Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 852 | página 30-31
| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)

Não se pode ficar indiferente à acirrada e implacável perseguição que a ditadura comunista chinesa move contra os verdadeiros católicos fiéis a Roma. Mesmo assim, as autoridades vaticanas não disfarçam o apoio ao governo de Pequim. Apoio que semeia grande desconcerto dentro e fora da China.

riscos, aproveitando o mais possível esta vida, este é um homem de boa vontade.

Visto nesta perspectiva, o homem de boa vontade é um artífice da paz. Diz o ditado que “em casa onde falta o pão, todos brigam e ninguém tem razão”. Logo, onde há pão todos têm razão e há paz. Onde há pão, teto, remédios, segurança, com maior razão há necessariamente a paz.

Paz terrena libertada de implicações religiosas?

E a glória de Deus? Para o “homem de boa vontade” assim concebido, é ela um elemento supérfluo no que se refere à paz na Terra. Pois é da adequada ordenação da economia que decorre a boa ordem na vida social e política, e portanto a paz.

“Supérfluo” é dizer pouco, a respeito da glória de Deus no Céu, considerada em função da paz na Terra. Como alguns homens creem em Deus, e outros não creem, e como entre os que creem há diversidade no modo de entender Deus, este último pode atuar como perigoso fautor de divisões, discussões e polêmicas. Deus é um senhor por demais comprometido há milhares de anos em polêmicas, para que dele se fale a toda hora. Para ter paz na Terra é melhor não estar falando a todo momento sobre Deus e sua glória no Céu.

E depois... o Céu é tão vago, tão longínquo, tão incerto! Que dele falassem os Anjos, vá lá, pois lá moram. Mas nós, homens, cuidemos da Terra.

Unir a glória celeste à paz terrestre é para o “homem de boa vontade” algo de tão incorreto, supérfluo e pejado de fatores de luta como é, por exemplo, imprudente unir a Igreja ao Estado. A Igreja livre do Estado e o Estado livre da Igreja, eis um anelo bem típico do “homem de boa vontade”. A paz terrena libertada de implicações religiosas, e Deus no seu Céu e sua glória, sorrindo de braços cruzados para a Terra em paz, a uma tal distância da Terra que lá não chegue nem sequer o Lunik, eis o ideal do “homem de boa vontade”.

Sem que os homens deem glória a Deus, não há paz no mundo

Estas são as considerações do “homem de boa vontade” entre aspas, cujo coração está longe do Céu e cujo olhar só se detém sobre a Terra.

Contudo, quanto divergem elas do sentido próprio e natural do cântico angélico!

Realmente, se o Natal dá glória a Deus no mais alto dos Céus e simultaneamente é a fonte da paz na Terra para os homens de boa vontade — foi o que os Anjos proclamaram em seu cântico — não se pode dissociar uma coisa da outra. Sem que os homens deem glória a Deus, não há paz no mundo. E a guerra, enquanto considerada no agressor culpado, é incompatível com a glória de Deus.

Vós, Senhor Jesus, Deus humanado, sois entre os homens o Príncipe da Paz. Sem Vós a paz é uma mentira e, afinal, tudo se converte em guerra.

E é porque os homens não compreendem isto, que procuram de todos os modos a paz, mas a paz não habita no meio deles.

A “boa vontade” inautêntica e agnóstica

O que é então o homem de boa vontade, se não é o homem que ama o próximo? Será porventura o que odeia seu próximo?

Ao fariseu, que Vos chamou de bom Mestre, perguntastes: por que Me chamais de bom, se só Deus é bom? (cfr. Lc 18, 19 ).

Se só Deus é bom, a boa vontade autêntica é a que se volta toda para Deus, e ama o próximo, não pelo mero amor do próximo, mas pelo amor de Deus. O homem é tal, que não pode amar o próximo pelo próximo. Ou o ama por amor de si mesmo, e isto é egoísmo. Ou o ama por Deus, e isto sim é amor verdadeiro.

Em consequência, a “boa vontade” agnóstica e a paz terrena que ela tende a instaurar, nem são boa vontade autêntica, nem paz verdadeira.

E o falso “homem de boa vontade” é em última análise um semeador de guerras e um artífice de ruínas.

Paz é a mera abstração de controvérsias?

Mas, dirá alguém, como pode ser Jesus o fundamento da paz, se ninguém como Ele tem suscitado tanto ódio? O populacho, cumulado por Ele de favores espirituais e materiais de toda ordem, preferiu Barrabás, um bandido. Isto não é ódio? Os Impera-

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