Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 867 | página 34-35
| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)

Vitória triunfal do Divino Crucificado

Rugindo de cólera, aprestavam-se já os juízes para sentenciá-los à morte, quando um fariseu que por todos era venerado em razão da sua ciência e virtude, e que se chamava Gamaliel, se levantou para dar o seu parecer. Mandando sair os acusados, dirigiu-se ao Conselho nestes termos: “Chefes de Israel, atentai bem no que ides fazer. Algum tempo há, apareceu um tal Teodas, que se dizia chefe do povo. Seguiram-no quatrocentos homens, mas ele foi morto e os seus aderentes dispersaram-se de modo que ninguém hoje mais se lembra dos soldados e do seu chefe.

“Por ocasião do recenseamento, Judas da Galileia reuniu em torno de si uma horda de partidários, mas pereceu como Teodas e ninguém já fala dele nem do seu partido. Eis, pois, a minha opinião: Não vos importeis com esses homens e deixai-os andar. Se a sua obra é humana, perecerá. E se é divina, não conseguireis destruí-los sem correrdes o risco de entrardes em guerra contra Deus” (Act 5, 33-39).

A autoridade de Gamaliel impôs-se de tal modo que todos os seus colegas se associaram ao seu parecer. Contudo, para satisfazer o seu desejo de vingança, condenaram os apóstolos à flagelação e, depois, intimaram-nos de novo a que cessassem com as suas pregações. Mas os obreiros de Cristo, já tornados seus mártires e que se sentiam felizes por terem sido julgados dignos de sofrer ultrajes pelo seu Mestre, continuaram a pregar cada dia, no Templo e nas casas particulares, o Evangelho de Jesus Cristo.

O Crucificado triunfava: em alguns dias, milhares de homens se tinham alistado sob a sua bandeira. Jerusalém tornava-se o centro do seu Reino. E quem sabe onde se deteriam os novos conquistadores? Bem viam os sinedritas que a obra era divina, mas, procedendo ao contrário do parecer tão prudente de Gamaliel, resolveram não só lhes impedir os progressos, mas a aniquilar de todo, matando os apóstolos como tinham matado o Mestre. Mas vão aprender à própria custa o que sucede a quem peleja contra Deus.

Notas: 1. Os subtítulos foram inseridos pela redação. 2. Um conciliábulo de juízes judeus chefiado pelos sumos (e trapaceiros) sacerdotes Anás e Caifás, que constituía algo análogo a um Supremo Tribunal de Jerusalém, não apenas com funções jurisdicionais, mas exercendo também funções políticas, religiosas, legislativas etc.
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