Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 900 | página 30
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Não se conhecia o pinheiro decorado de Natal. Ele veio dos países do Leste, trazido por princesas germânicas que chegavam a Versailles para casamentos com pessoas da alta nobreza. A princesa bávara Elisabeth-Charlotte do Palatinado, que se casou com o Duque de Orléans, irmão de Luís XIV, consumia-se de nostalgia pelas festas de Natal vividas na sua juventude em Hanover. Encantavam-na o charme dos arranjos com o Menino Jesus; as mesas, que pareciam altares, com toda espécie de presentes para as crianças; as roupas novas, a prataria, a seda, as bonecas, os doces pendurados nas árvores cheias de velas etc. Ela tentou introduzir a árvore com “suas modas alemãs”, mas foi contraditada pelo seu esposo, o Duque de Orléans. No entanto, tudo mudou com a futura rainha Maria Leszczynska, que desde a sua chegada mandou montar um pinheiro de Natal no castelo de Versailles. Houve resistências até que a princesa Helena de Mecklenbourg chegasse à França, em 1837, para desposar um novo Duque d’Orléans.

Princesa Elisabeth-Charlotte do Palatinado, Duquesa de Orléans – François de Troy (1645–1730). Museu de História da França, Palácio de Versalhes.

Ela falava dos natais maravilhosos passados em família, em Friedensbourg, quando se trocava presentes em torno do pinheiro. Ouvindo esses relatos, a

Presépio do Mosteiro Real da Encarnação, em Madri.

rainha Maria Amélia de Bourbon preparou-lhe secretamente uma surpresa: um pinheiro natalino no Salão Branco, que nada deixava desejar aos da Alemanha. Desde então o costume real passou a encher de alegria os pequenos príncipes. O costume se difundiu por toda a França, e dali para o mundo, mas foi morrendo com a República.

NATAL NO IMPÉRIO ESPANHOL

No Império espanhol dos Habsburgos, a gravidade, a solenidade, a penitência e a alegria reprimida impregnavam o Advento e o Natal por disposição de El Rey. Festas, bailes e qualquer divertimento público estavam interditados, e as autoridades fechavam casas suspeitas ou locais de jogo. Seguindo o exemplo dos monarcas, os populares consagravam o Advento à purificação de suas almas com os sacramentos, Missas e atos de piedade, e as leis colaboravam para isso em todo o império, que se estendia por todos os continentes.

Após as cinco semanas de jejum e abstinência do Advento,