Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 898 | página 12
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Não se deve ceder à “ideologia de gênero” e validar uma “transição” que agrava os problemas

De fato, a cultura pode influenciar papéis masculinos e femininos, acentuando-os ou até distorcendo-os em estereótipos. Mas a cultura não é a fonte da diferença psicológica e existencial entre homem e mulher. A psyché está enraizada na íntima união de corpo e alma que impregna a vitalidade humana; por isso, reduzir tudo à construção social ignora a base ontológica da diferença sexual.

preencher pessoalmente de significado, mas uma função social que cada qual decide autonomamente, enquanto até agora era a sociedade quem a decidia. Salta aos olhos a profunda falsidade desta teoria e da revolução antropológica que lhe está subjacente. O homem contesta o fato de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a sua própria natureza, decidindo que esta não lhe é dada como um fato pré-constituído, mas é ele próprio quem a cria”.

A aberração antropológica do transexualismo torna-se patente quando se pede uma definição de “mulher”. Para nós, é simples: é um ser humano adulto de sexo feminino. Para os que defendem a “transição”, como dizer que um homem biológico que “transicionou” é mulher? Não podem recorrer à biologia — que rejeitam como definidora. Propõem, então, que mulher é quem tem o “senso” ou sentimento interior de ser mulher — o que é definição circular, pois usa o termo a definir. Como nota a filósofa Sophie Allen, “o termo ‘mulher’ não tem significado se pode significar coisas diferentes para indivíduos distintos em virtude de sentimentos privados e subjetivos, quando ninguém tem meios de certificar que os sentimentos relatados por pessoas diferentes são do mesmo tipo”.

No fundo, essa lógica abre a porta ao relativismo total — a ideia de que não existe verdade objetiva e que vale apenas o juízo subjetivo baseado em sentimento interior, imune à verificação pública. Se ser “mulher” é determinado por ato individual de vontade, por que outras realidades não o seriam? Tudo se torna relativo; alguém pode, por puro juízo, declarar-se descendente de Dom Pedro II ou herdeiro de algum bilionário.

Fica claro que o transexualismo resulta de uma anomalia do psiquismo — fruto do pecado original, como as doenças corporais — que leva uma pessoa a não aceitar o próprio sexo. A pessoa deve ser tratada com respeito e bondade e deve ser incentivada a procurar ajuda especializada para reencontrar a harmonia interior. Suprimir um dos compostos — físico ou psíquico — não é solução. O Arcebispo Alexander Sanders, de Portland (Oregon), ofereceu uma analogia elucidativa: na anorexia nervosa, a pessoa se vê “gorda” no espelho, ainda que objetivamente esteja magra; ninguém a encorajaria a perder mais peso. De modo análogo, na “disforia de gênero” há desconexão entre o que mente e corpo dizem. É condição patológica real; requer compreensão e caridade. Contudo, não se deve ceder à ideologia da “identidade de gênero” e validar uma “transição” que não resolve o problema, mas tende a agravá-lo e pode até mutilar irreparavelmente o corpo.

A aberração antropológica do transexualismo torna-se patente quando se pede uma definição de “mulher”. Para nós, é simples: é um ser humano adulto de sexo feminino. Para os que defendem a “transição”, como dizer que um homem biológico que “transicionou” é mulher? Não podem recorrer à biologia — que rejeitam como definidora.

O transsexualismo se opõe à ordem da Criação e ao desígnio divino sobre a família

Passemos à aberração teológica implícita nessa corrente. A teologia católica recorre ao Gênesis para discernir o desígnio criador de Deus para o mundo e a humanidade. Deus criou tudo bom e fez os seres humanos à sua imagem e semelhança como ápice de sua obra (Gn 1,26-27). O Gênesis indica ainda que Deus