CARDEAL CONDENA POLÍTICA DE CONCESSÕES AO COMUNISMO
W. G. S.
Por ocasião do 20.° aniversário da Fundação Cardeal Mindszenty, de Saint Louis, Estados Unidos, comemorado de 3 a 5 de março de 1978, o Cardeal Paulo Yu Pin, Arcebispo de Nankin, enviou àquela entidade uma mensagem de estímulo à sua ação anticomunista.
O Cardeal Yu Pin é Reitor da Universidade Católica Fujen, de Taipé (Formosa), onde reside desde a implantação do regime maoísta na China continental.
Depois de lembrar a figura venerável do Cardeal Mindszenty, o Purpurado chinês trata do problema comunista no mundo. Desse pronunciamento, extraímos o seguinte:
“Vós estais entre os bravos servos de Deus que dão testemunho ante um público iludido, o qual, também apático e cego para sua diabólica natureza, ajuda o comunismo a espalhar-se.
Durante vossa reunião anual vós honrais a memória de grande servo da Igreja, Cardeal Mindszenty, cuja heroica coragem ainda se levanta como uma luz num mundo sombrio e como força da verdade contra a mentira do comunismo.
Diariamente, as notícias provam o crescimento e a rápida expansão do poder comunista para controlar e escravizar os povos. Os governos comunistas, por toda parte, trabalham constantemente para a dominação do mundo. A União Soviética e a China comunista possuem armas nucleares e quando estes maus governos alcançarem maior poder militar, forçarão as nações a se submeterem à ditadura do comunismo. Esta não é uma longa especulação, mas uma realidade futura definida - possível a qualquer tempo. A perspectiva do mundo, hoje em dia, não isenta os Estados Unidos de um futuro controle pelo comunismo; a infiltração deste e as pessoas dedicadas a ajudá-lo são bastante numerosas.
O comunismo quer escravizar a terra
O mundo está numa curva da História e a sorte dos homens pende na balança. Transigir com os países comunistas, prover-lhes abastecimento e apoio moral, serve, apenas, para uma básica realidade: um maior fortalecimento para a eventual escravização do mundo pelo comunismo. Estamos no fim do tempo suficiente para mudar o curso da história e inspirar uma tentativa de despertar.
O comunismo é intrinsecamente mau; este mal vem sob a forma de violência, terror, destruição e escravização. Os comunistas, em todos os países, unidos por sua própria filosofia marxista e assim todos eles estão compenetrados e dedicados ao triunfo do comunismo através do mundo.
O comunismo é uma guerra declarada contra Deus, contra a Igreja Católica, contra a Liberdade e os Direitos Humanos, e seus sequazes têm cometido em todos os países atrocidades desumanas.
Por que, então, o comunismo continua a crescer? Eles usam, sucessivamente, táticas para convencer os povos de que o comunismo respeitará a liberdade e de que a Igreja não será perseguida.
Esta é a grande mentira. Desviar da ortodoxia comunista é uma concessão temporária, deliberadamente feita por razões táticas como um meio de aquisição do poder. Depois de os comunistas ganharem o poder, sua filosofia impõe a destruição ou, eventualmente, completa sujeição da Igreja e do povo.
O comunismo encontra hoje na religião inestimáveis aliados em sua busca de dominação total. O fantástico plano de transformar a Igreja num instrumento da conquista comunista seria incrível se não víssemos tudo o que está acontecendo ante nossos olhos. A estratégia dos católicos favoráveis ao marxismo presta apoio à causa marxista no terreno religioso; alguns até apresentam uma imagem de Jesus como o subversivo de Nazaré, e estão envolvidos em organizações para ajudar a levar o comunismo ao poder. O Movimento Comunista Internacional está engajado na mais ambiciosa e enganosa manobra para controle do mundo.
Alguns cristãos, que admiram Marx, Lenine, Mao, Ho Chi Minh, Allende e Castro, tentam unir a Cristandade e o marxismo como meio de reformar a sociedade. Mas eles vivem uma ilusão. Muitos deles, que se autoproclamam defensores da justiça social e da paz, são cegos para os cruéis assassinatos e supressão dos direitos humanos pelos regimes comunistas da China continental, do Vietnã, do Laos, do Cambodge, de Angola e de outros países. Enquanto criticam as nações não comunistas, permanecem silenciosos sobre as atrocidades cometidas pelos vermelhos. Estudai os efeitos de suas declarações e protestos!
O papel dos católicos
Muitas pessoas, na Europa e na América, perderam o interesse e a coragem e nada fazem para resistir à expansão do comunismo e à dominação totalitária do PC. Quando o Papa Pio XI publicou a Carta Encíclica sobre o comunismo ateu, referiu-se ao "silêncio da imprensa", numa ocasião em que um largo setor da imprensa não-católica escondia os crimes do comunismo. E agora muitos dos nossos meios de comunicação de massa católicos estão sob o efeito do feitiço do comunismo e recusam-se a dizer o que poderia prejudicá-lo.
