e de passagem, o recente pedido do Papa Francisco de se conceder direitos legais civis às duplas de homossexuais, assim como sua recomendação de bênçãos da Igreja a tais duplas e a casais em situação irregular, como consta na declaração Fiducia Supplicans, de 18 de dezembro de 2023.
Essa declaração é da lavra do Cardeal Victor Manuel Fernandez, mas conta com a assinatura do Papa. O que causou muito escândalo, pois, objetivamente, equivale a abençoar relações baseadas em pecados contra o Sexto Mandamento e a própria natureza, usando o nome de Deus em vão. Ademais, contraria frontalmente a Fé Católica e o ensinamento perene da Igreja. Deus não abençoa o pecado, mas, pelo contrário, o abomina e castiga.
O tema é por demais grave, mas não nos estenderemos sobre ele aqui, uma vez que já o fizemos em nossa matéria de capa, na edição de fevereiro (vide link nas notas).18
Amor reverencial e adesão à Santa Sé
Vemos, pois, justificada pelos fatos, quão atual é a atitude de Plinio Corrêa de Oliveira, e, com ela, nossa publicação, inteiramente inspirada por sua luta no século passado contra a coexistência pacífica com os regimes marxistas. A “Declaração de Resistência”, que à primeira vista poderia ter parecido para alguns um ato de rebeldia, foi na realidade não somente uma indispensável tomada de posição cujo acerto foi confirmado pelos acontecimentos, mas também um ato de fidelidade, de piedade filial, de acatamento ao ensinamento do Magistério infalível da santa e imortal Igreja Católica Apostólica Romana.
Decorridos alguns dias de seu lançamento, em artigo publicado na “Folha de S. Paulo” (21-4-74), o Prof. Plinio escreveu algo que poderia aplicar-se ao atual Pontificado:
“Nesse ato de resistência à política de Paulo VI não há outras componentes psicológicas senão o amor, a fidelidade e a dedicação. Dado que o Papa é o monarca da Santa Igreja, meu gesto importa em defender o reino em benefício do Rei, ainda quando, para tanto, deva incorrer no desagrado deste. Mais longe, segundo me parece, não é dado ao homem levar sua dedicação”.
Como se nota, salta aos olhos a manifestação de submissão do fundador da TFP brasileira ao Papado, a qual vem de longa data. Desde menino, ele transbordava de entusiasmo pela Roma Eterna — como se poderá observar no quadro com o trecho reproduzido na página anterior. Seus discípulos, como se consideram os colaboradores desta revista, participam de tal entusiasmo e submissão irrestrita ao Papado, de acordo com os termos do Direito Canônico, consignado como está no livro de cabeceira de todos eles, escrito em 1959, Revolução e Contra Revolução:
“Ubi Ecclesia ibi Christus, ubi Petrus ibi Ecclesia [Onde está a Igreja aí está Cristo, onde está Pedro aí está a Igreja]. É, pois, para o Santo Padre que se volta todo o nosso amor, todo o nosso entusiasmo, toda a nossa dedicação. É com estes sentimentos, que animam todas as páginas de Catolicismo desde sua fundação, que nos abalançamos também a publicar este trabalho.
“Sobre cada uma das teses que o constituem, não temos em nosso coração a menor dúvida. Sujeitamo-las todas, porém, irrestritamente ao juízo do Vigário de Jesus Cristo, dispostos a renunciar de pronto a qualquer delas, desde que se distancie, ainda que de leve, do ensinamento da Santa Igreja, nossa Mãe, Arca da Salvação e Porta do Céu”.19
SÃO FRANCISCO DE PAULA
Profeta, taumaturgo e fundador
Dificilmente um santo se forma em lar pouco cristão, pois o exemplo dos pais costuma desempenhar importante papel na formação dos filhos. Vemo-lo claramente na vida de São Francisco de Paula, cujos genitores eram modestos agricultores na pequena cidade de Paula, na Calábria. Tiago, o pai, tirava do campo o sustento da família e santificava-se na oração, no jejum, penitência e nas boas obras. Sua esposa, Viena, emulava com ele em piedade, secundando-o em suas boas disposições.
Mas não tinham filhos. E, para obtê-los, pediam ao Céu, sobretudo ao seráfico São Francisco, de quem eram devotos. Prometeram dar seu nome ao primeiro filho que tivessem. O Poverello de Assis deixou-se comover, e nasceu o rebento tão desejado.
A alegria, entretanto, foi de pouca duração, pois o Francisco recém-nascido teve uma infecção nos olhos
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