A “quinta coluna” teológica que abriu as primeiras rachaduras não deixou de ser mencionada nesse pequeno volume. Os jesuítas McNeill, Charles Curran e o oblato André Guindon argumentaram abertamente que era Deus o responsável direto pela atração homossexual e pelo amor que a acompanha. Portanto, a Igreja só poderia abençoar a união estável de parceiros homossexuais, por ser essa um espelho do desvelo de Deus pela humanidade.
Um capuchinho holandês menos conhecido, Herman van de Spijker, foi mais longe, reconhecendo aos encontros noturnos furtivos em um parque, o mérito de acalmar as tensões pessoais e contribuir muito para o amadurecimento dos invertidos.
Mas a ignomínia final vai para o Padre Guindon, que consegue a prodigiosa façanha de justificar relacionamentos pedófilos, os quais só seriam traumáticos para a criança por causa da reação histérica dos pais, obcecados pelo preconceito e pela atitude possessiva!
Uma conivência com a pedofilia retomada mais tarde por um anúncio no Kerken Leben, o semanário dos bispos flamengos, com a cumplicidade do Cardeal Daneels, o grande eleitor do Papa Francisco na máfia de Sankt-Gall, que desviou o olhar para o outro lado. Não é de surpreender que ele tenha feito o mesmo quando seu bom amigo Dom Roger Vangheluwe, ex-bispo de Bruges reduzido ao estado laical, foi acusado de abusar sexualmente de um sobrinho durante treze anos, desde que o menino tinha apenas cinco anos.
+ Dom Joseph Naumann, arcebispo de Kansas City
Recusa do ensinamento da Igreja sobre a homossexualidade
Todos esses escritos nauseabundos são rapidamente passados em revista, juntamente com as atividades pseudo-pastorais de figuras como o Padre Robert Nugent e a Irmã Jeannine Gramick, que chegam a dizer que somente os homossexuais que aderem ao ensino tradicional são obrigados a confessar seus pecados contra o Sexto Mandamento. Para seu rebanho nos grupos Dignity e New Ways Ministry, que assumiram sua identidade LGBT, é suficiente confessar suas violações voluntárias do compromisso básico de viver uma vida de amor altruísta...
Como o lobby homossexual conseguiu que a Associação Americana de Psiquiatria tomasse uma decisão política
Na entrevista que deu ao Journal of Gay & Lesbian Mental Health, na edição de fevereiro de 20031, o Dr. Robert L. Spitzer [foto], principal agente da retirada da homossexualidade do Manual Diagnóstico e Estatístico das Desordens Mentais (DSM-III), da Associação Americana de Psiquiatria (AAP), ofereceu detalhes muito elucidativos sobre o caráter não científico, mas político, da decisão, bem como do papel que o lobby homossexual nela desempenhou.
Tudo começou num simpósio sobre o tratamento da homossexualidade promovido pela Association for the Advancement of Behavior Therapy, cuja sessão inaugural foi interrompida, dez minutos após começar, pelo protesto de um grupo de ativistas homossexuais que acusavam os organizadores de os classificarem como “casos patológicos”. O Dr. Spitzer foi falar com um deles, chamado Ron Gold, e no curso da conversa explicou que era membro da Força Tarefa sobre Nomenclatura e Estatísticas da AAP, responsável pela edição do Manual de Diagnóstico. Gold pediu para que os ativistas fossem ouvidos por essa comissão.
Em sua apresentação, os ativistas reclamaram que as discriminações e ataques de que eram vítimas provinham do fato de a homossexualidade estar incluída no Manual. “Não tenho certeza se eles disseram isso explicitamente”, relata o Dr. Spitzer, “mas estava implícita a ideia de que a única maneira pela qual os homossexuais poderiam superar a discriminação dos direitos civis seria que a psiquiatria reconhecesse que a homossexualidade não era uma doença mental”.2
Após a reunião, o Dr. Spitzer propôs que a AAP organizasse um simpósio sobre o assunto, o qual se realizou durante a reunião anual de 1973, no Havaí. Em vista desse simpósio, ele teve muitos contatos com Ron Gold e seus colegas. Movido por um sentimento de compaixão, começou então a pensar em uma fórmula que desse um fundamento científico ao seu desejo de ajudá-los. Porém, ele próprio reconhece que a fórmula que propôs deveu-se mais a considerações subjetivas e políticas do que propriamente clínicas:
“Quanto disso resultou da verdadeira lógica científica? Eu gostaria de pensar que em parte foi assim. Mas, com certeza, em grande parte deveu-se apenas à sensação de que estavam certos! Que, se quisessem ter sucesso em superar a discriminação, isso claramente precisava mudar.”3
Para contornar o entrechoque entre a visão tradicional de que a homossexualidade era uma doença que deveria ser tratada e o argumento de que era apenas uma variação normal, ele pôs como pressuposto que a psiquiatria nunca definiu o conceito de desordem mental. Intuitivamente, poder-se-ia dizer que o que todas essas patologias têm em comum é que os que delas padecem não são habitualmente muito felizes. Ora, a aceitar o que dizem os ativistas, ou seja, que há homossexuais que não se sentem angustiados por serem homossexuais, então poder-se-ia alegar: “Aqui está uma definição de transtorno mental que faz algum sentido; e, nesta base, a homossexualidade não deveria estar no DSM-II.”4
Na entrevista, o Dr. Spitzer reconheceu que “em parte isso foi político”, pois sabia que “não havia como fazer os membros ou a AAP aceitarem a remoção total da categoria [homossexual]” do manual, mas que muitos aceitariam sua substituição pelo novo conceito de “distúrbio de orientação sexual”, aplicável unicamente a “um homossexual insatisfeito” e que precisa de tratamento.5
Foi assim que o pequeno grupo da Comissão de Nomenclatura, e depois, sucessivamente, o Conselho de Investigação e Desenvolvimento, a Assembleia de Secções Distritais, o Comité de Referência e, finalmente, o Conselho de Curadores da Associação Americana de Psiquiatria aprovaram a exclusão da homossexualidade do Manual de Transtornos Mentais.
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