A penetrante e reveladora análise do comunismo feita pelo Papa Pio XI, expondo seus males e desprezo pela humanidade, permanece ainda hoje como um de nossos mais válidos documentos a respeito do comunismo. É triste que tantas pessoas na Igreja não o tenham levado em consideração.
Lamentavelmente, as advertências de Nossa Senhora de Fátima e os ensinamentos do Papa Pio XI não foram suficientemente apreciados pelo povo. Como resultado, a infiltração e o poder do comunismo têm sido mais fortes e mais terríveis do que em qualquer outra época.
Alguns cristãos nutrem a falsa ideia de que um novo homem e uma nova China apareceram na China continental sob o domínio do comunismo. Este falso ponto de vista espalhou-se largamente porque o Ocidente confundiu os milhões de chineses com o pequeno grupo de ditadores comunistas, como se eles fossem um povo unido. Os tremendos sofrimentos suportados pelo povo chinês sob o domínio comunista desde 1949 são algo inigualado na História.
Mensagem de Fátima e direitos humanos
Não devemos, porém, perder a esperança. Encorajo vosso zelo e rezo para que Nosso Divino Senhor e Sua Santa Mãe nos deem força e coragem em nossos esforços para expor os erros do comunismo e levar a liberdade a quase um bilhão de pessoas que vivem sob o pesado jugo dos ditadores vermelhos. Durante esta difícil fase de sobrevinda do comunismo, nós precisamos encorajar os fiéis a rezarem fervorosamente e a promoverem a Mensagem de Fátima que Nossa Senhora deu ao mundo em 1917, no mesmo ano em que a Rússia, enquanto governo, começou a espalhar os erros do comunismo pelo mundo, como a Virgem predissera. Os homens de todos os credos devem unir-se contra o comunismo; uma ampla e forte ação deve ser organizada para expor em todos os lugares sua natureza péssima, e governos livres devem exprimir em alto e bom som, a determinação de denunciar as violações dos direitos humanos pelos ditadores vermelhos.
A destruição do comunismo ateu não será fácil. Só a graça de Deus realizará o trabalho de dar a liberdade aos oprimidos. Mas esta graça pode ser conseguida por uma cruzada espiritual — orações, sacrifícios e ação social — inspirada pela palavra de Deus, reafirmada na Mensagem de Fátima.
O poder da Mensagem de Fátima pode converter o mundo comunista! Nós precisamos considerar que não é tarde para evitar a dominação do mundo pelo comunismo.
Mas, talvez antes do fim do mal comunista no mundo, outras nações e mesmo o mundo inteiro podem cair sob sua tirania. Os católicos devem estar preparados para sofrer o martírio".
Cardeal Yu Pin
Duas visitas, dois estilos
Em sua recente visita à Alemanha Ocidental, a Rainha Elizabeth II, da Inglaterra, despertou notáveis manifestações de simpatia na população, que a recebeu com uma carinhosa acolhida.
Em Bonn, após a recepção oficial e algumas visitas protocolares, a Rainha foi à Prefeitura assinar o Livro de Ouro. À saída, na Praça do Mercado, Elizabeth II não se limitou a cumprimentar alguns populares. Aproveitando uma tarde excepcionalmente agradável, conversou calmamente com os circunstantes e logo se viu envolvida por uma pequena multidão que a aplaudia.
Numa cidade acostumada a tomar conhecimento das visitas de chefes de Estado apenas pelo aparato policial e pelos carros negros que atravessam rapidamente as avenidas, a presença da Rainha da Inglaterra foi um acontecimento, "a maior festa da primavera", como não se cansava de repetir uma senhora que conseguiu apertar a mão da soberana.
Durante cinco dias os alemães ocidentais conviveram com a Rainha. E o mais importante é que ela fosse vista por eles, razão principal, e talvez a única, de sua viagem à Alemanha.
Poucos dias antes, Leonid Brejnev também esteve em visita àquele país. A recepção foi bem diferente. O leitor bem pode imaginar porquê...
Aliás, a presença de Elizabeth II em Berlim Ocidental, onde garantiu a proteção britânica à cidade, causou espécie nos russos.
Sem coragem de atacar diretamente a Rainha, os soviéticos emitiram comunicado criticando o chanceler alemão Helmut Schmidt, cuja presença ao lado da soberana inglesa — disseram os russos — não contribuía para o processo de distensão e violava o acordo de Berlim de 1971. Ó! os acordos... O que valem eles para os soviéticos?
* * *
Em matéria de visitas, curiosos são os conceitos de Nicolai Ceausescu. Quando viajou para os Estados Unidos este ano, o presidente romeno enviou funcionários seus à Texas Instrumentals, de Dallas, a fim de contratar os serviços da empresa para se preparar ao chefe de Estado comunista uma acolhida prestigiosa.
