Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 867 | página 30-31
| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)

favor — vós o sabeis tão bem como nós — com os milagres mais evidentes. Não obstante, esse Jesus, que em vossas mãos foi entregue por um muito particular desígnio do Senhor, vós, depois de O terdes atormentado pelas mãos de homens malvados, deste-Lhe a morte. Ora, Deus ressuscitou-O rompendo as ataduras da morte, como tinha predito David por estas palavras: Não deixareis o vosso Santo na corrupção do túmulo. Irmãos, permiti-me dizer que David morreu e que entre nós está o seu jazigo. Não falava, pois, de si, mas sabia por profética inspiração que um rebento da sua raça se havia de sentar no seu trono.

“Rasgando os véus do futuro, falava da Ressurreição de Cristo, cujo corpo não havia de conhecer a corrupção. O Cristo, meus irmãos, é Jesus a Quem Deus ressuscitou e aqui estamos nós todos para dar testemunho disto perante vós. Elevado ao mais alto dos Céus pelo poder do seu Pai, recebeu d’Ele o Espírito de Verdade que acaba de derramar sobre nós e este Espírito de Verdade é quem vos fala pela minha boca. David não subiu ao Céu. A Cristo, pois, e não a ele, é que se dirigiam aquelas palavras. O Senhor disse ao meu Senhor: senta-te à minha direita e eu porei os teus inimigos como escabelo dos teus pés. Povo de Israel, ficai sabendo, pois, que aquele Jesus a Quem vós crucificastes é verdadeiramente o Senhor, é o Messias que Deus vos enviou” (Act 2, 14-36).

O imenso auditório estava profundamente comovido. E sobre os rostos lia-se a dor que penetrava as almas. Partiram de todos os lados exclamações como esta:

— “Irmãos, que devemos então fazer?”

— “Fazei penitência — respondeu Pedro — e receba cada um de vós o batismo. Obtereis assim o perdão dos vossos pecados e os dons do Espírito Santo, conforme foi prometido a vós e aos vossos filhos e aos estrangeiros e a todos os que Deus se dignar chamar a si”.

E Pedro prosseguiu ainda longo tempo a desenvolver as provas que tornavam certa a missão de Jesus, exortando os seus ouvintes a saírem da turba dos ímpios. Três mil homens escutaram o apóstolo e receberam o batismo. Estava com isto fundada a Igreja de Jerusalém e milhares de vozes iam anunciar a todas as nações o Nome de Jesus (Act 2, 37-41).

Os apóstolos convertidos pelo Divino Espírito Santo

Alguns dias depois, pelas três horas da tarde, Pedro e João subiam ao Templo para tomar parte na oração pública. A porta chamada Especiosa, esmolava um pobre coxo enfermo de nascença. Estendeu a mão aos dois apóstolos, como fazia a todos os que passavam. “Não tenho ouro nem prata — disse-lhe Pedro — mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus de Nazaré, levanta-te e anda”. E, ao mesmo tempo, tomou-o pela mão e o levantou. E no mesmo instante sentiu o tolhido que os pés se lhe fortaleciam. Pôs-se em pé, começou a andar e entrou no Templo com os apóstolos. E todo o povo viu como aquele tolhido andava, saltava de alegria e louvava a Deus (Act 3,1-11).

Este prodígio impressionou vivamente a multidão e, por isso, quando Pedro e João, acompanhados do coxo se dirigiam para o pórtico de Salomão, saíram-lhes ao encontro milhares de homens. Pedro aproveitou-se deste grande concurso para pregar o Nome de Jesus. “Homens de Israel — disse — olhais para nós com admiração como se por nosso próprio poder houvéssemos curado este enfermo. Mas vos enganais de todo. O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, o Deus dos nossos pais fez este milagre para glorificar Jesus, aquele Jesus que vós entregastes a Pilatos e fizestes condenar, ao passo que ele o queria pôr em liberdade. E vós, ao Santo de Deus, preferistes um vil assassino. Vós destes a morte ao Autor da vida, mas Deus ressuscitou-O. Disto somos nós testemunhas. A fé no seu Nome é que fortaleceu os pés deste homem que tendes diante de vós” (Act 3, 12-16).

O auditório, atônito, parecia pedir misericórdia. “Meus irmãos — prosseguiu o apóstolo — bem sei que procedestes por ignorância, como os vossos príncipes. Era preciso que o Cristo sofresse e Deus serviu-se da vossa cegueira para realizar os seus desígnios. Fazei, pois, penitência e ser-vos-ão perdoados os pecados”. Mostrou-lhes em seguida que Jesus era o grande Profeta anunciado por Moisés, Aquele em Quem deviam ser abençoadas todas as nações da Terra: “Primeiro que todas, Israel — acrescentou ele — pois Deus enviou o Seu Filho para vos abençoar como primícias e vos purificar das vossas iniquidades” (Act 3, 12-20).

Estava ainda falando quando viram chegar um grupo de sacerdotes, magistrados e saduceus, furiosos por saberem que havia quem ousasse profanar o Templo, pregando o Nome do Crucificado. Por sua ordem, os guardas lançaram as mãos aos dois apóstolos e os levaram para a prisão. Apesar daquela brusca intervenção do Supremo Conselho, converteram-se a Jesus Cristo cinco mil homens, movidos pelas palavras de Pedro (Act 4, 1-4).

O espanto de Caifás e seus sequazes com os Apóstolos

No dia seguinte, as três classes do Sinédrio2, escribas, anciãos do povo e príncipes dos sacerdotes, reuniram-se no pretório, sob a presidência do sumo-sacerdote Caifás. Estavam todos com pressa de manifestar o seu ódio contra o Nome de Cristo. Os acusados, Pedro e João, foram introduzidos à presença dos juízes. E um povo numeroso não cessava de lhes testemunhar a sua

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