Escapulário do Carmo, penhor seguro de salvação
O comum dos católicos vive hoje com a veleidade de que irá para o Céu, sem necessidade de fazer o menor esforço para o merecer. Ele pratica bem ou mal os Mandamentos, vai à Missa quando quer, reza quando tem vontade ou necessita de alguma graça, e no mais “deixa o barco correr”. Não lhe passa pela cabeça que ainda que tenha vivido religiosamente, deverá passar pelo Purgatório a fim purgar a pena devida aos pecados perdoados na confissão, mas dos quais não fez suficiente penitência para apagar a dívida por eles merecida.
Se pensa nisso, tem uma ideia muito light do que é o Purgatório, e por isso faz muito pouco para evitá-lo.
Sobre o Purgatório, diz o Catecismo da Igreja Católica: “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados [o que acontece com quase todos os que não foram elevados à honra dos altares], embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu. A Igreja denomina ‘Purgatório’ esta purificação final dos eleitos, que é completamente diferente do castigo dos condenados” (CIC 1030-1031).
Ora, as penas do Purgatório são terríveis, pois visam purificar a alma de qualquer vestígio de culpa, por menor que seja, a fim de que ela possa ser digna de ir ver o Deus Santíssimo face a face no Céu.
Por isso, segundo São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, quanto ao sofrimento, as penas do Purgatório são análogas às do inferno. Segundo esses Doutores da Igreja, é o mesmo fogo que purifica uns, e atormenta os outros.
A pena temporal dos pecados
É preciso lembrar que quando se recebe a absolvição dos pecados por meio da Confissão Sacramental, se a confissão for bem feita, a culpa dos pecados é removida. Quer dizer, o castigo eterno devido a eles, se mortais, é apagado. Entretanto, ainda permanece a pena temporal exigida pela Justiça Divina ultrajada. Essa pena deve ser cumprida na vida presente ou depois da morte; ou seja, no Purgatório
A Santa Igreja, Mãe carinhosa, no exercício do Poder das Chaves e da aplicação dos méritos superabundantes de Nosso Senhor Jesus Cristo e dos Santos, põe à nossa disposição recursos que nos auxiliam a remitir parcial ou totalmente essa pena devida aos pecados cometidos, por meio das indulgências.
Estas são parciais quando remitem parte da culpa, ou plenárias, que remitem toda a pena temporal devida ao pecado. As indulgências podem ser aplicadas às almas do Purgatório.
Sacramentos e sacramentais
Além das indulgências, que podemos lucrar, temos também os chamados sacramentais, que nos concedem abundantes recursos para receber as indulgências, ajudando-nos no caminho da perfeição.
O Catecismo da Igreja Católica define os sacramentais como “sinais sagrados instituídos pela Igreja, cujo objetivo é preparar os homens para receber o fruto dos sacramentos, e santificar as diferentes circunstâncias da vida”.
A diferença entre o sacramento e o sacramental é que o segundo não confere a graça do Espírito Santo, como acontece com o sacramento. Mas, pela oração da Igreja, ele prepara para o recebimento da graça (cf. CIC 1670).
Entre os vários sacramentais, em primeiro lugar estão as bênçãos, que podem ser de pessoas, de objetos de piedade e até profanos, lugares etc. O número de sacramentais é muito grande. Por exemplo, desde que sejam abençoados, temos cruzes, imagens e estampas de santos, água benta, sal bento, e o santo Rosário. Os
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