Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 383 | página 08

TFP uruguaia alerta opinião pública do país

Corno se sabe, o Uruguai enfrenta hoje uma difícil situação, na qual os fatores políticos, sociais e econômicos se confundem, sendo impossível ao homem comum fazer sobre eles uma análise serena e objetiva. Essa desorientação se torna particularmente grave no momento atual, em que a nação elegerá — após 10 anos de interrupção da vida político-partidária — as autoridades internas das agrupações políticas, passo preliminar para a eleição do futuro governante em 1984.

Nessas circunstâncias, a TFP uruguaia publicou uma análise da situação do país, assinalando os perigos e os enganos que, na atual encruzilhada, ele se vê submetido.

Voz jovem e idealista a serviço do Uruguai

Em várias ocasiões — às vezes críticas — por que passou o Uruguai nesses últimos 15 anos, a voz jovem e idealista da TFP se fez ouvir, sempre com especial transcendência: Seus oportunos e bem documentados pronunciamentos converteram-na num dos mais destacados polos de orientação para a opinião pública uruguaia. Nesse sentido é especialmente digno de nota a histórica denúncia formulada pela TFP a propósito da ação esquerdista de altos Hierarcas do Uruguai. Contendo mais de 300 documentos, o livro "Izquierdismo en la Iglesia: compañero de ruta del comunismo" provou a colaboração de uma parte decisiva do Clero uruguaio no sangrento show tupamaro.

No fim do mês de setembro p.p., a publicação de um número especial do boletim da TFP apresentou ao público uruguaio esclarecimentos oportunos sobre a situação do país. O documento intitulado "En la actual encrucijada nacional la TFP alerta: autodemolición religiosa, vacío ideológico y crisis economica" é uma pormenorizada análise das tendências e dos perigos pelos quais atravessam o Uruguai e todo o continente sul-americano. Para conhecimento dos leitores de "Catolicismo", transcrevemos alguns dos principais tópicos do mesmo.

Autodemolição religiosa e vazio ideológico

O estudo começa por advertir que "a multiplicidade e complexidade de fenômenos, tantas vezes contraditórios, que formam a trama do momento, o vazio ideológico com que se os tratam e o duro acicate das necessidades econômicas, fazem temer uma reação equivocada por parte da opinião pública, cuja expressão (nas próximas eleições) bem poderia indicar o contrário de seus verdadeiros sentimentos. Assim, corre-se o risco de que nosso País seja conduzido de modo artificial, para onde ele não quer ir". Comentando a falta de orientação observada na atitude daqueles que naturalmente deveriam proporcioná-la, acrescenta: "Quem analisar as declarações dos principais expoentes de nossa sociedade no momento atual — inclusive os eclesiásticos — surpreende-se pela falta de ideais ou pelo materialismo com que, na maior parte dos casos, são abordados os problemas da atual conjuntura nacional".

O silêncio das autoridades eclesiásticas, no momento em que seria dever dos Pastores dirigir-se ao rebanho dos fiéis, também é lamentado pelos jovens da TFP: "Dói como católico constatar a orfandade religiosa de nosso povo. A hierarquia uruguaia (...) parece hoje abandonar a pregação pública e aberta para reduzir-se a uma miríade de pequenas e enigmáticas Comunidades de Base..."

O documento ainda adverte que "ao par desse vazio religioso, perdeu-se paulatinamente, nestes últimos anos, o conteúdo doutrinário e ideológico do anticomunismo". Para ilustrar as terríveis consequências que este vazio ideológico pode trazer, os jovens da TFP dão como exemplo a recente vitória do socialismo na Espanha: "A esquerda espanhola, como a nossa, fingiu dormir, mas de fato renovou seus quadros e hoje alcançou o poder. (...) O processo eleitoral de novembro, segundo tudo indica e graças aos erros assinalados, está se desenvolvendo de maneira a chegar a um resultado aparentemente muito vantajoso para a esquerda... mas na realidade será a derrota do vazio e uma vitória do nada..."

Vinculação da América Latina a Moscou

Todo esse quadro, que de si cria condições psico-políticas para levar o Uruguai inadvertidamente até onde não quer chegar, complica-se com outro fator: a Rússia tenta explorar tal situação. Nesse sentido, a escalada da seita internacional marxista é demonstrada por alguns fatos recentes: “Pela primeira vez em sua história, a Associação Rural do Uruguai ofereceu uma acolhida não vigilante à propaganda de Moscou. Dez entidades de comércio exterior russas expuseram toda espécie de produtos, catálogos e prospectos de sua economia totalitária”: O documento acrescenta que os soviéticos aproveitaram tal oportunidade a fim de fazer uma aparatosa propaganda nos principais diários, convidando o público para visitar seu stand.

