Francisco, dirigidas por Frei Jeronimo van Hinten O.Carm., sob a orientação de Dr. Plinio.
Este estava em viagem na Europa e só voltaria ao Brasil no meio do ano. Aceitei o convite e passei a frequentar as reuniões. Outros antigos congregados marianos do Colégio São Luis também as frequentavam, mas logo as abandonaram. A maior parte deles passou a apoiar o clero progressista ou os políticos do Partido Democrata Cristão, notoriamente esquerdista. Mas os que continuaram e formaram o grupo que ficou conhecido como grupo da Martim, só se consolidou com o retorno do Dr. Plinio ao Brasil quando, com a aprovação dele, foi decidido que o grupo da Martim teria nove membros, dos quais apenas cinco permaneceram fiéis ao movimento até o fim de suas vidas ou até hoje: Luiz Nazareno de Assumpção Filho, Eduardo de Barros Brotero, Plinio Vidigal Xavier da Silveira, Sérgio Antônio Brotero Lefèvre e eu. Paulo Corrêa de Brito Filho e Arnaldo, Fabio e Caio Vidigal Xavier da Silveira entraram para o Grupo mais tarde. Sou imensamente grato ao Dr. Plinio Xavier e ao Dr. Sérgio por me terem feito aquele convite, sem o qual, estou certo, minha vida teria tido outro rumo.
Assim, o “Grupo de Dr. Plinio” ficou constituído por dois grupos: o da Rua Vieira de Carvalho, conhecido como “Grupo da Vieira”, com Dr. Plinio e mais sete antigos companheiros no movimento católico, e o da Martim. Ao todo, dezoito pessoas.
Eu havia assistido, com entusiasmo e interesse, o discurso que Dr. Plinio fez na sessão solene de despedida do Padre Mariaux e, também, uma conferência que ele fez na Congregação Mariana, em 1949, mas nunca havia conversado pessoalmente com ele. Nossa primeira conversa foi no primeiro sábado de agosto de 1950. Ele acabara de voltar da Europa e, por iniciativa de Dr. Plinio Xavier, mandara me dizer que me receberia na sede do Grupo, na Rua Vieira de Carvalho. Então, me expôs o que era o Grupo e ouviu o que eu tinha a dizer sobre minha vida anterior como católico. A conversa não foi muito longa, mas ele decidiu me admitir no Grupo.
Tendo conhecido Dr. Plinio, o senhor teve consciência de que seria junto a ele que teria uma longa história a serviço da Igreja?
Na ocasião dessa conversa, não era possível imaginar qual seria e nem se seria longa minha história a serviço da Igreja. Eu era católico e queria atuar como católico. Pensava que deveria trabalhar para a causa da Igreja (o Pe. Mariaux tinha ideias a respeito disso), mas não possuía nem meios nem conhecimento para imaginar o que poderia fazer. Por isso, a história vivida por Dr. Plinio me indicava que eu devia segui-lo.
Ainda jovem, ele se tornara líder mariano de grande sucesso. Começando sua missão pública em 1928, com 20 anos de idade, viu-se logo chefe incontestável do movimento mariano em São Paulo, com o apoio do Arcebispo Dom Duarte Leopoldo e Silva. Com esse respaldo, foi eleito deputado à constituinte de 1934, tendo sido o deputado mais jovem e que recebeu o maior número de votos, em todo o Brasil. Em 1943, lançou seu livro Em Defesa da Ação Católica, que era um compêndio de refutação das ideias modernistas e progressistas que então se espalhavam dentro da Igreja e eram apoiadas por numerosos prelados. Sua publicação despertou a ira de muitos inimigos internos da Igreja.
Por isso, foi perseguido pelo Cardeal Arcebispo, Dom Carlos Carmelo, que lhe tirou a direção do semanário católico “O Legionário” e o destituiu da Presidência da Ação Católica arquidiocesana. Dr. Plinio foi colocado no mais indignante ostracismo, no movimento católico. Mas o Cardeal não apenas não gostava dele, como procurava denegri-lo. Nosso amigo, Giocondo Mario Vita, que frequentava regularmente as reuniões da Federação Mariana, contou que em uma delas ouviu o Cardeal referir-se ao “Grupo do Dr. Plinio” como “sinédrio maldito”, o que mostra a importância que ele dava a Dr. Plinio. Assinale-se que esse “sinédrio” era um pequeno grupo de pessoas que se reuniam todas as noites em um apartamento na Rua Vieira de Carvalho e terminavam esse encontro, em frente, no Restaurante Fasano, alguns jantando, outros tomando um lanche.
Nenhum deles fazia parte de associações religiosas da Arquidiocese. Bem antes dessa reunião que Vita assistiu, não obstante o pouco risco de atuação nas instituições católicas oficiais da arquidiocese que esse pequeno grupo representava, o Cardeal enviou um sacerdote de sua confiança procurar Dr. Plinio para lhe dizer que estava muito satisfeito com o silêncio dele no ambiente católico, mas queria lhe pedir algo mais: que Dr. Plinio deixasse de ir ao Fasano com seus amigos, onde rezavam antes e depois da refeição, fazendo ostensivamente o Sinal da Cruz. O porte moral de Dr. Plinio era tal que sua aparição quotidiana com amigos em um restaurante onde raramente haveria mais do que outras dez pessoas no fim da noite, era motivo de preocupação do Cardeal.
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