Corpo incorrupto de freira tradicionalista atrai multidões
Devido à malícia dos tempos presentes e à decadência geral do espírito religioso, a Providência Divina tem restringido muito os prodígios que ocorriam com certa frequência na vida da Igreja.
Foi por isso que causou sensação a notícia de que, num mosteiro localizado na zona rural do estado do Missouri (Região Centro-Oeste dos EUA), ao fazerem a exumação do corpo de sua fundadora, falecida quatro anos atrás, ele foi encontrado incorrupto.
A notícia se difundiu rapidamente pela mídia. Multidões de fiéis e curiosos se sentiram atraídos e acorreram ao local para contemplar o prodígio ou rezar diante dos restos mortais da religiosa.
Trata-se da Madre Wilhelmina (Guilhermina) Lancaster, OSB [foto], fundadora das Irmãs Beneditinas de Maria, Rainha dos Apóstolos, Ordem religiosa que segue o rito litúrgico tradicional da Igreja.
Fenômenos místicos em sua infância
Segunda de cinco filhos de pais genuinamente católicos de origem afro-americana, Maria Elisabeth Lancaster foi educada com esmero na santa religião de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Uma de suas primeiras lembranças foi a de ter visto Nossa Senhora quando tinha apenas dois anos de idade. Aos sete anos, ela estava brincando com seus irmãos, quando parou e os convidou a rezar o Rosário. Como eles se recusassem, a mãe aconselhou-a a fazê-lo privadamente. Enquanto ela rezava, Nossa Senhora lhe apareceu novamente1.
Outro fenômeno místico ocorrido com Maria Elisabeth é assim por ela narrado em sua autobiografia: “No dia 2 de abril de 1934 [quando], fiz minha Primeira Comunhão, [tive] uma experiência inesquecível quando Nosso Senhor me perguntou se eu seria d’Ele. Ele aparecia como um homem tão bonito e maravilhoso, que concordei imediatamente. Então Ele me disse para encontrá-Lo todos os domingos na Santa Ceia [Sagrada Comunhão]. Eu não disse nada sobre esta conversa a ninguém, acreditando que todos os que foram à Santa Comunhão ouviram Nosso Senhor falar com eles”.
Vocação religiosa
Maria Elisabeth fez o primário na escola pública, onde era objeto de caçoada por ser a única aluna católica entre seus companheiros batistas e metodistas.
Por isso, quando chegou a época de entrar no ginásio, seus pais, “que não queriam que eu fosse para o colégio público, puseram mãos à obra e fundaram o Ginásio Católico São José para negros, que durou até o Arcebispo Ritter pôr fim à segregação dos negros em sua diocese”.
Quando, aos 13 anos, ela fez a Primeira Comunhão, o vigário lhe perguntou se tinha pensado alguma vez em ser religiosa. Embora não tivesse, ela se sentiu tomada pela ideia. E escreveu às Irmãs Oblatas da Providência de Baltimore pedindo admissão. Essa era a única Ordem religiosa para mulheres negras ou hispanas nos Estados Unidos, dedicada à educação de crianças de sua raça. Como era muito nova, foi-lhe dito que aguardasse concluir o ginásio.
Realmente, quando aos 17 anos se graduou no ginásio como a melhor estudante da turma, Maria Elisabeth foi recebida entre as Oblatas.
Verdadeira Devoção a Nossa Senhora
Ao entrar no convento em Baltimore, ela narra: “Naquele dia de setembro, quando entrei pela primeira vez na capela do noviciado, aquele mesmo Senhor que falou comigo na minha Primeira Comunhão, acolheu-me com amor, colocou seus braços em volta de mim, e prometeu que a partir de então eu seria dele.”
Para o nome de religiosa, ela escolheu “Wilhelmina do Santíssimo Rosário”, em recordação do Pe. Guilherme, que lhe sugerira abraçar esse estilo de vida, e por sua profundíssima devoção a Nossa Senhora.
Nos dois anos de noviciado — que ela afirma terem sido “tempos felizes” — , deu mais um passo na devoção mariana: “Conheci com uma colega noviça a Verdadeira Devoção a Maria ensinada por São Luís de Montfort”. Entusiasmada, ela pediu licença à Mestra de Noviças para fazer essa consagração como escrava a Nossa Senhora. A Mestra lhe respondeu que todas as Irmãs eram escravas da Santíssima Virgem, mostrando-lhe a correntinha com a Medalha Milagrosa que traziam ao pescoço.
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