de David. E o seu Evangelho nos dá a conhecer a sua árvore genealógica até José, até Maria, de qua natus est Jesus.
“Portanto a aristocracia, a nobreza é um dom de Deus. Por isso, conservai-o diligentemente, usai dele dignamente. Já o fazeis com as obras cristãs e de caridade, às quais continuamente vos dedicais com tanta edificação do próximo e com tanta vantagem para as vossas almas”.2
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A nobreza de nascimento parece ser fato fortuito, mas resulta de benévolo desígnio do Céu
Da alocução de Leão XIII ao Patriciado e à Nobreza romana, em 21 de janeiro de 1897:
“Alegra-Nos a alma rever-vos após um ano, neste mesmo lugar, irmanados por consonância de pensamentos e de afetos que vos honram. A Nossa caridade não conhece, nem deve conhecer acepção de pessoas, mas não pode ser censurada se se compraz particularmente convosco, precisamente em razão do grau social que vos foi assinalado, aparentemente por circunstância fortuita, mas na verdade por decisão benigna do Céu. Como negar uma particular estima à distinção da estirpe, se o Divino Redentor manifestou tê-la em apreço? É verdade que na sua peregrinação terrena Ele adotou a pobreza, e não teve como companheira a riqueza. Mas, por outro lado, escolheu nascer de estirpe real.
“Rememoramo-vos estas coisas, diletos filhos, não para adular um orgulho insano, mas para estimular-vos a obras dignas da vossa categoria. Todo o indivíduo e toda a classe de indivíduos têm a sua função e o seu valor: do entrelaçamento ordenado de todos brota a harmonia do consórcio humano. Não obstante, é inegável que nas ordens privada e pública, a aristocracia do sangue é uma força especial, como o patrimônio e o talento. Tal aristocracia, se discrepasse das disposições da natureza, não teria sido, como foi em todos os tempos, uma das leis moderadoras do acontecer humano. Donde, argumentando com o passado, não é ilógico deduzir que, por mais que os tempos mudem, nunca deixará de ter eficácia um nome ilustre, para quem saiba portá-lo dignamente”.3
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Jesus Cristo quis nascer de raça real
Da alocução de Leão XIII ao Patriciado e à Nobreza romana, de 24 de janeiro de 1903:
“E Jesus Cristo, se quis passar a sua vida privada na obscuridade de uma habitação humilde e ser tido por filho de um artesão; se, na sua vida pública, se comprazia em viver no meio do povo, fazendo-lhe o bem de todas as maneiras, entretanto quis nascer de raça real, escolhendo por mãe a Maria, e por pai nutrício a José, ambos filhos eleitos da estirpe de David. Ontem, na festa dos seus esponsais, podíamos repetir com a Igreja as belas palavras: Regali ex progenie Maria exorta refulget [Maria manifesta-se-nos fulgurante, nascida de uma raça real]”.4
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Nosso Senhor Jesus Cristo quis nascer pobre, mas quis também ter uma insigne relação com a aristocracia
Da alocução de Bento XV ao Patriciado e à Nobreza romana, em 5 de janeiro de 1917:
“Não há diante de Deus acepção de pessoas. Mas é indubitável, escreve São Bernardo, que a virtude nos nobres a torna mais aceite, porque neles ela resplandece mais.
“Também Jesus Cristo foi nobre e nobres foram Maria e José, descendentes de estirpe real, embora a sua virtude eclipsasse o esplendor disso, no pobre nascimento que a Igreja comemorou dias atrás. Cristo, pois, que quis ter tão insigne relação com a aristocracia terrena, acolha na onipotente humildade do seu berço os votos calorosos que vos apresentamos: assim como no Presépio a mais alta nobreza foi sócia da mais gloriosa virtude, assim seja com os Nossos diletos filhos, os Patrícios e os Nobres de Roma. E que a virtude deles traga a regeneração cristã da sociedade, e com ela as graças que lhe são inseparáveis: o bem-estar das famílias de todos e de cada um e a suspirada paz do mundo”.5
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Maria, José e, pois, Jesus nasceram de estirpe real
De um sermão de São Bernardino de Siena (1380-1444) sobre São José:
“Em primeiro lugar, consideremos a nobreza da esposa, isto é, da Santíssima Virgem. A Bem-aventurada Virgem foi mais nobre do que todas as criaturas que tenham existido na natureza humana, que possam ou tenham podido ser geradas. Pois São Mateus (cap. 1), colocando três vezes catorze gerações, desde Abraão até Jesus Cristo inclusive, mostra que Ela é descendente de catorze Patriarcas, de catorze Reis e de catorze Príncipes. [...]
“São Lucas, escrevendo também no cap. 3 a nobreza d’Ela, a partir de Adão e Eva, prossegue na sua genealogia até Cristo Deus. [...]
“Em segundo lugar, consideremos a nobreza do esposo, isto é, de São José. Nasceu ele de raça patriarcal, régia e principesca, em linha reta, como já foi dito. Pois São Mateus (cap. 1) leva em linha reta todos esses pais desde Abraão até ao esposo da Virgem, demonstrando claramente que nele desfechou toda a dignidade patriarcal, régia e principesca. [...]
“Em terceiro lugar, examinemos a nobreza de Cristo. Ele foi, portanto, como decorre do que ficou dito, Patriarca, Rei e Príncipe, por parte de mãe e de pai. [...]
“Os referidos Evangelistas descreveram a nobreza da Virgem e de José para manifestar a nobreza de Cristo. José foi portanto de tanta nobreza que, de certo modo, se é permitido exprimir-se assim, deu a nobreza temporal a Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo”
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