Ceausescu exigiu, por exemplo, que um carpete vermelho fosse desenrolado a seus pés quando ele caminhasse no avião. A sua chegada, cartazes de boas vindas deveriam ser colocados ao longo do trajeto e empregados da Texas Instrumentals deveriam acenar bandeirinhas romenas a sua passagem. Ceausescu preferiu escolher ele mesmo os presentes que os norte-americanos deveriam oferecer-lhe: um rifle, equipamentos de caça e um casaco de pele.
Alguma leitura sobre o "savoir faire" de autênticos diplomatas e homens de Estado, como Talleyrand e Metternich, faria bem aos políticos romenos...
Admiração e entusiasmo na acolhida do povo alemão à Rainha Elizabeth II
TORRE DE BELÉM Símbolo da grande epopéia de uma pequena nação
Às margens do Tejo, em Lisboa, ergue-se majestosa a Torre de Belém, construída entre os anos de 1515 e 1521 pelo arquiteto Francisco Arruda. Devido ao branco de suas pedras, ao contraste harmonioso entre o liso de suas paredes e o rendilhado de seus ornatos, à pompa e à imponência de sua construção, ela evoca a ideia de castelo, embora seja apenas uma torre.
Nesse "castelo" distinguimos duas linhas de construção bem definidas, colocadas ambas numa belíssima relação estética: o corpo da torre, vertical, e o patamar térreo, horizontal. A proporcionalidade da altura de uma e a largura de outra é tal, que faz lembrar uma rainha com a cauda magnífica de seu vestido. Uma "rainha" de pedra, com uma "cauda" também de pedra, que olha altaneira, sobranceira e dominadora, a foz do Tejo, o mar e a cidade de Lisboa.
Fortaleza, prisão e torre de vigia ao mesmo tempo, a Torre de Belém encontra-se intimamente ligada ao passado histórico de Portugal. Dali partiam os navegantes e missionários. Com embevecimento e saudades contemplavam-na, ao vê-la distanciar-se e diminuir de tamanho, em seu avanço rumo ao Atlântico e ao desconhecido. De volta de sua epopeia, viam-na surgir como um ponto branco no horizonte, e tornar-se cada vez mais nítida em seus contornos, à medida que a nave se aproximava do porto.
"El Rey" aí se hospedava, com a Família Real e toda a Corte, para presenciar a partida da Armada. A Torre tomava, nessas ocasiões, brilho e coloridos novos, pelo desdobrar dos tapetes nas amuradas, e pela movimentação das pessoas em seu interior, com seus magníficos vestidos. E também pelo tonitroar de seus canhões, em resposta às salvas dos galeões que passavam com as velas enfunadas e marcadas em vermelho pela Cruz da Ordem de Cristo.
Observando detidamente o prédio, nota-se uma janela com uma espécie de sacada, condecorada de ornamentos. Assemelha-se a uma caixa de joias, tanta beleza do rendado das pedras e o bom gosto dos desenhos. Era a janela do quarto real, todo ele mobiliado com magníficas peças do século XVI encimado por abóbodas de estilo medieval.
No terraço coroado por maravilhosa "loggia", contemplamos a Virgem da Boa Viagem. Esta bela imagem de pedra como que observa atenta e vigilante a entrada do porto e a vastidão do mar, dispensando sua proteção e bênçãos a seus filhos portugueses em seus "cristãos atrevimentos" pelos mares encapelados, no dizer de Camões. Ela é bem o símbolo da Fé da gente lusa. Fé que moveu esse país à guerra secular contra os mouros. Fé que levou seus navegantes a se lançarem heroicamente no oceano, a empreenderem a epopeia dos descobrimentos. Fé, por fim, que deu a esse povo naturalidade ante o perigo, força na adversidade, serenidade no sofrimento, o que permitiu a uma pequena nação de apenas dois milhões de habitantes levar a cabo a ingente tarefa de colonização em três continentes.
Na Torre de Belém, vê-se o Portugal autêntico, sedento de heroísmo, abençoado pela Providência. Bem diferente, aliás, do Portugal de nossos dias... Quem despertará o Portugal da Torre de Belém?
Os encantos da Torre de Belém manifestam-se com matizes distintos nas várias horas do dia. Ei-la (foto acima) envolvida na melancolia evocativa do crepúsculo. Diante da loggia renascentista, a Virgem das Boas Viagens abençoava as naus que iam singrar os mares, levando a novos mundos o tesouro da Fé católica (foto à direita). Dai partiram os primeiros missionários e colonizadores rumo à recém-descoberta Terra de Santa Cruz.
Do terraço superior (foto abaixo), pode admirar-se as águas do Tejo se lançarem nos braços do oceano. Aí viam-se outrora alinharem-se os galeões embandeirados, ostentando nas velas a Cruz de Cristo.