Com efeito, eu tenho observado que as teses sustentadas pela TFP são tidas por muitas pessoas como inviáveis; mas, desde que elas as considerassem viáveis no mundo de hoje, adeririam a essas teses com calor. A partir do momento em que nós sejamos uma minoria atuante e bem estruturada, seremos tidos como mais viáveis, e a partir desse momento veremos a adesão a nós como uma bola de neve que vai rolando em avalanche do alto da montanha: cada dia representaria novas incorporações ao movimento que nós constituímos.
Catolicismo — O senhor gostaria de acrescentar algo, tendo em vista a edição comemorativa de Catolicismo?
Plinio Corrêa de Oliveira — Sim, esse algo é apresentar a todos os leitores da revista, e naturalmente, a fortiori, aos que colaboram na direção e na confecção dela, as minhas felicitações muito cordiais e sinceras.
Com efeito, representa qualquer coisa de grande valor, que um homem ou um grupo de homens, movidos por um alto ideal, tenham a coragem de se reunir e de proclamá-lo mesmo quando tal ideal não é o da maioria, e quando os meios de comunicação social apresentam a maioria como sendo muito mais ampla e muito mais forte do que ela na realidade é.
O homem tem, por seu próprio instinto social, uma tendência a concordar com a maioria, que chega até à subserviência. Por exemplo, no grande número de soldados que costumam atender à convocação militar e ir para a guerra, uma parte muito ponderável é movida pelo patriotismo; mas há uma outra parte, cuja amplitude as estatísticas não podem revelar porque o fenômeno não é atingível pelos meios de observação comuns — que, embora não ousando dizê-lo, preferiria muito mais não se expor ao risco da guerra. E esses soldados entretanto vão para a guerra, por medo do ridículo em que incorrerão se se souber que eles não quiseram ir, porque tiveram medo.
Ou seja, o homem chega a ter mais medo da gargalhada e do vexame que ele possa sofrer na retaguarda, do que do tiro mortífero disparado contra ele no front de batalha. Isso prova bem quanta tendência o homem tem de portar-se de modo servil em relação à maioria.
Eu, portanto, elogio a coragem desses meus companheiros de ação, valorosamente minoritários, animados por um espírito de fé indomável e por uma grande confiança na Providência. Estendo essa homenagem a todos os benfeitores de Catolicismo, sem os quais nossa revista seria impraticável e a estendo também aos propagandistas e leitores dela.
Isto tudo faz com que uma máquina crescente de simpatias, de apoios, de entusiasmos vá se avolumando em torno de nós, de maneira tal que, em breve, nós causaremos surpresas a muita gente.