Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 869 | página 06-07
| PALAVRA DO SACERDOTE | (continuação)

sexual por pessoas do mesmo sexo, ou, pior ainda, daqueles que não se sentem bem no próprio corpo e querem mudar de sexo por meio de tratamentos hormonais ou até mesmo por amputações.

O mais grave é o aumento vertiginoso de Estados que reconhecem um suposto “direito” à mudança de sexo nas certidões de nascimento – alguns até sem precisar de tratamentos ou documentação médica, baseando-se apenas na subjetividade da pessoa –, assumindo todas as consequências práticas, tais como homens “trans” usando vestuários e toaletes femininos e concorrendo com mulheres em esportes nos quais obviamente têm uma vantagem física sobre elas.

Menciono tudo isso porque, ao analisar uma realidade, não se deve olhar apenas para a situação do momento, mas prever o que vai resultar disso para o futuro. Basta pensar nas aberrações que já estão resultando dessa “confusão dos sexos” – comparável à “confusão das línguas” com a qual Deus castigou o orgulho dos construtores da Torre de Babel – para se compreender a maldade da participação de moças em esportes inapropriados para elas, não somente pela brutalidade inerente aos mesmos, mas também pelas posturas vulgares e por vezes indecentes que esses exercícios requerem.

Para se compreender a maldade da participação de moças em esportes inapropriados para elas, não somente pela brutalidade inerente aos mesmos, mas também pelas posturas vulgares e por vezes indecentes que esses exercícios requerem.

Ausência da mãe prejudica a educação dos filhos

Na origem de todos esses absurdos está o feminismo e o movimento da “emancipação da mulher”, que se difundiram a partir da área de cultura anglo-saxã e recobraram força alhures após a Primeira Guerra Mundial. Sob o pretexto de igualdade entre homens e mulheres, esse fenômeno social revolucionário começou por tirar a mulher do lar e do cuidado prioritário dos filhos, para fazê-la concorrer com o homem na vida pública e nos locais de trabalho, inclusive em atividades não condizentes com a psicologia feminina, pela brutalidade das tarefas ou das situações que é preciso confrontar.

Nas sociedades tradicionais, enquanto os homens animavam a vida econômica e política, as mulheres animavam a vida familiar e social. Elas eram “donas de casa”, ou seja, as verdadeiras “rainhas do lar”; criavam o ambiente da casa, organizavam as festas familiares e davam brilho à vida social e cultural da cidade. A saída da mulher do lar e sua masculinização psicológica pela concorrência com os homens na esfera pública e nos lugares de trabalho teve como consequência um empobrecimento da vida familiar e social.

A mais grave consequência disso foi o impacto sobre a educação dos filhos, que precisam da proximidade da mãe nos anos da infância e da adolescência. Se a mãe trabalha fora e chega cansada em casa depois de um dia de labuta, por mais que esteja animada dos melhores sentimentos em relação aos filhos, não lhes pode consagrar todo o tempo necessário requerido pela boa formação, nem cobri-los com o mesmo tipo de carinho delicado dispensado outrora pelas mães. Daí resultaram muitas das crises que hoje assolam os adolescentes e os jovens, que acabam procurando uma falsa compensação nos desvarios das discotecas ou das drogas.

Assim, o feminismo contribuiu para a evolução gradual rumo a uma sociedade “unissex”, em que os papeis masculinos e femininos passaram a ser considerados meros estereótipos culturais impostos pelas estruturas patriarcais e destinados a prolongar a opressão cujas vítimas seriam as mulheres.

Duas propagandas das décadas dos anos 40 e 50 demonstram a mudança radical no ideal da mulher.

O nazifascismo promoveu o esporte feminino

Na área dos esportes, além do feminismo, quem mais contribuiu para a generalização de sua prática entre moças, inclusive com competições públicas, foram o fascismo e o nazismo com seu culto pagão ao corpo e à natureza, e sua proposta de uma imagem forte e moderna da “mulher esportiva” – uma das tantas expressões da “mulher nova” do fascismo e do hitlerismo. Il Littorale, jornal de propaganda esportiva do ditador italiano, escrevia que o ideal do regime era “permitir às moças praticar o esporte, para

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