SOLIDÃO: FRUTO DE UMA SOCIEDADE NEOPAGÃ
Julio de Albuquerque
O homem, criatura de Deus, é um ser contingente. Ele não se basta a si próprio.
Para realizar seu destino eterno necessita do auxílio da graça divina, que lhe é concedida por mediação de Nossa Senhora. Além disso, recebe ajuda dos Anjos, especialmente de seu Anjo da Guarda, e ainda é favorecido pela intercessão de santos ou mesmo de almas do purgatório.
Porém, não é apenas de Deus, de Nossa Senhora, dos Anjos e santos que o homem deve receber auxílio. Os outros homens também lhe são necessários desde o nascimento até à morte, e com eles deve estabelecer as relações adequadas para cada época ou situação de sua vida. Na infância como na juventude, na maturidade ou na velhice, a vida em sociedade é uma disposição dos planos de Deus; se for realizada segundo seus preceitos, será de uma utilidade inestimável para todos; se não for, será marcada por conflitos e tribulação. Esquivar-se dela, porém, é procurar soluções onde não podem ser encontradas para o comum dos homens. Pois os solitários e eremitas constituem uma vocação muito especial própria a uma minoria; não constitui uma forma comum de vida humana.
Para aceitar bem a vida em sociedade — seja ela qual for, desde a família até os maiores grupos sociais — o homem deve, antes de tudo, ter a humildade necessária para reconhecer suas carências e compenetrar-se de que necessita do auxílio dos outros para sua completa realização na ordem espiritual e temporal.
A mentalidade de auto-suficiência, de julgar que pode resolver tudo sem o auxílio de ninguém, de ser um "self made man", é fruto de um egocentrismo que conduz à frustração e ao isolamento. O orgulho de desprezar um bom conselho, uma ajuda desinteressada ou uma advertência caridosa, vai afastando a pessoa de um convívio humano e sadio e a conduzindo a uma solidão geradora de distúrbios psíquicos e mentais.
Solidão essa que é vivida, não em um deserto, no alto das montanhas ou numa ilha abandonada, mas em cidades superpovoadas, que dispõem dos meios de comunicação mais atualizados.
Exemplo frisante de como esse tipo de solidão vai se difundindo em nossos dias é a reportagem publicada pelo "The New York Times Magazine" de 15 de agosto de 1982, secção 6, págs. 24-30, sob o título: "Sozinho - ansiando por companhia na América". A autora é Louise Bernikow.
O mito do "Self - Made Man"
Segundo a articulista, um número crescente de cientistas sociais e de profissionais de saúde mental (que se presume sejam psiquiatras, psicólogos e psicanalistas) estão agora estudando a solidão do homem americano contemporâneo. Alguns dizem que há mais solidão que no passado; outros argumentam que ela é apenas uma impressão. É porém evidente que as consequências físicas e emotivas do isolamento representam perigos maiores do que se supunha.
Pois a solidão persistente e severa pode levar ao alcoolismo, ao uso de drogas, ou, mesmo ao suicídio. E até transformar a pessoa num vândalo, assassino ou terrorista.
As pessoas mais solitárias não são necessariamente aquelas que o público julga que o sejam. Os adolescentes parecem ser mais atacados pela solidão que as pessoas de mais idade. O sucesso profissional não constitui um amparo contra ela, especialmente entre as mulheres.
E isso não se deve ao fato de que as pessoas estejam fisicamente mais isoladas. Pois o contrário é que se verifica. As comunicações eletrônicas, a era do transporte a jato tornaram os contatos mais fáceis do que nunca. Existe, entretanto, uma sensação de que as relações humanas apresentam-se algo inadequadas. A causa dessa insatisfação é indefinível. Os especialistas dizem que isso se deve, até certo ponto, a uma formação cultural que coloca sua tônica na autorealização pessoal em prejuízo do relacionamento humano. Ou seja, que a pessoa adquire tanto mais prestígio, quando fica patente que ela venceu por si mesma, sem o auxílio de outras, mesmo que seja da própria família. Esse "self-made man" que se utilizou apenas dos "self-help" livros da lista dos "best-sellers", é um exemplo de como tal expectativa exagerada, criada por versões idealizadas da vida, difundidas especialmente no cinema e na televisão, leva a enfraquecer sensivelmente os laços familiares, religiosos e sociais.
