O SANTO CÁLICE DE VALÊNCIA
Nunes Pires
São numerosas as igrejas e capelas, ao longo das estradas e também nas cidades do imenso interior brasileiro, que ostentam junto ao adro, um vistoso cruzeiro — marco de missões pregadas outrora — e adornado com certos símbolos da Paixão de Nosso Senhor. Entre estes, costumam figurar a coroa de espinhos, os cravos, o cálice, o martelo, a lança etc. E não resta dúvida de que, mesmo quando esculpidos sem grandes recursos de artesanato, tais objetos auxiliam efetivamente a alma católica na rememoração dos grandes eventos da História da Redenção.
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Algum tempo após a Ascensão de Nosso Senhor, já constituída a Igreja, São Pedro transferiu-se para Roma. E alguns daqueles utensílios santos, que haviam sido guardados pelos Apóstolos e discípulos, foram levados para lugares seguros; outros permaneceram perdidos, envoltos pelas brumas da História.
Ao longo dos séculos, contudo, a Providência Divina permitiu que, miraculosamente, brilhassem aos olhos dos fiéis várias dessas relíquias, nas quais permaneceram algumas gotas do sangue do Redentor. Nelas parecem se entrelaçar o passado e a eternidade.
Foi no século IV que, por iniciativa de Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, foram encontrados no monte Calvário remanescentes das três cruzes. Era necessário reconhecer qual delas era a Cruz de Nosso Senhor. São Macário, Bispo de Jerusalém, ordenou orações públicas para obter de Deus um sinal manifesto que pudesse esclarecer a piedade dos fiéis.
Decidiu então conduzir as três cruzes diante de uma distinta dama que se encontrava muito doente e em perigo de morte. À aproximação das duas primeiras cruzes, nas quais morreram os dois ladrões, não se verificou nada de especial. Mas quando a doente tocou a terceira, ficou completamente curada.
São Luís IX, Rei da França, que participou da Sexta Cruzada no século XIII, ao retornar de Jerusalém a Paris, levou consigo solenemente a relíquia da Coroa de Espinhos. Para abrigá-la condignamente o monarca fez construir, próxima à Catedral de Notre Dame, uma capela especial com belíssimos vitrais, a célebre Sainte Chapelle.
Por outro lado, Turim, na Itália, mereceu a honra de guardar até nossos dias, o Santo Sudário no qual foi envolto o Sagrado Corpo de Nosso Senhor, após haver sido retirado da Cruz. Na santa mortalha permanece impressa, de forma extraordinária, a figura do Redentor.
Valência, cidade situada a leste da Espanha junto ao Mediterrâneo, conserva em sua Catedral uma capela especial, em cujo altar se venera um belo cálice. Este apresenta características de ter sido provavelmente, o próprio cálice que Nosso Senhor teve em suas mãos, no Cenáculo. O bojo do venerável objeto é esculpido em uma pedra semipreciosa, denominada ágata escura. Seu suporte metálico apresenta incrustações de pedras preciosas, que foram acrescentadas, segundo tudo indica, no século XV.
Entretanto, apesar de geralmente se reconhecer ter sido este o Cálice usado por Nosso Senhor na Última Ceia, sua autenticidade não é admitida, de modo unânime, pelos estudiosos.
Durante os primeiros séculos da História da Igreja, encontra-se pouca documentação a respeito do assunto. Alguns autores admitem que o Cálice da última Ceia encontra-se atualmente na Catedral de Gênova, na Itália. E outra versão considera como sendo a preciosa relíquia um cálice que está exposto hoje em dia, no "The Metropolitan Museum", de Nova York.
De qualquer forma, julgamos oportuno oferecer à consideração de nossos leitores os dados apresentados por dois eclesiásticos espanhóis (1). Em suas obras eles aduzem tradições veneráveis e documentos bem interessantes sobre a preciosa relíquia da Catedral de Valência.
Em 1952, por ocasião do XXXV Congresso Eucarístico Internacional, que se realizou em Barcelona, o público pôde conhecer mais de perto o histórico do Cálice da Catedral de Valência, também chamado Santo Graal.
