Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 864 | página 44-45
| VIDAS DE SANTOS | (continuação)

de São Bento cresceu nele de tal maneira, que mesmo depois de Papa continuou usando o hábito beneditino e se filiou ao famoso Mosteiro de Cluny.

Obteve o doutorado em Direito Canônico na Universidade de Toulouse e se tornou um renomado canonista, ensinando depois em Montpellier, Paris e Avignon.

Vigário geral, abade e diplomata

A essa altura, o bispo de Clermont, Dom Pierre de Aigrefeuille, nomeou-o vigário geral. E ao ser transferido para Uzès, levou-o consigo para exercer o mesmo cargo naquela diocese.

O Papa Clemente VI — que o tinha em grande apreço, tanto pela virtude quanto pelas habilidades administrativas — , promoveu-o a abade de Notre-Dame du Pré, na diocese de Auxerre, e depois, em 1352, como abade de Saint-Germain de Auxerre.

A partir de então, o mesmo Pontífice o destinou para várias missões diplomáticas. A primeira foi obter a submissão de Giovanni Visconti, Arcebispo e déspota de Milão. Incumbiu-o depois de outros assuntos da Santa Sé, também na Itália. Em 1361 foi eleito superior da Abadia de São Vitor, em Marselha.

Durante uma de suas viagens à Itália ele visitou a famosa Abadia de Monte Cassino. Como bom beneditino, ficou muito penalizado ao ver o triste estado a que estava reduzida, tanto física quanto organizacionalmente, devido a terremotos e à negligência episcopal, pois ela estava dependendo do bispo.

Quando se tornou Papa, em 1367, aboliu a diocese de Cassino e devolveu ao abade do mosteiro o controle total da abadia.

Os papas em Avignon

Em 1286 subira ao trono francês o príncipe Felipe, que viria a ser conhecido como Felipe o Belo. Muito fogoso e controvertido, procurava por todos os meios fortalecer a monarquia sobrepondo-se à Igreja, com a qual teve indevidamente vários atritos. Por isso, em 1300, o Papa Bonifácio VIII publicou a bula Unam Sanctam, na qual declarava a superioridade do poder espiritual sobre o temporal. Felipe sentiu que o documento era contra ele, e respondeu proibindo a remessa de dinheiro francês aos Estados Pontifícios. Convocou também, em Paris, uma assembleia de bispos, nobres e grandes burgueses para se oporem ao Papa, a fim de legitimar sua luta. Bonifácio ameaçou-o de excomunhão e interdição sobre o reino da França. Legalistas franceses falsificaram a bula para torná-la injuriosa ao poder civil e à França. Com forte apoio no seu reino, o monarca enviou a Roma seu fiel conselheiro Guilherme de Nogaret para prender o Pontífice, que excomungou ambos.

Secundado por Sciarra Colonna, inimigo figadal do Papa, Nogaret surpreendeu Bonifácio em Anagni, e quiseram obrigá-lo a renunciar.

Segundo a tradição, como o Pontífice se mantivesse firme, Colonna lhe desferiu uma bofetada com a luva da armadura e depois prendeu-o. Libertado três dias depois pelos habitantes de Anagni, o Papa faleceu de pesar no dia 11 de outubro desse ano de 1303.

Seu sucessor, o francês Clemente V, foi eleito por influência de Felipe, que o persuadiu a transferir a Sé Apostólica para Avignon, na França, onde ela ficaria até o ano de 1377.

Aplainando o terreno para a volta a Roma

Decorrido certo tempo, alguns Papas, principalmente Inocêncio VI, começaram a pensar em voltar para Roma, incentivados sobretudo por Santa Brígida da Suécia. O abade Guilherme desenvolvia grande atividade diplomática na Itália nesse sentido.

Mas havia vários problemas. Um deles era que, durante a longa estadia dos papas na França, seus territórios na Itália, conquanto estivessem nominalmente sob a autoridade da Igreja, de fato estavam nas mãos de diversos senhores locais, o que criava um estado de completa anarquia na Península.

Visando preparar seu possível retorno à Cidade Eterna, Inocêncio VI encarregou o competente cardeal espanhol Egídio d’Albornoz — ex-arcebispo de Toledo, enérgico, combativo e prudente, que deixou seu país por desavenças com o rei — de restaurar a autoridade papal nos territórios da Igreja na Itália.

O enérgico cardeal pôs-se em campanha com muito sucesso, utilizando todos os poderes concedidos pelo Papa.

Eleição de Grimoard ao papado

Entretanto, Inocêncio morreu em 12 de setembro de 1362. No Conclave realizado no Palácio Apostólico em Avignon para eleger seu sucessor, 18 dos 21 cardeais presentes eram de origem francesa. Mas sua influência diminuíra desde que parte de sua terra natal se sujeitara à ocupação inglesa, assustando alguns cardeais.

O cardeal Albornoz — o único que permanecera em seu posto, na Itália — recusou a tiara que lhe

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