Com efeito, o censo de 1980 mostrou como, nos Estados Unidos, tais laços se encontram em estado de progressiva dissolução. Quase uma quarta parte da população vive sozinha, da qual faz parte um grande número de pessoas de menos de 40 anos que, por motivos diversos, não se casou.
As mulheres pertencentes ao mencionado grupo são geralmente as primeiras de suas famílias a viverem sozinhas; se fossem da geração anterior teriam sido donas-de-casa. Agora trabalham ou estudam. Seguir uma carreira pode proporcionar a muitas mulheres uma sensação de realização. Mas também pode custar um preço que, até recentemente, foi pouco considerado.
Muitos dos que vivem sozinhos são divorciados, separados ou viúvos. O número crescente de pessoas nessas condições também é causa de preocupação. A taxa de divórcio nos Estados Unidos não é somente a mais elevada do mundo; ela é também a maior que jamais houve: de cada dois casamentos um termina em separação. Uma de cada cinco crianças vive apenas com um dos pais.
O número de pessoas de idade superior a 65 anos é cada vez maior, já atingindo 11,3% da população. Mais de um terço desse grupo é constituído por viúvas, muitas vivendo sozinhas com pequenos rendimentos. No passado, pessoas com mais de 65 anos viviam geralmente com seus filhos e netos, ou próximas a eles. Atualmente isso é raro.
As condições econômicas agravam a situação. Muitos filhos são obrigados a procurar trabalho em outros lugares, deixando os pais sozinhos na cidade de origem, desfazendo os laços familiares e tornando solitárias pessoas que, antes não o eram.
Os métodos utilizados para tentar enfrentar a solidão são os já conhecidos: ouvir rádio, ver televisão, cumprimentar pessoas, tomar tranquilizantes para dormir, ler, ir ao cinema, agregar-se a movimentos religiosos, comprar coisas que realmente não são necessárias, ir a médicos com maior frequência que o indispensável etc. Assim agindo, as pessoas pensam que estão protegidas contra efeitos nocivos do isolamento. Muitos especialistas, porém, consideram que, apesar desses cuidados, doenças atualmente observadas com frequência podem ser classificadas como "doenças da solidão", especialmente casos de hipertensão arterial e enxaqueca.
Necessidade de um mentor
Em recente pesquisa realizada entre adolescentes, preparada pelo Instituto Nacional de Saúde Mental (dos Estados Unidos), 61,3% das moças e 46,5% dos rapazes disseram sentir-se solitários. O Dr. Harvey Greenberg, especialista em psiquiatria da adolescência, acredita que a solidão nos jovens provém de "uma ruptura da família, do fato de que atualmente existe um grande número de filhos únicos, de pais mais velhos e de mães que trabalham". Algumas jovens tornam-se grávidas "a fim de ter a criança para cuidar, como proteção contra a solidão".
O Dr. Greenberg considera que os adolescentes de hoje, “condicionados por uma cultura sem valores, preocupam-se apenas consigo mesmos. Os jovens necessitam um mentor. Os professores costumavam desempenhar essa função. Porém, eles o fazem menos atualmente, porque estão esgotados, zangados, amargurados e paranoicos”: O especialista acrescenta que a solidão nos adolescentes é um importante fator para o aumento dos suicídios entre os jovens, que se elevou em 300% nos últimos 25 anos.
Gregarismo tribalista: nova tendência?
Como causa desse aumento da solidão entre os norte-americanos, quase todos os especialistas apontam a mudança de mentalidade que foi imposta ao povo neste século.
Habituados até o século passado a viver em ambiente de família ou de pequenas comunidades locais — onde procuravam e encontravam um convívio agradável e acolhedor, além de amparo e proteção para vencer as dificuldades da vida — os norte-americanos foram induzidos a achar que deveriam fazer tudo por si próprios e não depender de ninguém, pois o homem que subsiste na vida é aquele que o faz unicamente à custa de seu esforço pessoal e exclusivo.
