seu sucessor para a direção do grande Império no qual se transformava o Brasil.
O mesmo anelo se voltou então para as duas filhas, Dona Isabel, sobre a qual recaía imediatamente a sucessão imperial, e Dona Leopoldina, que se lhe seguia.
Importava proporcionar a ambas primorosa formação para as futuras responsabilidades. Dom Pedro encontrou preceptora à altura em Luísa Margarida de Barros Portugal, Condessa de Barral, indicada por sua irmã mais velha, Dona Francisca de Bragança, Princesa de Joinville, de quem era dama de companhia em Paris.
Depois de ajustadas negociações que envolviam suas obrigações, e suas exigências, a Condessa veio para o Rio de Janeiro acompanhada de um filho menor. Inteligente, culta, com muita personalidade, soube cativar as duas meninas e desincumbiu-se eximiamente de sua tarefa.
Punha-se então a questão do casamento das duas Princesas, e Dom Pedro recorreu novamente à Dona Francisca. Irmã do Imperador do Brasil e da Rainha de Portugal, nora do exilado Rei Luís Filipe I, a Princesa de Joinville desfrutava de alta posição na sociedade francesa e soube encontrar candidatos à altura para o duplo consórcio, ambos netos do mesmo Rei Luís Filipe e primos entre si, o Príncipe Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, Duque de Saxe, destinado à Princesa Isabel, e o Príncipe Gastão de Orleans, Conde d’Eu, destinado à Princesa Leopoldina.
Dom Pedro II, movido talvez por sua experiência pessoal, fez questão de que os candidatos conhecessem as pretendidas antes da celebração de qualquer compromisso, e nessa condição embarcaram os Príncipes para o Rio de Janeiro em 1864. Sucessivas reuniões proporcionaram oportunidade para o mútuo conhecimento, e logo ficou claro que as empatias se davam em sentido cruzado. “Deus e nossos corações decidiram de outra maneira”, escreveria depois a Princesa Isabel.
Com a pompa requerida, o matrimônio da Princesa Isabel e do Conde d’Eu se realizou no dia 15 de outubro de 1864 na Capela Imperial do Rio de Janeiro, recebendo o casal a bênção nupcial do Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil. O enlace da Princesa Leopoldina e do Duque de Saxe ocorreria no dia 15 de dezembro.
Mas logo eclodiria a Guerra do Paraguai, e o Imperador acorreu ao front no Rio Grande do Sul acompanhado dos genros, cuja pertença à nova Pátria ficava assim selada por uma campanha militar.
Para melhor compreendermos a sucessão dinástica, Dom Bertrand poderia falar dos filhos da Princesa Isabel?
A maternidade é um dom sublime e, para uma Princesa herdeira, uma bênção. Mas para a Princesa Isabel foi também ocasião de muitas penas e não pequena angústia. Consumado o casamento, os anos se iam escoando sem que chegasse o rebento que o Imperador e os brasileiros aguardavam. Gestações penosas e frustradas se sucederam ao longo de 11 anos. A Princesa recorreu a meios humanos — médicos de renome no Brasil e na França, águas termais, e sobrenaturais — , a peregrinação a Santuários — ao de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, em 1868, quando formulou o propósito de doar à Imagem uma coroa de ouro cravejada de diamantes se sua súplica fosse atendida, promessa cumprida em novembro de 1888; e de Lourdes, na França, em 1873; também à cidade de Caxambu, em 1868, para um tratamento com suas famosas águas, quando prometeu erigir uma capela em honra de Santa Isabel da Hungria se lograsse engravidar, edificação a seu tempo concretizada.
Afinal, em 1875 nasce, não sem dificuldades, o primogênito, que recebeu o nome do avô materno, Pedro de Alcântara; em 1878 nasce Dom Luiz, meu avô, e em 1881, Dom Antônio. A Divina Providência atendia assim a instante súplica da Herdeira do Trono.
Como foi sua preparação para a vida pública?
― Meu pai, um dia esse povo me pertencerá?
― Não, minha filha, você é que pertencerá a esse povo!
Essa troca de palavras entre o Imperador aclamado e a princesinha encantada reflete bem o cuidado que teve Dom Pedro II em formar as filhas na noção do cumprimento do dever e do despojamento de interesses pessoais.
Dom Pedro II fez questão de lhes proporcionar apurada formação, em tudo condizente com seu nascimento e futuras responsabilidades. Tiveram os melhores professores do tempo, alguns dos quais haviam lecionado para o próprio Dom Pedro, e ele mesmo se incumbia de lhes ensinar latim, geometria e astronomia.
Três vezes foi a Princesa chamada a exercer a Regência, nas prolongadas viagens de Dom Pedro II ao Exterior em 1871, 1876 e 1887. Contou assim com seu longo aprendizado, mas também com seu próprio descortino para haver-se com os grandes homens do Segundo Reinado que presidiam em cada uma delas (a primeira com 25 anos) o Conselho de Ministros, a saber, o Visconde do Rio Branco, o Duque de Caxias, o Barão de Cotegipe e o Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira.
Foi então seu juramento: “Juro manter a Religião Católica Apostólica Romana, a integridade, a indivisibilidade do Império, observar e fazer observar a Constituição política da Nação brasileira e mais Leis do Império e a prover o bem do Brasil quanto a mim couber. Juro fidelidade ao Imperador e entregar-lhe o governo logo que cessar a causa de seu impedimento”.
Sua Alteza poderia nos falar dos períodos nos quais a Princesa Isabel exerceu a Regência do País?
A Primeira Regência foi marcada pela aprovação,