Com efeito, veio a lume então o livro de Mons. Juan Angel Oñate, "El Santo Grial", o qual, baseado em farta bibliografia, relaciona as mais antigas referências documentadas, que qualificam a citada relíquia como tendo sido provavelmente aquela utilizada na primeira Missa.
Etimologicamente a palavra Graal origina-se do hebraico Goral, espécie de pedra que designa também cálice.
Sabe-se que em Roma, nos primeiros tempos da Igreja, quando o número de fiéis era ainda bastante restrito, somente o Sumo Pontífice auxiliado pelo Clero celebrava a Missa para o público. As palavras pronunciadas pelo celebrante, pouco antes da consagração, permaneceram imutáveis ao longo dos séculos, figurando até os tempos modernos no "Ordo Missae" de São Pio V, contendo elas uma referência a um cálice bem determinado: "Accipiens et hunc Praeclarum Calicem in Sanctas ac venerabiles manus suas" ("Tomando este preclaro cálice em suas santas e veneráveis mãos"). O adjetivo este deixa subentendido que o cálice usado pelo Pontífice era exatamente o mesmo que Nosso Senhor teve em suas mãos divinas.
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Em 258, quando, por ocasião de uma das perseguições mais cruéis, o solo de Roma era ensanguentado pelo martírio dos cristãos, o Papa Sixto II foi trucidado, tendo profetizado ao morrer, idêntico fim que teria seu Diácono, Lourenço de Huesca.
Efetivamente, Lourenço foi martirizado a 10 de agosto daquele ano. As atas do martírio relatam que as autoridades romanas exigiram dele a entrega dos tesouros da Igreja, tendo o santo pedido um prazo de três dias para poder reuni-los. Ao terceiro dia, apresentou-se rodeado de todos os pobres e desvalidos que eram socorridos pelas esmolas da Igreja, e mostrando-os, disse resolutamente: "Aqui estão os tesouros da Igreja".
Considerando as almas remidas pelo sangue de Cristo e auxiliadas materialmente pelas esmolas que distribuía como a grande riqueza da Igreja, o santo Diácono nem sequer fez menção ao Cálice pontifical.
Contudo, tendo em vista a ameaça de novas perseguições, cada vez mais violentas, segundo uma antiga tradição, Lourenço encaminhou o Santo Cálice para sua terra natal, a cidade de Huesca, na Espanha, dando ao peregrino que o levou a recomendação de deixar a relíquia sob o cuidado da pequena comunidade de fiéis daquela cidade, e da qual faziam parte seus pais, Santo Orêncio e Santa Paciência.
O ano de 711 marca o início da invasão muçulmana na península ibérica, que forçou as populações de várias cidades mais próximas da rota dos invasores a recuarem, pouco a pouco, para regiões onde pudessem resguardar com segurança, sua Fé e sua liberdade.
No ano seguinte, os moradores de Huesca, tendo à frente o Bispo Acisclo, abandonaram sua cidade, levando consigo o Cálice Sagrado, buscando refúgio em Cueva de Yebra, região situada junto aos Pirineus.
Três séculos depois, em 1071, a Santa Sé empenhou-se em substituir a liturgia mozárabe, que então era adotada em algumas regiões da península ibérica. O Cardeal Hugo Cândido esteve no Mosteiro de San Juan de Peria, iniciando ali sua missão como Legado do Papa Alexandre II. Para solenizar, como era devido, o significativo acontecimento, o Purpurado utilizou o venerando Cálice — que era guardado naquela casa religiosa — na Missa solene que celebrou.
Afonso V, Rei de Aragão, levou o Sagrado Cálice para ser venerado em seu castelo, no ano de 1424, tendo a relíquia sido depois transportada para a Catedral de Valência. Neste templo religioso permanece até nossos dias, tendo transposto vários perigos, durante as numerosas perseguições sofridas pela Igreja, no decorrer dos séculos. Em 1809, o Cálice foi levado para Alicante, onde ficaria mais protegido contra os riscos da invasão napoleônica. Mais violenta, entretanto, foi a perseguição movida contra a Igreja neste século.