Diz o Dr. Robert N. Bellah, sociólogo da Universidade de Berkeley (Califórnia): "Liberdade pessoal, autonomia e independência são os mais altos valores para os norte-americanos. Cada um é responsável por si mesmo. Consideramos prova de grande valor sermos deixados sós, não sofrermos interferências alheias. O mais importante para cada um é ser capaz de cuidar de si mesmo. Tão cedo quanto possível, uma criança deve conseguir viver sozinha. É ilegítimo depender de outro ser humano". O Dr. Bellah acrescenta que o povo não tem mais as comunidades às quais ele estava irrevogavelmente ligado. Elas tornaram-se instáveis, frágeis, causando um tremendo baque na vida de muitos. E poucas pessoas sentem-se felizes com tal situação. De fato, os norte-americanos sentem nostalgia das famílias dos velhos tempos, das pequenas e bem entrelaçadas comunidades. O Dr. Bellah conclui que o individualismo é uma “terrível exigência e que, por toda a extensão do país existe uma camada de solidão pouco abaixo da superfície”:
Essa formação voltada para a autossuficiência gerou um tipo de pessoa incapaz de se vincular seriamente a qualquer outra. Isso provoca um desmoronamento da vida familiar, particularmente entre casais que já atingiram a idade madura. Não sabendo mais o que esperar do outro, um número crescente de homens e mulheres resolve dedicar-se inteiramente ao trabalho. Porém, isso não os livra da solidão, pois estão sempre aumentando os casos de "solitários" entre pessoas de ambos os sexos que poderiam ser consideradas como bem sucedidas profissionalmente.
A reportagem termina com uma constatação histórica. Nos anos 50, a família ainda representava o ideal como sociedade fechada, sendo substituída pelo grupo cultural nos anos 60. Na década de 70, o ideal de cultura passou a ser o indivíduo solitário, homem ou mulher, realizando-se profissionalmente e sendo o melhor amigo de si mesmo. Enquanto na década atual já se observaria uma nova tendência para o relacionamento, ainda frio na aparência, porém realmente motivado por um desejo de depender de outras pessoas.
Concordamos que, qualitativamente, a evolução possa ter sido assim, porém negamos que ela se tenha verificado apenas de 1950 em diante.
Pois bem antes disso, no período entre as duas guerras, a mentalidade norte-americana já era caracterizada pelo individualismo autossuficiente do "self-made man", laico e materialista, afastado dos princípios católicos que devem orientar a vida individual e social. E que, em consequência, foi perdendo o gosto pela autêntica vida familiar.
O malogro do individualismo egocêntrico e o desejo de libertar-se da solidão podem estar gerando uma necessidade de estreitar novamente os laços do convívio social.
Porém, se esse retorno não se realizar concomitantemente com a volta aos princípios da moral Católica, não haverá mais vida familiar autêntica e sadia, mas apenas um gregarismo neopagão, manifestado principalmente em grupos comunitários de nossos dias, com características hippies ou tribais, onde reina a mais completa promiscuidade, permissiva e igualitária.
É para essa deformidade espantosa que, lamentavelmente, parece estar rumando, hoje em dia, o desejo natural que sente o homem de viver em sociedade.
A crise do isolamento atinge não raro pessoas que moram aglomeradas em colméias humanas como os residentes dos gigantes de cimento armado das babéis modernas.
O problema hodierno da solidão é universal, manifestando-se em todos os continentes como, por exemplo, nesta praça da velha Europa.
"Revolução e Contra-Revolução", nova edição em português
Em fins de outubro último foi lançada nova edição brasileira da obra doutrinária básica das TFPs e sociedades afins em todo o mundo: "Revolução e Contra-Revolução" de autoria do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do CN da TFP brasileira.
"Catolicismo" sente-se honrado por ter sido o órgão que publicou pela primeira vez, no Brasil, esse ensaio transcendental, em sua edição de abril de 1959 (no. 100). E também estampou com prioridade a Parte III da mesma obra, na edição de janeiro de 1977 (n.° 313).
Além de uma segunda tiragem do livro impresso por nosso jornal, "Revolução e Contra- Revolução" foi publicada pela "Boa Imprensa Ltda.", Campos - RJ, em 1959.
No exterior, a obra alcançou cinco edições em castelhano: duas na Espanha, duas no Chile e uma na Argentina.
Na Itália foram lançadas três edições.
Nos Estados Unidos houve duas edições e uma no Canadá francês. A recente edição brasileira foi lançada pelo "Diário das Leis Ltda.", São Paulo.
Julgamos oportuno transcrever abaixo a introdução dessa edição de "Revolução e Contra-Revolução", a qual apresenta de modo muito bem condensado, o relevante perfil biográfico do autor, cujo renome já alcançou os cinco continentes.
