O BISPO DIOCESANO EXPRIME SUA ADMIRAÇÃO PELA CAMPANHA NACIONAL DA TFP
Demos já em nossa edição de outubro uma rápida notícia sobre a inauguração, no dia 11 de setembro (com uma Missa do Exmo. Revmo. Sr. D. Antonio de Castro Mayer, em São Paulo) de mais uma campanha de âmbito nacional da TFP.
Consistiu essa nova iniciativa da benemérita entidade na divulgação do artigo que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreveu para a imprensa diária, sob o título de "Toda a verdade sobre as eleições no Chile" — e que a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade fez seu como manifesto à Nação — bem como na difusão da obra "Frei, o Kerensky chileno", do Sr. Fabio Vidigal Xavier da Silveira.
Visava a TFP o esclarecimento da opinião brasileira acerca da crise em que imergiu a católica nação chilena com a vitória eleitoral do candidato marxista à Presidência da República. A eleição de Salvador Allende é de molde a acarretar profundos e nefastos efeitos para o Brasil e toda a América Latina, como bem o demonstra o Presidente do Conselho Nacional da TFP em seu artigo-manifesto. Fabio Xavier da Silveira previra em seu livro, com três anos de antecedência, que o governo pedecista do Presidente Frei acabaria por conduzir seu país à situação em que a opinião pública mundial ora o vê, consternada, enquanto exulta o comunismo internacional.
Em uma primeira fase de sua campanha os jovens propagandistas da TFP venderam em praça pública os 4700 exemplares que restavam do livro "Frei, o Kerensky chileno" e os 2800 exemplares remanescentes de nossa edição de junho-julho de 1967, na qual estampamos em primeira mão o trabalho de Fabio Xavier da Silveira.
Esgotados o livro e o jornal, "Catolicismo", a pedido da TFP, reapresentou — em seu número de outubro, com 20 páginas — o texto integral de "Frei, o Kerensky chileno", fazendo-o preceder do já aludido artigo-manifesto do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre as eleições chilenas.
Assim, pôde prosseguir em todo o território nacional a campanha da TFP, achando-se também virtualmente esgotada a edição de outubro de "Catolicismo". Em nosso próximo número daremos amplo noticiário a respeito.
Aplausos do Bispo Diocesano
O Exmo. Revmo. Sr. D. Antonio de Castro Mayer, Bispo de Campos, escreveu ao Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do Conselho Nacional da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, uma carta de aplauso pela nova campanha que a entidade promovia. Assim se exprimiu o egrégio Prelado:
"Escrevo-lhe para felicitar a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, segura e eficazmente dirigida por Vossa Senhoria, pela vitoriosa campanha de esclarecimento da opinião pública, justamente abalada com a vitória do candidato marxista, nas eleições presidenciais do Chile. É bom que o povo meça, em toda a extensão, o que significaria uma nação sob o jugo comunista na América do Sul. Como é necessário que o povo veja que a vitória do candidato marxista não significa progresso do marxismo no país amigo. Uma e outra coisa põe em plena luz a atual campanha da TFP.
O comunismo foi declarado intrinsecamente mau na Encíclica doutrinária "Divini Redemptoris", dirigida a todo o orbe católico, Encíclica, na qual Pio XI, como Supremo Mestre Pastor do rebanho de Cristo, mostrou a incompatibilidade absoluta entre a concepção da vida e da sociedade professada pelo marxismo, e a concepção natural e cristã do homem e do convívio social, nos seus aspectos religiosos, culturais e mesmo econômicos.
Infelizmente, semelhantes princípios básicos da civilização cristã, ou da civilização "tout court", vão sendo legados ao olvido, com grande prejuízo para a humanidade, pois, desse modo, perde-se o critério para um julgamento exato das ocorrências político-sociais. Por isso mesmo, é especialmente benemérita a atual campanha da TFP que vem reavivar a memória dos ensinamentos católicos sobre o comunismo e a sociedade cristã.
Cumpre-nos, outrossim, lamentar as censuras de que a TFP tem sido objeto, precisamente no momento em que presta inestimável serviço à Pátria. Censura desacompanhada de justificativa é sempre algo confrangedor. Ela é especialmente dolorosa quando procura abafar a única voz que se levantou para alertar a Nação contra o perigo que bate às portas. Tanto mais, quando há um silêncio generalizado sobre os fundamentos da civilização cristã constantes da Encíclica "Divini Redemptoris" — desigualdade social, com a consequente e justa hierarquia, família, propriedade, educação, iniciativa privada — que o comunismo tenta destruir.
Não estaria bem com minha consciência, se, em tais circunstâncias, não externasse meu aplauso, minha admiração e meus augúrios à campanha da TFP. Que Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, Se digne torná-la vitoriosa em todo sentido, e tenha uma proteção especial sobre seus planejadores e executores".
