com grande atenção pelos assistentes.
Foram os conferencistas: Eng. Plinio Vidigal Xavier da Silveira, Eng. Antonio Augusto Borelli Machado, Prof. Arnóbio Glavan, Prof. Antonio Dumas Louro, Eng. Péricles Capanema Ferreira e Melo, Sr. Welington da Silva Dias e Sr. Renato Murta de Vasconcelos.
Em uma das conferências, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira devia responder a perguntas que os participantes do Encontro quisessem lhe dirigir. Nada
Aspecto do numeroso público presente à conferência inaugural do III Encontro, proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.
Despertaram grande interesse dos participantes do III Encontro os sugestivos "stands" que exibiam aspectos da história da TFP.
Durante as refeições, os participantes do III Encontro costumavam manter animada conversa sobre os temas das conferências.