Plinio Corrêa de Oliveira, um homem cujo pensamento e ação se projetam em todo o mundo contemporâneo
A História, mais ainda, o próprio Deus julga os homens não só pelo que fazem, mas também, e sobretudo pelo que pensam, pelo que querem e pelo que são ao longo da vida. Vencendo ou sofrendo revezes; voltando à carga ou recuando, mas sabendo, em qualquer caso, manter alto o estandarte de suas convicções, proclamando-as sempre com galhardia, e servindo-as com coerência e com abnegação inquebrantável. Ou, quando seguem a via oposta, defeccionando vilmente nas obscuras sendas do comodismo, da ambição, da traição, ou da apostasia.
E se um varão levou a bom termo uma magnífica epopeia, é porque antes de tudo ele se empenhou em pensar e querer retamente. E por isto chegou a ser aquilo para que a Providência Divina o destinou desde seus primeiros dias, fiel às convicções que seu espírito acalente e que o convidam a lhes consagrar a existência inteira.
Sim, não se trata de pensar e querer, ser e agir retamente tão só em certos episódios da vida, mas de ser duravelmente idêntico a si mesmo ao longo da vida inteira, reafirmando a todo momento a adesão a seus ideais primevos, e procurando tornar a todos partícipes da alegria e dos méritos dessa fidelidade!
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A luminosa Mensagem sobre o socialismo autogestionário cuja sólida, documentada e bem estruturada doutrina não teve até o momento adversário que a refutasse — é o mais novo florão, cheio de seiva e de cor, o qual desponta ao cabo de mais de meio século de luta aguerrida que conduz essa figura ímpar que é Plinio Corrêa de Oliveira.
Segundo palavras de seu próprio punho (*), desde quando ainda muito jovem, considerou enlevado as ruínas da Cristandade, a elas entregou seu coração; voltou as costas ao seu futuro, e fez daquele passado carregado de bênçãos o seu Porvir...
É a trajetória, assinalada pelas cores vivas de numerosas batalhas, dessa vida de contínua fidelidade aos princípios perenes e vitoriosos da civilização cristã — vitoriosos porque Deus triunfa sempre — que vem traçada a seguir.
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Numerosos homens públicos, ou líderes no terreno da iniciativa privada, como empresários, cientistas, literatos, artistas, políticos, se sentem honrados quando seus admiradores os qualificam de profetas e apóstolos das transformações pelas quais o mundo vai passando. Ou seja, da imensa revolução laicista e igualitária que vai convulsionando toda a terra.
É no contexto dessa omnipresente revolução igualitária, laicista e avassaladora, que surge a figura de Plinio Corrêa de Oliveira, pensador e homem público brasileiro, que desenvolveu e pregou ideias diametralmente opostas às tendências dominantes nos dias que correm.
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Nasceu ele em São Paulo, a 13 de dezembro de 1908. Sua grande realização é a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade — TFP — resultado direto de uma vida inteira de atividade como escritor, professor universitário, jornalista e orador. E também como homem de ação, como líder.
Plinio Corrêa de Oliveira iniciou suas atividades de católico militante em 1928, aos 20 anos de idade, quando era aluno da Faculdade de Direito de São Paulo. A TFP, entretanto, não foi fundada senão em 1960, depois de um longo e cuidadoso processo de preparação, desenvolvido ao longo desses anos. A partir dessa fundação, ele vem projetando seus ideais sucessivamente em toda a América do Sul, na Europa, em Portugal, Espanha, França, Itália e nos Estados Unidos e no Canadá. A partir de 1977, as TFPs têm um escritório de representação em Roma, o Ufficio Tradizione, Famiglia, Proprietà, e desde o ano passado na capital norte-americana, o Tradition, Family, Property Washington Bureau, bem como em Johannesburg o Tradition, Family, Property Bureau for Southern Africa. Recentemente acabam de ser instalados escritórios de representação também em Lima no Peru, em Londres na Inglaterra e em Sidnei na Austrália. Diversas atividades das TFPs tiveram repercussões surpreendentes atrás da cortina de ferro.
De acordo com o mito — frequentemente aceito como inquestionável — a revolução igualitária encontra campo mais fértil nos novos países sem tradições, do que naqueles em que a tradição ainda impregna possantemente as leis, as instituições e os costumes. Em outras palavras, as Américas seriam, teoricamente campo mais fértil para a Revolução do que a Europa.
