Não se conhecia o pinheiro decorado de Natal. Ele veio dos países do Leste, trazido por princesas germânicas que chegavam a Versailles para casamentos com pessoas da alta nobreza. A princesa bávara Elisabeth-Charlotte do Palatinado, que se casou com o Duque de Orléans, irmão de Luís XIV, consumia-se de nostalgia pelas festas de Natal vividas na sua juventude em Hanover. Encantavam-na o charme dos arranjos com o Menino Jesus; as mesas, que pareciam altares, com toda espécie de presentes para as crianças; as roupas novas, a prataria, a seda, as bonecas, os doces pendurados nas árvores cheias de velas etc. Ela tentou introduzir a árvore com “suas modas alemãs”, mas foi contraditada pelo seu esposo, o Duque de Orléans. No entanto, tudo mudou com a futura rainha Maria Leszczynska, que desde a sua chegada mandou montar um pinheiro de Natal no castelo de Versailles. Houve resistências até que a princesa Helena de Mecklenbourg chegasse à França, em 1837, para desposar um novo Duque d’Orléans.
Ela falava dos natais maravilhosos passados em família, em Friedensbourg, quando se trocava presentes em torno do pinheiro. Ouvindo esses relatos, a
rainha Maria Amélia de Bourbon preparou-lhe secretamente uma surpresa: um pinheiro natalino no Salão Branco, que nada deixava desejar aos da Alemanha. Desde então o costume real passou a encher de alegria os pequenos príncipes. O costume se difundiu por toda a França, e dali para o mundo, mas foi morrendo com a República.
NATAL NO IMPÉRIO ESPANHOL
No Império espanhol dos Habsburgos, a gravidade, a solenidade, a penitência e a alegria reprimida impregnavam o Advento e o Natal por disposição de El Rey. Festas, bailes e qualquer divertimento público estavam interditados, e as autoridades fechavam casas suspeitas ou locais de jogo. Seguindo o exemplo dos monarcas, os populares consagravam o Advento à purificação de suas almas com os sacramentos, Missas e atos de piedade, e as leis colaboravam para isso em todo o império, que se estendia por todos os continentes.
Após as cinco semanas de jejum e abstinência do Advento,