em 10 de junho, o general Roberto Vannacci, eleito com mais de 500 mil votos como independente nas fileiras da Liga, e o professor e colunista Angelo D’Orsi, um nostálgico declarado do comunismo, concordaram com o novo slogan “paz, não catástrofe nuclear”. Aqueles que desejam resistir aos objetivos expansionistas de Putin ou do mundo islâmico são acusados de serem um “inimigo da paz” que quer levar a Europa ao apocalipse nuclear.
O problema de fundo, no entanto, continua a ser o de compreender qual é a paz pela qual queremos lutar e qual é a causa real e profunda dos perigos que nos ameaçam. O líder da Liga, Matteo Salvini, chamou o presidente francês, Emmanuel Macron, de “criminoso” por suas declarações a favor do envio de soldados franceses ou da OTAN para a Ucrânia. A qualificação atribuída ao primeiro-ministro francês não é imprópria, mas por razões muito diferentes das avançadas por Salvini.
Macron pode ser tecnicamente considerado um criminoso, porque é o presidente de um país que consagrou o crime do aborto em sua Constituição, chegando a apresentá-lo como uma “mensagem universal”. A inversão pública e ostensiva da ordem natural e cristã não pode ficar sem consequências. Só o respeito por essa ordem moral garante a paz, enquanto a sua violação conduz inevitavelmente a guerras e convulsões sociais de todos os tipos.
É sobretudo tarefa da Igreja recordar estas verdades. O Papa Francisco participou da cúpula do G7, realizada de 13 a 15 de junho na Puglia, sob a liderança da Itália. Esta foi a primeira vez que um Pontífice fala no topo do grupo, que também inclui Estados Unidos, Canadá, França, Reino Unido, Alemanha e Japão.
Que melhor ocasião para lembrar aos poderosos da Terra que há uma lei natural e divina que não pode ser transgredida impunemente, e que somente o retorno a essa lei representa o caminho para redescobrir a única e verdadeira tranquilidade na ordem, que é a paz de Cristo?
Não foi esse o caso, e a reunião de cúpula, que ocorreu no cenário evocativo de Puglia, nos faz lembrar o último jantar suntuoso do Titanic — baseado na excelência gastronômica italiana — na noite de 13 de abril de 1912.
O caminho na direção à autodestruição do Ocidente, que também passa pela concessão à chantagem de Putin, parece destinado a continuar inexoravelmente, porque “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem” (Sl 126,1).
Inteligência Artificial e o fim da realidade
"Evite a todo custo, nem comece a utilizar!”, disse-me um jovem conhecido meu, estudante do ensino médio, quando conversávamos sobre a conhecida ferramenta de Inteligência Artificial (IA), o ChatGPT. A advertência vinha carregada de certo remorso, pois confessou: “Eu sei que o mecanismo funciona e agora fiquei mal-acostumado com tamanha facilidade.”
Surpreendente, pensei, por dois aspectos. Primeiro, a IA se mostra aliciante, quase como um entorpecente, sobretudo para o caso de estudantes ávidos de resolver incômodos deveres escolares. Em segundo lugar, a sinceridade do rapaz ao admitir que melhor seria se a ferramenta não existisse, pois vê bem a lacuna que seu uso indiscriminado representa na formação escolar de qualquer aluno. Eis aí uma boa lição.
Esse jovem reconhecia-se como uma das incontáveis vítimas da “inundação-IA” e desejava que eu não me tornasse mais uma delas. Sim, trata-se de uma inundação. Mas essas águas, para seguir a metáfora, chegam por enquanto apenas aos nossos tornozelos. Há ainda muita enxurrada por vir. O ChatGPT é somente um exemplo dos aplicativos que podem facilmente produzir textos ou redações, fornecer respostas rápidas a virtualmente qualquer pergunta, e até resolver problemas intricados de matemática ou física. Maravilhas tecnológicas para fomentar a indolência estudantil, já tão generalizada em nossas escolas. Porém, outras ferramentas vão despontando. O que mais vem do mundo da IA?
Futuro sombrio da “Inteligência Artificial”
Um crítico apressado diria que tais recursos facilitam a vida e seria estupidez não os utilizar. Não nego em princípio que o progresso tecnológico traga certos benefícios num plano geral. Mas a questão se complica se alguém com um pouco de bom senso perguntar: a que custos? E quais os limites? Com um tema tão vasto, aponto aqui apenas alguns aspectos, talvez os mais inquietantes.
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