Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 852 | página 44-45
| VIDAS DE SANTOS | (continuação)

ros que vinham à corte, mal tinham tido audiência com o rei, iam visitá-lo, quer para obter seu favor junto ao soberano, quer para gozar o prazer de seu convívio”.

Ninguém era mais humilde e mais modesto do que ele e, entretanto, percebia-se em sua face uma santa alegria que encantava a todos que tinham a felicidade de falar com ele. Jamais foi visto encolerizado nem impaciente, nem ousado em suas palavras, nem intemperante em suas refeições, nem apaixonado pela glória”.3

Zeloso pela ortodoxia

Santo Elói se tornou o amparo dos pobres, chegando a dar-lhes as próprias vestimentas. O rei, sabendo do destino que elas teriam, lhe dava algumas peças de seu guarda-roupa.

Outros protegidos desse santo Ministro foram os escravos, para cujo resgate empregava grandes somas. Se fossem estrangeiros, dava-lhes o necessário para voltarem à sua pátria; se não, procurava-lhes um emprego. Mas, acima de tudo, queria ganhá-los para a religião e a virtude. Conservou alguns deles, com os quais vivia como religioso em sua casa.

Santo Elói fundou vários mosteiros, entre os quais o de Solignac, perto de Limoges, para monges dedicados à arte da ourivesaria, cujo trabalho, feito em espírito de oração, desse maior decoro à Casa de Deus. Esse mosteiro — que estava sob a proteção do rei, e não da diocese — tinha, ainda em vida do santo, mais de 150 monges, que seguiam as regras de São Bento e de São Columbano. O fervor religioso e o ardor no trabalho que nele reinavam tornaram-no um dos mosteiros mais prósperos de sua época.

Fundou também dois mosteiros para monjas, confiando um deles a Santa Áurea e o outro a Santa Godoberta. Edificou ainda várias igrejas e mosteiros.

“Embora seja um simples leigo, trabalha com ardor pela pureza da Igreja, persegue os simoníacos, confunde os hereges, reúne assembleias de Bispos, constrói igrejas, funda e organiza mosteiros, detém a propaganda monotelista dos emissários bizantinos”.4

Mesmo estando ainda na vida secular, Santo Elói “recebeu de modo eminente o dom dos milagres. Curou um homem paralítico, dois mancos e um pobre cuja mão secara; fez voltar à vida um morto, deu a vista a um cego; multiplicou tão prodigiosamente algumas gotas de vinho que restaram numa garrafa, que teve o suficiente para uma tropa de mendigos que lhe pediam esmolas.

“Encontrou milagrosamente dinheiro em sua bolsa, após sua caridade tê-la esvaziado inteiramente; por uma fervorosa prece a Deus, forçou ladrões a devolverem na noite seguinte os mais ricos ornamentos da igreja de Santa Colomba que haviam roubado”.5

Pastor de almas

Falecendo Santo Acário, Bispo de Noyon (França), o clero e os fiéis daquela diocese — como era costume da época — escolheram para lhe suceder Santo Elói, mesmo tratando-se de um leigo. Este relutou em aceitar tamanha responsabilidade. Mas teve que ceder. Preparou-se durante um ano com São Cesário de Arles para receber o sacerdócio, sendo por ele sagrado bispo em maio de 641, juntamente com seu amigo Santo Ouen.

O bispo titular de Noyon era ao mesmo tempo administrador de outras dioceses, como Tournai, nos Países Baixos, o que representava um enorme campo

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