21 de julho de 1936. Os sinos da histórica Catedral de Valência não repicam. Suas portas estão fechadas. Na rua, sobre aquele calçamento de pedras polidas pelo caminhar de gerações que, ao longo dos séculos, tantas vezes foram rezar naquele majestoso templo, encontrava-se uma turba de agitadores e incendiários. Ninguém alimentava dúvidas quanto às suas intenções: o templo religioso, como aconteceu com tantos outros, durante a guerra civil espanhola, seria invadido, saqueado e talvez incendiado pelos vermelhos.
Dentro da Catedral, Mons. Elias Canalda aproximou-se do relicário, retirou o Cálice, e entregou-o a uma jovem. Esta, correndo o risco de ser presa e trucidada, levou-o, devidamente dissimulado, para sua residência. A preciosa relíquia foi depositada num compartimento de guardar panelas, na cozinha da casa, local onde ficou escondida por algum tempo.
Em 1943, restaurada a Capela do Santo Cálice, na Catedral de Valência, este foi exposto definitivamente à veneração pública, onde se encontra até hoje.
São Luis Grignion de Montfort, em seu livro "O Amor da Sabedoria Eterna", acentua que "Jesus Cristo, a Sabedoria Eterna, tendo podido escolher o gozo, sofreu a Cruz, ou seja, segundo os Santos Padres: havendo podido permanecer na glória do Céu, infinitamente afastado de nossa indigência, preferiu, por nosso amor, descer à terra, fazer-se homem e ser crucificado.
"Ele escolheu contrariedades e a Cruz, para dar a seu Pai celestial mais glória, e aos homens, maior prova de seu amor".
Essas considerações, tão belas, não ficam, entretanto, circunscritas ao campo do pensamento teológico. Os objetos mais proximamente relacionados com a Redenção, como por exemplo o Santo Lenho, o Santo Sudário e o Sagrado Cálice, são testemunhos palpáveis do sofrimento que o Salvador padeceu pelos homens e do incomensurável amor que lhes votou.
1) Con. Juan Angel Oriate Ojeda, "El Santo Grial", Valência, lmprenta Nacher, 1972.
Con. Elias Olmos Canalda, "Santo Caliz de la Cena", Valência, Edição do Autor, 8ª. edição, 1959.
2) San Luis Maria Grignion de Montfort, "Obras", Biblioteca de Autores Cristianos, Madrid, 1954, pag. 188.
Retábulo onde se venera o Santo Cálice
A Catedral do Santo Graal, em Valência (Espanha)
O Santo Graal ou o Cálice de que Se serviu Nosso Senhor na última Ceia, segundo a tradição mais corrente
CÔNCAVOS E CONVEXOS
Plinio Corrêa de Oliveira
Tive real satisfação em comentar para os leitores a mensagem pontifícia aos Bispos reunidos em Puebla. Mas esta satisfação levou-me à aventura de dedicar ao assunto nada menos de cinco artigos. Entrementes, fatos importantes se desenrolavam em nosso País sem que me fosse dado analisá-los, pois, eu me sentia atado ao tema Puebla pela extensa sequência de artigos, na qual me engajara. Nada disse, assim, sobre as greves. Terminados os meus artigos, terminaram também elas. Discorro pois sobre as mesmas ao baixar do pano. Perdoe-me o leitor...
E entro desde logo no que me parece ser o ponto crucial do assunto.
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As greves sobressaltaram naturalmente a vigilância dos espíritos lúcidos, afeitos à observação contínua da realidade nacional. Mas elas obtiveram outro resultado ainda, e incomparavelmente mais difícil. Despertaram um pouco de interesse e até de preocupação no grande magma amorfo, átono, que forma neste momento a maior parte da opinião pública nacional.
— Há base para se discernir, nas ondulações consideráveis do último sismo socioeconômico, um incremento do espírito reivindicatório das massas? Ou resultam essas ondulações tão só de uma inconformidade episódica com os efeitos que a inflação projeta sobre o valor aquisitivo dos salários?