Paralelamente, a Rússia transformou-se no principal cliente do Uruguai; suas aquisições representaram, no primeiro quadrimestre do presente ano, 15% de todas as exportações da nação, muito acima do segundo comprador, a Alemanha Ocidental, que alcançou somente 9%.

As intenções de domínio russo evidentemente não se limitam ao Uruguai; neste sentido, a TFP chama a atenção para um assunto que, além de interessar ao Uruguai, é talvez o problema mais importante do continente sul-americano no momento atual: as reiteradas intenções da Rússia de fazer-se útil e necessária, e, por fim, indispensável em suas relações com os países latino-americanos. "Com esse propósito, os diplomatas de Moscou aproveitam-se das crises econômicas, políticas e até bélicas pelas quais atravessam países sul-americanos, as quais — natural ou artificialmente — bem poderiam agravar-se em futuro próximo".

A TFP uruguaia dirige-se ao governo pedindo "que tome em consideração o panorama aqui descrito (...) para coordenar uma política latino-americana em face dessa manobra". Dirige-se também aos líderes de opinião pública, aos políticos, aos responsáveis pelos meios de comunicação social a fim de que haja um esforço para elevar, dignificar e esclarecer seriamente o debate politico do momento.

O documento finaliza pedindo a Nossa Senhora de Fátima que apresse o dia tão esperado de sua vitória "e nos dê, entrementes, fortaleza e ânimo para perseverar nesta hora de defecção e autodemolição eclesiástica".

Difusão do documento e mal-estar da esquerda

Os jovens cooperadores da TFP, portando suas características capas vermelhas e estandartes com o leão rompante, difundiram o manifesto durante o mês de outubro passado, na cidade de Montevidéu. Os altofalantes ressoaram no centro da capital: "Uruguaios, uruguaios, na atual encruzilhada nacional sigam a voz dos jovens que lutam e confiam num grande Uruguai cristão". "Na atual encruzilhada nacional, a TFP alerta". Tomando contato com profissionais liberais, comerciantes, operários, donas-de-casa e estudantes, os cooperadores da TFP puderam constatar o interesse em se conhecer o pensamento da entidade, especialmente entusiasta nos jovens.

Como não podia deixar de ser, a esquerda não viu com bons olhos tal denúncia. O semanário "Opinar", em sua edição do dia 11 do corrente, publicou uma carta dos leitores que tenta refutar o manifesto da TFP; a argumentação — para chamá-la assim — é tão primária que não mereceu resposta. Por seu lado, o matutino "El Dia" também comentou a ação da TFP, e manteve-se o mesmo prudente silêncio a propósito das sérias denúncias enunciadas pela entidade.

Com o intuito de dar maior difusão ao estudo, este foi publicado integralmente em "El País", o matutino de maior circulação do Uruguai. Curiosamente, no mesmo dia 5 de novembro, a Conferência Episcopal Uruguaia pronunciou-se sobre as eleições, fazendo completa abstração do vazio ideológico e da conjuração marxista denunciados pela TFP.

A publicação no mencionado diário suscitou novas simpatias e adesões. Nos dias subsequentes, grande número de cartas e de chamadas telefônicas foram recebidas na sede da TFP.

Qualquer que seja o resultado das eleições, uma coisa é certa, depois dessa denúncia da TFP a opinião pública do país vizinho estará advertida a respeito da manobra que o comunismo tenta lançar para a conquista da nação. E o brado de alerta da TFP constitui para ele barreira difícil de transpor.

Cooperador da TFP uruguaia distribui o manifesto da entidade no centro de Montevidéu.


AUSTRÁLIA: Queensland progride mediante iniciativa privada

BRISBANE — Uma imigração interna tem conduzido muitos australianos para o Estado de Queensland, onde o número crescente de empregos e novos investimentos, o reduzido valor dos impostos e a relativamente baixa taxa de inflação, constituem caso único no país. O governo conservador estadual do 1º. ministro John Bjelke Petersen, há mais de uma década no poder (sinal evidente de popularidade), atribui esse sucesso à sua política de estímulo à iniciativa privada que contrasta fortemente com a do Partido Trabalhista (de orientação socialista), detentor dos governos nos dois principais Estados da Federação: New South Wales e Victoria.