A propagação das TFPs abalou esse clichê. Formada inicialmente em São Paulo, a "Nova York Brasileira", a TFP foi constituída por um grupo diversificado de homens de meia idade e de jovens. Vários deles provinham de famílias de classe dirigente rural ou da alta burguesia industrial. Sua proclamação cristã, anti-socialista e anticomunista foi se expandindo, sendo recebida com entusiasmo por jovens estudantes, por funcionários da administração pública, da indústria e do comércio, em sua maioria filhos e netos de trabalhadores manuais imigrantes, de todas as procedências. E as TFPs contam hoje com núcleos dinâmicos e dedicados de operários.
Assim, espalhando-se de início através do chamado mundo subdesenvolvido, novo e pobre em recursos, o movimento em favor da Tradição, Família e Propriedade alcançou paradoxalmente a super-industrial América do Norte, bem como a Europa milenar tradicional.
Os ideais da TFP brasileira — que são os mesmos das demais TFPs — estão consubstanciados no presente livro, publicado por Plinio Corrêa de Oliveira em 1959, pouco antes da fundação da Sociedade. Este livro mostra que determinadas forças e correntes ideológicas convergiram, a partir do século XV, para eliminar a nota cristã da cultura e da civilização ocidentais, destruir a Igreja Católica e assim varrer da face da terra os frutos da Redenção de Nosso Senhor Jesus Cris O. Fundamentalmente, essas forças manipulam as paixões desregradas do homem, em especial o orgulho e a sensualidade, e usam o sofisma, a urdidura política e a pressão econômica a fim de realizar sua tarefa destruidora.
A primeira grande e por assim dizer coletiva explosão dessas paixões ocorreu no século XVI com o Humanismo e a Renascença no campo cultural e artístico, e com a Reforma Protestante, no campo religioso. A ação do orgulho como força revolucionária provocou no campo religioso a rejeição da suprema autoridade do Papa como monarca da Igreja, e a dos Bispos como hierarcas desta. Em alguns lugares, ela chegou à negação do sacerdócio. No movimento humanista da Renascença, a admiração fanática pela arte grega e romana serviu como pretexto para introduzir o naturalismo e o hedonismo na cultura, bem como nos costumes públicos e privados da Europa cristã.
O efeito acumulado de todos esses fatores resultou em outra explosão, a Revolução Francesa de 1789. Esta segunda revolução consistiu essencialmente em proclamar a trilogia "igualdade, liberdade e fraternidade", preparando e impondo a partir daí transformações na estrutura hierárquica do Estado e da sociedade análogas àquelas provocadas pelo protestantismo na estrutura da Igreja.
O igualitarismo, e seu corolário, o liberalismo, que a Revolução Francesa espalhara pelo mundo, não tardaram em atingir a única esfera de ordem cristã que havia ficado mais ou menos intacta, o campo econômico. Os germes do socialismo utópico, já presentes na Revolução Francesa, ao longo dos séculos XIX e XX se difundiram pela Europa e depois pelo mundo. Em meados do século XIX, tais germes produziram o socialismo científico, ou comunismo. Era a terceira revolução. Esta revolução, materialista, ateia, completamente igualitária, esta nestes dias alcançando o seu zênite, pois já se vai desdobrando numa quarta revolução, a partir da proclamação da liberdade de todos instintos. A rebelião da Sorbone, em 1968, foi a avant-premiére ululante, e quão característica, dessa quarta revolução.
Em "Revolução e Contra-Revolução", Plinio Corrêa de Oliveira coloca ênfase em que a grande revolução global, de cuja fase suprema estamos sendo testemunhas, não é só um fenômeno politico ou sociológico mas, ainda mais profundamente, uma transformação de índole moral e religiosa, que irradia seus efeitos em todos os aspectos da personalidade do homem. A partir deste, o germe revolucionário se introduz na Igreja e no Estado, nos costumes sociais, na arte, na cultura, na ordem politica e econômica da vida contemporânea.
Em face do dragão revolucionário, a Contra-Revolução — como Plinio Corrêa de Oliveira a concebe — é muito mais do que um livro: é um ideal que convida o homem moderno a rejeitar inteiramente todos os aspectos da revolução laicista e igualitária, e a restaurar em suas bases, ao mesmo tempo perenes e atualizadas, a ordem espiritual e a ordem temporal cristãs.
Cada TFP propugna, na respectiva Pátria, esse ideal contra-revolucionário.