D. GERALDO SIGAUD E A TFP
No dia 2 de outubro p.p., à saída de uma audiência com o Presidente da República, no Rio, o Arcebispo de Diamantina, D. Geraldo de Proença Sigaud, fez declarações à imprensa a respeito da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. Essas declarações foram amplamente divulgadas pelos jornais diários, de norte a sul do País, tendo certo número destes armado um verdadeiro alarido publicitário em torno das palavras do Prelado mineiro. Transcrevemos de um matutino de São Paulo, para conhecimento de nossos leitores, o resumo da entrevista de D. Geraldo Sigaud:
"Após ser recebido ontem em audiência pelo General Médici, o Arcebispo de Diamantina, D. Geraldo de Proença Sigaud, informou que a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) afastou-se dele há mais de dois anos. A cisão, disse, foi consequência de seu apoio à reforma agrária do governo, que considera justa e cristã, e à reforma litúrgica determinada pela Santa Sé. Embora lamentando a dissensão, asseverou que, por um problema de consciência, não podia deixar de ajudar o governo ou ser contra o Papa".
Comunicado de imprensa da TFP
A propósito dessas declarações, o Serviço de Imprensa da TFP distribuiu no dia 7 o seguinte comunicado:
"A Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, tendo em vista o alarido publicitário feito por certa imprensa em torno de recentes declarações do Sr. Arcebispo de Diamantina, D. Geraldo de Proença Sigaud, julga indispensável prestar ao público os seguintes esclarecimentos:
• 1 — A atitude dos dirigentes da entidade face ao problema da reforma agrária está consubstanciada no livro "Reforma Agrária — Questão de Consciência" e na Declaração do Morro Alto.
O Sr. Arcebispo de Diamantina, que figura como um dos autores dessas duas obras, mudou de opinião. A TFP deplora o fato, porém se conserva inabalavelmente fiel à posição assumida.
• 2 — Afirmou aquele Prelado haver adotado sua nova atitude face à reforma agrária, porque "não podia deixar de ajudar o Governo". Tal afirmação, feita à imprensa no momento em que o Sr. D. Geraldo Sigaud acabava de ser recebido pelo Exmo. Sr. General Emilio Garrastazu Médici, Presidente da República, pode talvez criar a impressão de que a atitude antiagro-reformista da TFP tem um sentido de oposição ao Governo atual.
A esse respeito, a TFP lembra ao público que o livro "Reforma Agrária — Questão de Consciência" foi dado a lume em novembro de 1960, e a Declaração do Morro Alto em novembro de 1964, isto é, muito anteriormente à ascensão do atual Governo.
O fato de continuar a TFP fiel a suas posições não tem qualquer sentido de oposição ao Governo. Resulta apenas de um imperativo de consciência. Assim agindo, a TFP, tem a certeza de não entrar em choque com o atual regime, já que, segundo declarou recentemente à imprensa londrina o Sr. Ministro da Justiça, Prof. Alfredo Buzaid, no Brasil ninguém sofre perseguição nem pressão por suas convicções políticas, e existe até um partido oposicionista, que "pode criticar o Governo, e de fato o faz".
Importa acrescentar, por fim — e para evitar explorações — que de há muito a TFP não tem mais feito campanha contra a reforma agrária, por não julgar necessário.
• 3 — No que concerne às reformas litúrgicas, é bem certo que algumas delas causaram perplexidade aos membros da TFP. E não só a eles, como a Bispos e teólogos de valor, que as estão estudando, e sobre elas desejam um diálogo esclarecedor. Entretanto, a TFP timbra em afirmar que tal atitude não importa em qualquer transgressão das leis da Igreja no tocante à submissão devida pelos fiéis ao Sumo Pontífice.
• 4 — O Sr. D. Geraldo Sigaud tem razão ao afirmar que a reforma agrária e as reformas litúrgicas foram causas de distanciamento entre ele e a TFP. O Sr. Arcebispo de Diamantina poderia ter acrescentado a estas uma terceira causa. É que, a partir de 1969, S. Excia. começou a se manifestar favorável à abolição do celibato eclesiástico, pelo menos em certos casos. Essa mudança de opinião lhe valeu, segundo consta, um abraço de felicitação de D. Helder. Pelo contrário, os membros da TFP se mantêm firmemente ao lado da legislação canônica atual, que estabelece a necessidade do celibato na Igreja Latina para todos os clérigos.
• 5 — Dada a consideração que tem ao Sr. D. Geraldo de Proença Sigaud, bem como à longa e íntima cooperação que com ele manteve, a TFP evitou quanto esteve em seus meios, de dar ao conhecimento público estes fatos. Pesarosa, fá-lo agora, pois a isto foi obrigada pela necessidade de impedir que paire qualquer sombra de dúvida sobre a inteira correção de suas atitudes face às leis civis e eclesiásticas".