promessas de campanha eleitoral não honradas, Uribe começou a cumprir uma série de medidas antiguerrilha que havia anunciado. O resultado, nesse quesito, foi espetacular. Tal era sua popularidade, que conseguiu tornar possível a reeleição, antes proibida na Colômbia. No fim de seu segundo mandato, a guerrilha comunista estava em frangalhos.
Os olhos então voltaram-se para seu Ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, responsável, ainda quando ministro, pela operação de resgate mais bem-sucedida da história recente, a Operação Xeque, na qual, sem disparar-se um só tiro, e com 0% de óbitos, foram resgatados os 15 principais reféns da guerrilha comunista, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC.
Santos era visto como um continuador da linha Uribe. E foi assim eleito com folga em 2010.
Logo que assumiu, foi à Sierra Nevada para receber a “investidura” e as pajelanças das tribos “kankuamos, koguis e arahuacos”, além do bastão de mando “para que tenha autoridade nas decisões que tome” (Jornal Zócalo, 7/8/10).
Tomou ares de “terceira via” e de “pacificador”. Começou então uma larga campanha publicitária em favor de um acordo de paz com as FARC. A proposta era no mínimo estranha, dado que o principal período de paz alcançado resultara justamente do relativo aniquilamento da guerrilha…
Como sói acontecer, as tubas internacionais o catapultaram. O Fórum Mundial de Economia foi realizado em Medellín ( IstoÉ Dinheiro, 14/9/15), a “esquerda católica” o ‘canonizou’ (Agência Brasil, 9/9/13), manchetes laudatórias liam-se em todo o mundo. No Brasil, o PT festejava(*).
As FARC regozijavam. Apesar disso, boa parte do povo colombiano, vivo e esperto, percebeu que essa paz não era senão uma maneira de dar vida e fôlego à agenda socializante.
Tal percepção deu ensejo à derrota de Santos no referendo de outubro de 2016, que consultava a população a respeito do espúrio acordo (Agência Brasil, 2/10/16).
A Conferência Episcopal Colombiana apressou-se então a acalmar os ânimos das FARC, e convencê-los a continuar o caminho do acordo (Agência Ecclesia, 3/10/16). Juan Manuel Santos, alguns dias depois de derrotado no referendo, recebeu o prêmio Nobel da Paz 2016 (G1, 7/10/16). A opinião pública assistia atônita.
Pouco depois, contrariando o voto popular (!), o Congresso colombiano aprovou o acordo. Os efeitos foram desde o início denunciados, entre outros, pelo Centro Cultural Cruzada, associação coirmã do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira naquele país(*): impunidade para as FARC; legalização do narcotráfico e da lavagem de ativos ilícitos; não cumprimento da entrega das armas pelas FARC; desarmamento e redução do Exército; acesso ao Congresso para os guerrilheiros; ausência de reconhecimento dos crimes e de reparação às vítimas.
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Infelizmente, muitos dos pontos apontados pelos continuadores da TFP na Colômbia foram se efetivando, em grau maior ou menor.
Recentemente, o coronel José Luiz Esparza, um dos heróis da Operação Xeque atrás mencionada, foi desligado do Exército, enquanto se preparava para ascender ao cargo de general (El Colombiano, 15/9/21).
A vingança contra os militares parece ser uma constante. A retomada do Palácio de Justiça da Colômbia, sequestrado em 1985 pelo movimento terrorista M-19, valeu ao general e ao coronel responsáveis muitos anos de cárcere. Faz lembrar as “Comissões da Verdade” impulsionadas pelo governo do PT…
Não podemos deixar de mencionar que o governo Santos promoveu sorrateiramente as agendas abortista e de “gênero”, inclusive em seu acordo com as FARC (Hispanidad.com, 7/10/16). Seu ministro da saúde, Alejandro Gaviria, apoiava o aborto em todos os casos (El Comercio, 15/11/15).
Outra perigosa consequência foi o descrédito do eleitorado do centro, e o aumento dos votos da extrema esquerda ao final de seu governo.
Aplicação do caso à realidade brasileira
Podemos ver nesse sucinto apanhado algumas semelhanças com o cenário nacional recente, e o que pode facilmente acontecer caso a opinião pública brasileira se deixe levar por uma terceira via duvidosa.
Com efeito, muitas vozes há que hoje se levantam apresentando uma pretensa solução intermediária entre a orientação do atual governo – cujas lacunas a mídia constantemente exagera, quando não mente abertamente – e uma orientação socialista tout court.
E aqui reside o perigo: após tanto agastamento, o público, de cansaço, aceitar uma solução “Juan Manuel Santos”, reabrindo o caminho para a esquerdização, mas com fachada de “reconciliação nacional”. No final, o mesmo objetivo da esquerda terá sido alcançado.
O show: pretenso centrismo de Lula
Já no início de 2021, algumas das manobras começaram a tomar vulto. O bem informado jornal El País parecia celebrar o que chamava de “encontro inédito” entre Lula e Fernando Henrique Cardoso, que demonstraram uma “sintonia política que não tem precedentes desde 1985” (El País, 21/5/21).
Continua o quotidiano espanhol: “Desde que voltou ao jogo político, o ex-presidente Lula da Silva tem estado aberto ao diálogo com todos – inclusive aqueles que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff – e tem indicado sua disposição de levar o PT mais longe em direção ao centro, se necessário.”
Fernando Henrique afirmou na ocasião que apoiaria a Lula em um possível segundo turno. Para o jornal, “foi o sinal para quebrar as últimas resistências”. Sinal para quem? Para o público? Para a base do PSDB? Ou para todas as vertentes antigoverno?
Ninguém menos que o deputado Marcelo Freixo, expoente radical do radicalíssimo PSOL, comentou a união Lula-FHC: “É hora de diálogo e construção de consenso, porque o que está em jogo é a democracia e a vida dos brasileiros. Parabéns a Lula e a Cardoso por este gesto de grandeza e responsabilidade para com o país”.
Para o ultra-esquerdista, “a aproximação entre os dois pode resolver os problemas de todas as tentativas