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Plinio Corrêa de Oliveira descende de estirpes tradicionais dos Estados de Pernambuco — onde procedia seu pai, o advogado João Paulo Corrêa de Oliveira — e de São Paulo, o mais dinâmico Estado brasileiro, de onde era sua boníssima mãe, Lucilia Ribeiro dos Santos. Fez seus estudos secundários no Colégio São Luiz, dos Padres Jesuítas de São Paulo, e se formou na renomada Faculdade de Direito da mesma cidade.
Desde cedo seu interesse foi despertado pela análise filosófica, religiosa e prática da crise contemporânea, da gênese e das consequências desta. Foi o fundador da Ação Universitária Católica de São Paulo (AUC), uma primeira versão do que seria muito mais tarde a TFP. Deixando os bancos universitários, iniciou ele sua carreira profissional e pública, ao mesmo tempo que se projetava como o mais destacado líder da juventude católica de São Paulo, em cujo movimento começou a participar em 1928.
Aos 24 anos de idade, foi eleito para a Assembleia Federal Constituinte, em 1933, pela Liga Eleitoral Católica, sendo o deputado mais jovem e ao mesmo tempo o que recebeu maior número de votos em todo o País.
Pouco depois assumiu a cátedra de História da Civilização do Colégio Universitário da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e, mais tarde, tornou-se professor catedrático de História Moderna e Contemporânea na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Foi o primeiro Presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica do Estado de São Paulo.
Católico convicto e militante, como orador e conferencista, jornalista e escritor, esteve sempre ao serviço das grandes causas que interessam a Igreja ou à civilização cristã.
De 1935 a 1947, dirigiu o jornal "Legionário", órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo.
Em 1951, o então Bispo de Campos, D. Antonio de Castro Mayer, fundou o mensário de cultura "Catolicismo" - principal publicação brasileira antiprogressista e antiesquerdista — em cujo corpo redatorial Plinio Corrêa de Oliveira ocupou desde o início lugar de destaque.
É colaborador da "Folha de S. Paulo", o quotidiano de maior circulação no Estado de São Paulo e um dos de maior circulação no Brasil, e também da "Última Hora", conceituado diário do Rio de Janeiro. Em seus artigos, que repercutem notavelmente em todo o País, analisa Plinio Corrêa de Oliveira temas políticos, sociológicos e religiosos de atualidade. Esses artigos são transcritos em vários órgãos da imprensa brasileira e de outros países da América e da Europa.
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Além de "Revolução e Contra-Revolução", Plinio Corrêa de Oliveira é autor de numerosas obras, várias delas traduzidas para outros idiomas, e cujo substancioso conteúdo "Catolicismo" já comentou em números anteriores.
Enquanto intelectual, Plinio Corrêa de Oliveira ocupa lugar de inegável destaque no panorama brasileiro. Na qualidade de homem de ação, é o líder anticomunista mais dinâmico do País. Sua personalidade se projeta em todo o Brasil, e fora dele, como a de um homem de pensamento e de ação dos mais notáveis em nossa época de realizações e de crises, de apreensões, de catástrofes, mas também de esplêndidas afirmações da consciência cristã, bem como de esperanças sempre mais acesas de que a vitória final do espírito e dos princípios de "Revolução e Contra-Revolução" não tarda para aqueles que da Fé se fizeram lutadores entusiasmados!
(*) Cfr. "Meio século de epopeia anticomunista", Editora Vera Cruz, São Paulo, 1980, 472 pp.
Plinio Corrêa de Oliveira (sexto de pé, da direita para a esquerda) foi o deputado mais jovem e o mais votado em todo o País, nas eleições para a Assembleia Constituinte de 1934. Na foto, a bancada paulista nessa Constituinte.
"Revolução e Contra-Revolução" é o livro básico, cujos princípios doutrinários inspiraram a formação de entidades autônomas e coirmãs em vários países americanos e europeus. Na foto, a pujante TFP norte-americana realiza uma manifestação de desagravo a Nossa Senhora na Avenida, em Nova York. Uma organização pró-aborto publicara um folheto blasfemo contra a Virgem Santíssima
Na Espanha, a Sociedade Cultural Covadonga-TFP, dinâmica entidade afim das várias TFPs, efetuou em diversas cidades do país ampla campanha de difusão de 150 mil volantes da carta-aberta ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), publicada no diário madrilenho ABC, seis dias antes das últimas eleições gerais, realizadas em outubro p.p., naquela nação ibérica. Na foto, jovens sócios e cooperadores de Covadonga abordam o público na Puerta del Sol, em pleno centro de Madrid.