Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 900 | página 05
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CATOLICISMO CONTINUA LEGIONÁRIO...

Catolicismo — Que metas o senhor e o chamado “grupo do Legionário” tinham em vista quando constituíram o corpo redatorial de Catolicismo?

Plinio Corrêa de Oliveira — As metas eram as mesmas que se apresentavam para o Legionário, órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo, no momento em que ele saiu de nossas mãos.

E digo “quando saiu de nossas mãos” porque, nessa época, era muito diferente a situação dos meios católicos brasileiros daquela existente em meados da década de 30, anos a que correspondem minhas primícias como diretor do jornal.

De fato, a Igreja Católica no Brasil acabava de obter um grande triunfo. Com a promulgação da Constituição de 1934, a laicização do Estado brasileiro –– introduzida pelos fundadores da República, através da Constituição de 1891 –– passava a ter uma tonalidade muito menos categórica. Pelo regime vigente desde 1891, o ensino era leigo, a Constituição não era promulgada em nome de Deus, não havia capelanias nos hospitais nem nos quartéis, e a colaboração entre a Igreja e o Estado se cifrava, de modo geral, a alguns pontos limitados e quase irrelevantes.

Pelo contrário, a Constituição de 1934 foi promulgada em nome de Deus, estabeleceu o ensino religioso nas escolas, as capelanias nas Forças Armadas, nos estabelecimentos penitenciários, nos hospitais do Estado etc.; e sobretudo consagrou como dispositivo constitucional a indissolubilidade do vínculo conjugal, admitindo também efeitos civis para o casamento religioso.

Isso tudo, para quem havia sido formado na escola de rígido laicismo do regime de 1891, representava uma influência muito grande da Igreja.

Influência decorrente da vitória obtida pela Liga Eleitoral Católica nas eleições para a Constituinte de 1934.

Nessas condições, o Legionário era um órgão muito adequado, por sua influência sobre o movimento mariano — principal força integrante do movimento católico daquele tempo — para conduzir uma luta com a intenção de ampliar o mais possível, em nossas leis e nossos costumes, a influência benéfica da Santa Igreja Católica no Brasil; e acabar com os restos de laicismo, que ainda existiam em nossa legislação.

Porém, no final de 1947, quando o Legionário saiu de nossas mãos, encontrávamo-nos na orla de um período de tempestade interna nos meios católicos, tempestade essa que não veio senão crescendo até o inimaginável em nossos dias. E a quase totalidade das pessoas de então não tinha ideia das terríveis consequências a que nos arrastaria aquele mal incipiente.

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