Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 900 | página 16
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Esboço de Constituição Dogmática sobre a Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe dos homens

1. Sobre a íntima união entre Cristo e Maria segundo o beneplácito divino

O Criador de todas as coisas, Deus sapientíssimo e de imensa bondade, que gozava de plena liberdade para determinar o modo e o meio pelos quais se realizaria, por Ele mesmo, a libertação do gênero humano, desde toda a eternidade estabeleceu, por um único e mesmo decreto, a Encarnação da Sabedoria divina e a predestinação da Bem-Aventurada Virgem, da qual o Verbo feito carne haveria de nascer, na plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4).

Ora, como as Sagradas Escrituras, de modo explícito ou implícito, nos apresentam Maria unida a Jesus por um vínculo estreitíssimo e indissolúvel — desde

o anúncio profético (cf. Gn 3,15; Is 7,14; Mt 1,23) e a concepção virginal (cf. Mt 1,18-25; Lc 1,26-38) — é plenamente coerente que a Igreja, assistida pelo Espírito Santo e guiada com segurança para compreender e perceber com clareza tudo quanto nas fontes sagradas se encontra velado ou apenas implicitamente contido (cf. Jo 14,26), e preservada do erro (cf. Mt 16,18; 28,18- 20; Jo 14,16; 15,20), ao ilustrar os mistérios do divino Redentor, também traga à luz, de modo mais claro, o mistério da Mãe de Deus.

Esta Mãe amorosa, que “cooperou pela caridade para que na Igreja nascessem os fiéis”, é não só o membro “supereminente” e absolutamente singular da Igreja, mas também o seu modelo e, ainda mais, sua Mãe.