A guerra injusta de Vladimir Putin
As razões alegadas pelo autocrata russo para invadir a Ucrânia não passam despercebidas. Ele não respeitou nenhum princípio da lei natural que justifique a guerra. Para maior clareza, vamos examiná-los.
O principal argumento de Putin para invadir a Ucrânia é o desejo daquele país de se tornar membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Ele afirma que isso é uma ameaça para a Rússia. Este argumento é falacioso porque o Tratado do Atlântico Norte é um tratado de defesa mútua. Foi criado em 1949 por países europeus, mais os Estados Unidos e o Canadá, justamente para proteger a Europa do expansionismo soviético. Seu artigo 5º, frequentemente citado, afirma: “As Partes concordam que um ataque armado contra uma ou mais delas na Europa ou na América do Norte será considerado um ataque contra todas elas”.5
A adesão à OTAN só poderia apresentar problemas para a Rússia se esta pretendesse atacar a Ucrânia, como aconteceu agora.
Além desse argumento primário, Putin usa outros que são completamente irracionais, como Paul Kirby comentou na BBC News: “Muitas das justificativas [do presidente Putin] para isso eram falsas ou irracionais. Ele alegou que seu objetivo era proteger as pessoas [os ucranianos] submetidas a importunação [bullying] e genocídio e visar a ‘desmilitarização e desnazificação’ da Ucrânia. Não houve genocídio na Ucrânia: ela é uma democracia vibrante, liderada por um presidente que é judeu”.6
Kirby acrescenta: “O presidente Putin tem acusado frequentemente a Ucrânia de ter sido tomada por extremistas, desde que seu presidente pró-Rússia, Viktor Yanukovych, foi deposto em 2014 após meses de protestos contra seu governo”.7
Putin supostamente um defensor da moral?
Alguns sites de inspiração católica e conservadora tentam justificar a invasão da Ucrânia, alegando que Putin é um “defensor da família”, enquanto os governantes ocidentais, que se opõem ao ataque, favorecem a imoralidade e promulgam leis imorais.
No entanto, Putin, que passou toda a sua carreira na temível KGB, não esconde sua ideologia comunista. Falando a alguns seguidores em 2016, ele disse que ainda tem sua carteirinha de membro do Partido Comunista, acrescentando: “Ainda gosto muito das ideias comunistas e socialistas”. Para ele, tais ideias são “como a Bíblia”.8
É preciso lembrar que, em Fátima, Nossa Senhora advertiu contra os erros da Rússia, ou seja, o comunismo. No entanto, mesmo se fosse verdade que o ex-coronel da KGB é um defensor declarado dos valores familiares, isso não lhe daria o direito de invadir a Ucrânia nem de transformar esse ataque não provocado em uma guerra justa. Como dizem os moralistas, “um mal não se torna certo ou lícito simplesmente porque um mal maior poderia ser escolhido”.9
Ademais, a admiração que esses círculos têm pela Rússia é injustificada. A Rússia é tão imoral quanto o Ocidente, se não mais. Tem a maior taxa de aborto do mundo.10 A prostituição é desenfreada, com alguns relatos da mídia afirmando que ali existem mais de três milhões de prostitutas (em uma população de 144 milhões).11
Volodymyr Zelenski, presidente da Ucrânia, acompanha as ações de defesa de Kiev.
“Globalização” socialista e dominação comunista
Muitos alegam a existência de uma conspiração ocidental para formar uma sociedade