Não é fácil responder a essas perguntas. Tanto mais quanto alguns fatores extrínsecos à agitação laborista condicionaram profundamente a esta. Grosso modo, toda a imprensa falada e escrita deu às greves um apoio aparatoso. Um apoio que, por vezes, assumiu nítidos aspectos de insuflação. Acresce que o clima de abertura política jogou de modo estranho nesta contingência. Pois ele franqueou caminho a toda espécie de pronunciamentos pró-greve. "Apertura a sinistra" dir-se-ia. Mas, de outro lado, criou toda espécie de inibições para os que desejariam fazer restrições às greves. Como frequentemente acontece, a "apertura a sinistra" redunda numa "chiusura a destra". Assim, à desinibida conduta pró-grevista correspondeu uma inibida reação patronal.
Por fim, e sobretudo, grande parte da Hierarquia eclesiástica tomou uma posição desenvolta, eu diria convexa, em favor das greves. Enquanto a parte da Hierarquia que não se pôs à testa das greves tomou uma atitude não menos inibida e côncava do que o patronato.
Ora, estou persuadido de que mais, muito mais do que o governo, os sindicatos, as lideranças operárias ou patronais, ou até os órgãos de comunicação social, influi no povo, no bom povinho ("le menu peuple de Dieu", dizia-se outrora na França, com afeto), a Igreja Católica.
É fácil compreender como todo esse jogo de concavidades e convexidades não especificamente laborais modulou o dinamismo e a trajetória do movimento grevista.
Eis-me assim chegado ao âmago do presente artigo. Isto é, a atitude da Hierarquia eclesiástica face ao movimento grevista. Para fazer eu mesmo uma apreciação desinibida e convexa do tema, começo por afastar com uma penada uma causa de equívocos. Parece-me ver de longe gente que esfrega as mãos supondo que me vou pronunciar contra qualquer greve em tese, e "in concreto" contra estas últimas. Desiludam-se esses meus esperançosos adversários ideológicos. Penso a respeito dessas greves exatissimamente como a grande maioria de nossos patrícios. Em princípio, pode haver greves legítimas. As reivindicações enunciadas nas últimas greves — por vezes, excessivas, por vezes apresentadas com uma “force de frappé” exagerada — corresponderam a situações críticas infelizmente reais. Tendo decepcionado com isto as assertivas de certos adversários, passo adiante.
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Por que foi tão longe no bafejar as greves a ala convexa e reivindicatória da Hierarquia? Não percebe ela que, à força de avançar aplaudida pela esquerda, vai se distanciando da nação, que é pacata e centrista'?
Tomo um exemplo. O Cardeal Arns vem assumindo francamente a sucessão de D. Helder Câmara, na liderança da ala convexa. A palavra dele tem, portanto, nessas matérias, uma carga de significação ímpar. Extraio do comunicado de 3 de maio, que o Purpurado publicou sobre "A Igreja e as reivindicações populares" (cfr. "O São Paulo", semana de 3 a 9 do mesmo mês), as seguintes frases:
"A Igreja de São Paulo tem sido procurada, tanto para apoio quanto para cessão de locais de reunião. Em todas as ocasiões, os representantes desta Igreja têm insistido no fato de os salários serem insuficientes para a maioria de nosso povo. Acrescentaram ainda que as diferenças entre os salários são insustentáveis, porque levam uns ao esbanjamento e outros à fome cruel.
"Nesses casos, a justiça deve pairar acima das disposições legais, sobretudo quando elas são consideradas, até pelos responsáveis da nação, como desatualizadas".
