cárnio, os atores contratados fizeram greve porque não receberam o pagamento combinado. O auge da vergonha se deu durante um incêndio atribuído à gambiarra na fiação elétrica, feita oficialmente de material incombustível. O fogo se espalhou pelas tendas e forçou o adiamento da reunião final.
Nos ambientes católico-comunistas, a encíclica Laudato Si ficou ratificada como documento constitucional da “Igreja Ecológica”; ou, como observou “Infovaticana”, como catecismo oficial da nova religião ecológica, onde a redução do CO₂ é um objetivo supremo. Ali está toda a terminologia: “conversão ecológica”, “justiça climática”, “cuidado da Casa Comum”. Mas o essencial da fé católica — Cristo, a redenção, a vida eterna — não se sabe onde ficou.
Em reunião plenária em Fátima, os bispos europeus pediram à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que agisse com decisão na COP30, mas ela se entretinha com exemplares da fauna e da flora local, segurando um papagaio, observando quelônios e afagando um quati. No discurso verde, os bispos lembraram que a Igreja não existe para gerir orçamentos climáticos, mas para evangelizar. Documento análogo foi elaborado pelo episcopado latino-americano, mas nesse o Evangelho não teve permissão para entrar14.
Engajamento inconsequente de Leão XIV
Num fim de semana anterior ao início da COP30, o Papa Leão XIV fez uma assembleia extraordinária de três dias com 3.000 militantes dos movimentos sociais, alguns bispos e cardeais em Castel Gandolfo, para incitá-los ao ativismo segundo a Laudato Si. A figura de proa foi a ministra Marina Silva, que na presença do Pontífice fez ardida exortação à ação, enquanto o ex-governador esquerdista da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, exortava os presentes a processar o governo Trump, como ele o fizera nos seus tempos de governador. No meeting, o Pontífice abençoou um bloco de gelo da Groenlândia, alimentando os exageros “verdes” sobre o derretimento das geleiras planetárias.
Durante o transcurso da COP30, Leão XIV exigiu “ações concretas” contra a mudança climática; e em videomensagem dirigida a responsáveis religiosos, à margem daquela conferência, deblaterou contra a falta de
“vontade política de alguns líderes”. Não se soube que suas palavras tivessem tido qualquer efeito entre cientistas ou governos sensatos. Também glorificou o Acordo de Paris (COP21), que segundo ele “impulsionou um progresso real e continua sendo nossa ferramenta mais poderosa para proteger as pessoas e o planeta”; um discurso em colisão aberta contra o governo dos EUA e outros países descontentes com as fraudes contidas naquele acordo.
Na Audiência Geral de 17 de novembro, Leão XIV pediu uma conversão à “ecologia integral”, sempre segundo a Laudato Si, e se engajou em afastar o fantasma do ser humano “devastador” da Criação15. Na videomensagem às Igrejas do Sul Global — denominação desconhecida, mais consonante com a “novilíngua” da luta de classe planetária do Sul contra o Norte — comprometeu o Vaticano com a coalizão socialista-ambientalista. Junto foi apresentado um documento de cardeais da América Latina, África e Ásia pela “casa comum”, também de fraco efeito, pois ninguém via direito como a Igreja pode se engajar em estruturas internacionais, profundamente marcadas por agendas ideológicas contrárias à antropologia cristã, e para o qual não tem missão recebida de Cristo. Os malabarismos verbais e exageros sobre inundações, secas e ondas de calor culpabilizaram os “ricos”, adotando o discurso climático da ONU — escreveu “Infovaticana”16.
Final tenso e inconclusivo
O vazio texto final da COP30 foi um fiasco que não satisfez ninguém. O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, pediu desculpas. A conclusão não mencionou o plano de Lula para os combustíveis fósseis, não deixou um plano específico contra o desmatamento, não fez referências específicas à Amazônia (este deveria ser objetivo de fazer a reunião em Belém), limitando-se a avanços simbólicos sobre afrodescendentes, territórios indígenas e questões de gênero na imaginária “crise climática”.
A sessão final foi marcada por tensões e brigas, além de reclamações contra o presidente Corrêa do Lago, acusado de ignorar pedidos e agir de modo pouco transparente. A Rússia e a Índia, porém, defenderam a presidência brasileira, responsabilizando outros países pelo desconjuntamento geral da reunião. Lula não assistiu, como correspondia ao País hospedeiro, e viajou para
“Igreja Ecológica” da Laudato Si