Os bispos italianos, majoritários no episcopado mundial, solicitaram que o Concílio proclamasse o dogma da “Mediação Universal da Bem-aventurada Virgem Maria”, pedido que encontrou eco também em parte significativa do episcopado francês. No Brasil, segundo o Pe. José Oscar Beozzo, o pedido mais frequente nos vota dos bispos era justamente o de que o Concílio definisse a doutrina ou o dogma da Mediação Universal de Nossa Senhora.
Atendendo a essa expectativa, a Comissão Preparatória criou um grupo de trabalho encarregado de redigir um esquema conciliar sobre a Beatíssima Virgem Maria. O texto foi elaborado principalmente por dois eminentes mariólogos: o Pe. Carlo Balić, presidente da Pontifícia Academia Mariana Internacional, e o Pe. Gabriele Maria Roschini, fundador e reitor da Pontifícia Faculdade Teológica Marianum. O esquema, intitulado Schema Constitutionis Dogmaticae de Beata Maria Virgine Matre Ecclesiae, empregava explicitamente o termo “Corredentora”. Uma subcomissão, contudo, suprimiu a expressão na versão final, ainda que reconhecendo ser “em si mesma veríssima”, por temor de interpretações desfavoráveis por parte dos “irmãos separados”.
A possibilidade de aprovação do texto encontrou forte resistência nos meios teológicos progressistas. O dominicano Yves Congar registrou em seu diário que “o drama que acompanhou toda [sua] vida” era “a necessidade de lutar contra uma mariologia que não procede da Revelação, mas que tem o apoio de textos pontifícios”. O jovem Pe. René Laurentin, por sua vez, afirmava ser necessário “purificar” a exaltação mariana então predominante. Essa corrente “minimalista”, como a denominou o Pe. Roschini, tendia a reduzir o papel de Maria, identificando-a com a própria Igreja e considerando-a apenas prima inter pares, “a primeira entre iguais”, dentro do Corpo Místico de Cristo.
O Schema de Beata Maria Virgine Mater Ecclesiae foi enviado aos Padres conciliares em maio de 1963, entre a primeira e a segunda sessões conciliares. Em uma reunião de episcopados da Alemanha, Áustria, Bélgica, Holanda e Suíça, o jesuíta Karl Rahner criticou o documento, alegando que suas afirmações “não eram suficientemente desenvolvidas” e poderiam causar “um mal incalculável do ponto de vista ecumênico”. O “bispo” luterano Dibelius havia declarado pouco antes que a doutrina católica sobre Maria constituía um dos maiores obstáculos ao