Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 867 | página 28-29
| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)

Pentecostes

“De repente, sentiu-se uma grande ventania que, com grande ruído, encheu toda a sala onde estavam sentados. Apareceram depois línguas de fogo, semelhantes a chamas ardentes, que se dividiram em breve para ir pousar sobre cada um dos membros da assembleia. Sob aquele emblema de fogo, vinha o Espírito Santo comunicar-lhes todos os dons do Céu, a inteligência para interpretarem as Escrituras, a força para enfrentarem os seus inimigos e o dom das línguas para ensinarem todos os povos.”

Depois da Ascensão do Salvador, entraram no cenáculo Pedro e os seus companheiros para meditar nas últimas palavras de Jesus. Eles, uns pobres iletrados, desprovidos de ciência, de dinheiro e de consideração, pregarem o Evangelho a toda a criatura e apresentarem à adoração dos judeus e pagãos aquela cruz sobre a qual o seu Mestre acabava de expirar: não era isso (poderiam eles pensar) tentar o impossível e não valia mais voltar para as redes?

A sabedoria humana aconselhava-os, é claro, a tomarem o caminho da Galileia, mas eles tinham confiança em Jesus e no Espírito Santo que, segundo a sua promessa, havia de ensinar-lhes todas as coisas. Encerraram-se, pois, no cenáculo e se puseram a rezar com Maria, Mãe de Jesus e com os discípulos e as Santas Mulheres, à espera da visita do Espírito Santo.

Pedro começou logo por cumprir com um dos seus primeiros deveres. “Meus irmãos — disse ele — Judas, que era um dos nossos, atraiçoou o seu Mestre e se enforcou. Ora está escrito no Livro dos Salmos: ‘Que outro receba o seu episcopado’. Escolhei, pois, entre os que viveram conosco, desde o batismo de Jesus até à sua Ascensão aos Céus, um discípulo que seja conosco testemunha da sua Ressurreição”. A sorte, dirigida pela mão de Deus, caiu em Matias que foi logo incluído no Colégio Apostólico (Act 1, 16-23).

Estando assim as doze tribos representadas pelos doze apóstolos, chegou o grande dia de Pentecostes, no qual os israelitas celebravam a promulgação da Lei no Monte Sinai. Multidão de judeus e prosélitos, que afluíam de todas as regiões da Terra, enchiam Jerusalém. E Jesus escolheu aquele dia para revelar a sua Igreja às nações e inaugurar a Lei nova.

Pelas oito horas da manhã, enquanto as 120 pessoas reunidas no cenáculo rezavam com a Virgem Maria, de repente, sentiu-se uma grande ventania que, com grande ruído, encheu toda a sala onde estavam sentados. Apareceram depois línguas de fogo, semelhantes a chamas ardentes, que se dividiram em breve para ir pousar sobre cada um dos membros da assembleia. Sob aquele emblema de fogo, vinha o Espírito Santo comunicar-lhes todos os dons do Céu, a inteligência para interpretarem as Escrituras, a força para enfrentarem os seus inimigos e o dom das línguas para ensinarem todos os povos. Transformados num momento, com aquela efusão miraculosa da graça, começaram logo os apóstolos a formular, em diversas línguas, os pensamentos que o Espírito Santo lhes ditava no coração.

A graça do Espírito Santo anunciada pelo Profeta Joel1

Em breve se viram rodeados por imensa multidão que os escutava muda de pasmo. “Pois não são estes homens galileus? Como sucede, pois, que nós os ouvimos todos a falar a língua da nossa terra? Há entre nós partos, medos, elamitas, judeus, capadócios, habitantes da Mesopotâmia, da Ásia, do Ponto, da Frígia, da Panfília, do Egito, da Cirenaica, romanos, cretenses e árabes. E todos nós os ouvimos celebrar nas nossas línguas as maravilhas de Deus!”

Ninguém podia explicar este mistério, quando alguns sectários mal intencionados disseram: “Nada de prodigioso há em tudo isto. São uns homens em estado de embriaguez que se agitam fora de si com o vinho” (Act 2, 7-13). Deste grosseiro e estúpido insulto tomou Pedro ocasião para instruir a turba.

“Homens da Judeia — bradou ele — e vós todos, forasteiros vindos a Jerusalém, sabei da minha boca a verdade. Não estão ébrios estes homens, como alguns fingem crer. Às nove horas da manhã não se embriaga um homem. O que estais a ver é o que o Profeta Joel anunciou nestes termos: Na última idade do mundo, diz o Senhor, Eu derramarei o meu Espírito sobre todos os homens. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão. Os vossos jovens terão visões e os vossos anciãos, sonhos. Sobre os vossos escravos e escravas descerá o espírito de profecia. Aparecerão, então, no Céu prodígios e na Terra sinais temerosos. Quem invocar o Nome do Senhor, salvar-se-á.

“Homens de Israel — continuou o apóstolo — eu venho revelar-vos este Nome salvador. Jesus de Nazaré apareceu no meio de vós e Deus deu testemunho em seu

Página seguinte