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Se se realizasse por estes dias algum dos grandes congressos de intelectuais católicos que sugeri ao Episcopado através de recente entrevista dada a "O Globo" (e a este propósito comprazo-me em dizer que recebi de vários srs. Bispos cartas alentadoras, exprimindo não só compreensão, mas vigoroso apoio), eu pediria nele que especialistas à altura procedessem a uma investigação absolutamente científica a respeito de alguns pontos que o texto do meu Arcebispo trata com desembaraçada superficialidade:
a) Em quanto se deve estimar, no Brasil de hoje, um "salário suficiente"? Que relação deve haver entre a natureza do trabalho e o montante do salário? É real que a trabalhos hierarquicamente desiguais devem corresponder necessidades desiguais, e, portanto, salários também desiguais? Qual a legítima diferença que deve haver entre salários desiguais? Tudo isto calculado, qual a porcentagem efetiva de brasileiros cujo salário é insuficiente?
b) "As diferenças entre os salários são insustentáveis", diz nosso Pastor: o que quer dizer precisamente esta frase? E insustentável em tese toda e qualquer diferença de salário, mesmo quando estabelecida em função da hierarquia de capacidades e responsabilidades dos trabalhadores? Ou é "insustentável" tão só a diferença dos salários como ela existe no Brasil? E por que? Que remédio dar-se à situação? A eliminação de toda e qualquer diferença? Ou simplesmente sua redução? Então, em que medida e segundo quais critérios? E se os trabalhadores mais qualificados, dotados de capacidade diretiva e gerencial privilegiada começarem a deixar o Brasil à procura de melhores salários no Exterior, como evitar a decadência do trabalho nacional? Vinculando-os por lei aos respectivos empregos, como se conta que o eram outrora os servos à gleba? Ou então levantando uma cortina de ferro em torno do País, para que não fujam?
c) São tantos assim, no Brasil, os assalariados que se entregam ao "esbanjamento", a ponto de concorrerem substancialmente para que outros fiquem reduzidos à "fome cruel"? Em termos concretos, o que é "esbanjamento", nessa terminologia? Qual a porcentagem dos que esbanjam? Como seria no Brasil uma vida cultural e social sem os tais "esbanjamentos"? Proletarizada?
De outro lado, o que é uma "fome cruel'"? De si toda fome não saciada é cruel. "Fome cruel" é pleonasmo, é redundância. A significar algo, indica fome crudelíssima.
Quais precisamente as zonas de fome no Brasil? A partir de que grau a fome se transforma em “fome cruel”? E a tal "fome cruel", onde existe? Que porcentagem da população ela açoita? Em que medida a supressão dos tais "esbanjamentos" contribui para eliminar a tal "fome cruel"?
Não se julgue que estas perguntas têm um interesse platônico. Estas questões têm um interesse intrínseco inegável. E a meu ver é um mérito do Sr. D. Paulo Evaristo Arns ter a coragem de levantar temas delicados, que outros deixam comodamente dormitar. Digo-o embora minha opinião sobre esses temas seja habitualmente diversa da dele. Além do mais, para o Príncipe da Igreja, todas essas anomalias existem a tal ponto que estamos em uma dessas situações que exigem justiça com base na lei, ou até contra a lei: "Nesses casos, a justiça deve pairar acima das disposições legais", afirma ele. Em princípio, concordo inteiramente em que a lei injusta não deve ser obedecida. Mas é grave que um Cardeal afirme já termos chegado no Brasil a esta situação extrema. Chegamos mesmo? Que provas concretas há disso?
Ou a ala convexa tem dados objetivos, cientificamente apurados, que permitem dar contornos às noções que seu líder e porta-voz introduz de forma imprecisa e vaga, e ademais apresenta provas convincentes do que afirma, ou então seus brados em favor das "reivindicações populares" não convencerão o País. E não farão o jogo da verdade.
Estas são as ponderações e perguntas que em algum congresso católico sereno, sério, operoso, eu gostaria de apresentar.
Realizar-se-á um dia algum desses congressos?
Não me venha contra-argumentar alguém que a CNBB não dispõe de meios para coletar informações estatísticas que nem o Governo possui. Pois ela, que tanta coisa exige do Governo, comece por exigir dele que obtenha essas informações e estatísticas.
Na igreja da Consolação, em São Paulo, professores do ensino oficial, em greve, reuniram-se em abril p.p. Templos religiosos passaram a ser utilizados por movimentos reivindicatórios de liceidade ao menos duvidosa.
Professores do 1.° e 2.° grau do ensino oficial do Estado de São Paulo participam de mais uma assembleia grevista realizada em maio último, na igreja de São Judas Tadeu da capital paulista.