O Estado de Queensland ocupa 1,7 milhões de Km2, na região nordeste da Austrália (o Estado do Amazonas tem 1,56 milhões de Km2). Seus 2,3 milhões de habitantes representam um número considerável em relação à população de 15,5 milhões de todo o país. De clima tropical, Queensland soma à produção de cana de açúcar, cereais, frutas e à criação de gado, a exportação de carvão, urânio, bauxita e outras riquezas do subsolo. Suas belezas naturais, principalmente o Great Coral Reef — cordão de recifes que se estende ao longo dos seus 5.400 Km de litoral — atraem numerosos turistas de todas as partes.

A coalisão conservadora dos Partidos Nacional e Liberal comemorou com estatísticas otimistas suas "bodas de prata" no poder, o que contrasta com o panorama cinzento, de pesada recessão econômica, que se faz sentir em certas regiões da Austrália, sobretudo nos Estados-membros dominados por governos trabalhistas.

No discurso proferido na comemoração dos 25 anos da coalisão conservadora, John Bjelke Petersen declarou que "Queensland criou 22.700 novos empregos nos doze meses anteriores a julho de 82, enquanto que os Estados de New South Wales, Victoria, South Austrália e Tasmania, os empregos diminuíram em quase 30 mil. Em Queensland, nós geramos agora quase 2/3 dos novos empregos da nação", disse.

Lembrando que sua administração mantém "o Estado australiano de mais baixa taxação de impostos", chamou também a atenção para o fato de que "os índices de preços para o consumidor no trimestre findo em junho/82, revelaram que nós temos a mais baixa taxa anual de inflação das capitais da Austrália Continental".

Assim — continuou Bjelke Petersen — "não é surpresa que Queensland atraia mais de 40% de todo o investimento estrangeiro na Austrália e que quase metade dos projetos de desenvolvimento da nação estejam agora aqui localizados. A taxa de desemprego em Queensland, no mês de julho, era a mais baixa do País." E acrescentou que embora o Estado "não possa se isolar completamente dos problemas da economia nacional e internacional, ele tem capacidade de resistir a pressões externas melhor do que qualquer outro território australiano".

O 1º. ministro de Queensland atribui tal êxito econômico à politica anti-socialista de seu governo de coalizão: “O sucesso (...) não se deu por acaso, mas pela promoção de políticas sadias e encorajamento do setor privado, o qual respondeu à altura”.

Apesar de seu governo ser alvo permanente de campanhas difamatórias provenientes das esquerdas, o número de australianos que têm imigrado para Queensland, vindo de outros Estados da Federação, atua como um sufrágio a seu favor. Em 1980, a população do Estado cresceu 2,4%, enquanto que o índice global para o país foi de 1,4%. Petersen se orgulha de que, atualmente, Queensland "concorre com um terço do crescimento populacional da Austrália."(Agência Boa Imprensa - ABIM)

O Estado de Queensland fica localizado a nordeste do Continente australiano.


Receita para agressão soviética

BRISBANE — "A maioria dos promotores radicais das campanhas antinucleares no Ocidente são sôfregos colaboradores do comunismo. Eles procuram apenas o desarmamento do Mundo Livre para ajudar a construir o poderio do império soviético e sua capacidade de intimidar as nações livres", declarou o primeiro ministro do Estado de Queensland, Austrália,. John Bjelke Petersen, por ocasião da visita do destroier nuclear norte-americano "USS Truxton" a Brisbane.

Efetivamente, movimentos antinucleares têm feito pressões para que seja negado aos navios aliados que portam armas nucleares, ou mesmo aos que são movidos por energia nuclear — o acesso aos portos australianos.

Em outra oportunidade, discorrendo sobre o mesmo assunto, Bjelke Petersen lembrou que "o congelamento de armas nucleares foi inicialmente proposto pelos soviéticos para garantir sua superioridade nuclear estratégica".

"Se o Mundo Livre unilateralmente depuser suas armas e se declarar uma 'zona não nuclear' — perguntou ele a seus opositores — vocês de fato creem que o mundo comunista nos imitará? Ou, pelo contrário, não será isso, mais precisamente, receita para uma agressão? Portanto, nosso 'way of life' de iniciativa privada e nossas liberdades políticas serão postas em risco".

E concluiu o destacado político australiano: "Devemos ter aliados poderosos e alianças viáveis, ou seremos apanhados como o Afeganistão, Angola, Tibet, Lituânia e uma multidão de outras nações que foram livres":