| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)um de cada lado da fonte primitiva; e, uma vez mais, a água cristalina jorrou copiosamente, enchendo rapidamente um grande reservatório construído de concreto. Alguns habitantes que assistiram ao evento atestam que aquilo não aconteceria sem uma ação sobrenatural. Com esse renovado milagre, a dificuldade hídrica estava sanada, tanto para os peregrinos quanto para as construções projetadas.Sem nenhuma propaganda, no entanto, começou-se a perceber que aquelas águas estavam produzindo curas corporais e espirituais. Assim, os peregrinos levavam para suas casas garrafas com aquele ‘antídoto celestial’ colhido nas fontes benditas, a fim de o ministrarem aos enfermos que não tinham condições físicas ou econômicas de se deslocarem até aquele lugar sacrossanto. Garrafinhas daquela água eram expedidas por correio para outros recantos de Portugal, e até para o Brasil. Na época, pensou-se em construir tanques com aquelas abençoadas águas — como as célebres piscinas existentes em Lourdes — para os enfermos se banharem individualmente. Mas nunca isso foi concretizado... Por quê? Não se tem conhecimento de explicação para essa manifestação de evidente incredulidade, mas voltaremos ao assunto.O que se construiu no local das fontes foi um monumento ao Sagrado Coração de Jesus, cuja coluna está no centro do grande reservatório dotado de 15 torneiras em honra dos 15 mistérios do Santo Rosário. O precioso líquido era distribuído gratuitamente por voluntários, que não podiam receber gorjetas."A água da fonte miraculosa é levada pelos romeiros ou expedida pelo correio para todos os recantos do país. O concurso de peregrinos ao Santuário das aparições intensifica-se de ano para ano, e todos aqueles que vão a Fátima uma vez anseiam por lá voltar mais vezes, sendo aquela viagem a única que não cansa o espírito, e que produz sempre sensações novas e inolvidáveis. Fátima, a Lourdes portuguesa, é verdadeiramente um cantinho do Céu, que fascina todas as almas e prende e cativa todos os corações".6
Alguns golinhos da água de Fátima
A título de exemplo, reproduzimos o relato de um dos inúmeros milagres comprovados, operados pelas águas das fontes de Fátima em pessoas que se encontravam entre a vida e a morte. O leitor encontrará outros relatos nas páginas finais desta matéria. "Teresa de Jesus Martins, de 19 anos, casada, residente em Lisboa na Avenida das Cortes, contraíra uma tuberculose pulmonar, com fortes hemoptises, que deixaram alarmada a família. Os médicos prescreveram-lhe os tratamentos de praxe, inclusive a saída de Lisboa, e tentaram até interná-la no Sanatório de Portalegre."Por fim, internada no pavilhão de tuberculosos nº 5 do Hospital do Rego, no Campo Grande, impossível foi acomodar-se ali à vida de hospitalizada. Tinha chegado a um estado de extrema fraqueza e de palidez cadavérica."Entretanto, tendo-lhe sido dado um frasquinho com água da Fátima, ao mesmo tempo que lhe davam a conhecer as curas extraordinárias operadas por Nossa Senhora, sentiu tão grande confiança n’Ela, que, debulhada em lágrimas, se pôs a invocá-La, fazendo-Lhe várias promessas para o caso em que se curasse."Todos os dias, e cada vez com mais fervor, renovava as suas súplicas, recitando o terço e tomando desde o primeiro dia algumas gotas da água. À medida que bebia um golinho e fazia as costumadas orações, as pontadas desapareciam quase por encanto, sentia-se aliviada e bem disposta. Nunca deixou de rezar o terço, o que alguns dias fez duas e três vezes."Pouco depois haviam passado as hemoptises. Ao cabo de três semanas desapareceram as pontadas, e no fim de um mês estava completamente curada. O médico, ao vê-la pouco depois tão transformada, forte, gorda, corada e aparentando uma saúde esplêndida, não pôde dissimular sua surpresa. Observou-a com toda a atenção e declarou-lhe que, tendo-a julgado perdida, achava-a agora completamente curada. O que reputava inexplicável, quer se considerasse o estado desesperado em que a vira, quer a rapidez com que se efetuara a cura."Eis o atestado assinado pelo distinto clínico de Lisboa, a 15 de janeiro de 1923, e devidamente reconhecido:‘Atesto que a Sra. Dª. Teresa de Jesus Martins, de 19 anos de idade, natural de A-dos-Cunhados, concelho de Torres Vedras, foi por mim tratada em junho e julho de 1922, de tuberculose pulmonar com hemoptises, febre vesperal, emagrecimento, suores noturnos; hoje não subsistem sinais clínicos dessa doença. E por ser verdade, passo o presente que assino e juro pela minha honra’" (Voz de Fátima, nº 8).7
Maledicências, boatos e perseguição anticatólica
Como não poderia deixar de ocorrer, os inimigos da Igreja não conseguiam presenciar tal prova do amor de Deus, de fé e devoção à sua Santa Mãe, sem se organizarem para espalhar boatos e promover perseguições aos católicos.A título de exemplo, eis um caso: certo dia, o administrador de Vila Nova de Ourém, Antônio de Sá Pavilom, acompanhado de um subdelegado de saúde, apareceu na casa do Pe. Agostinho Marques Ferreira, Pároco de Fátima, a fim de examinarem nas fontes as "águas barrentas com pedaços de algodão ensopados em sangue, porque ali iam vários peregrinos cobertos de chagas, lavar as suas feridas".Após o ‘exame’, o administrador mandou fechar aquelas fontes, dizendo que "era prejudicial à saúde pública". Ao que o Pe. Agostinho respondeu que, apesar do que diziam das águas, "não constava que ninguém tivesse morrido, nem tampouco adoecido, por a ter ingerido. Mas, ao contrário, muita gente dizia ter-se curado de várias enfermidades depois de beber tal água".8
Mesmo com os milagres, continuava o murmúrio dos ateus
Noutra ocasião, como os fiéis continuavam a fazer uso daquelas águas milagrosas, o administrador e o médico voltaram à porta do Pároco de Fátima, alegando terem ouvido falar que "as águas do fontanário estavam envenenadas". O Pe. Agostinho os acompanhou até lá e retirou um balde cheio daquela água. Viram que era puríssima, e o médico foi obrigado a confessar que era potável.Com o tempo, o administrador passou de perseguidor a ajudante dos romeiros que chegavam a Fátima. Ele pôde constatar a falsidade de tudo quanto seus ‘amigos’ ateus e anticlericais espalhavam contra os prodígios operados pelas águas da Cova da Iria. "Isto já parece ser realmente um milagre, pois que hei-de dizer duma água em tal estado que não faz mal a quem a bebe, mas até cura tantas e tão grandes enfermidades?".9Mesmo com milagres evidentes e curas inexplicáveis para a ciência, comprovadas por diversos médicos, o complô anticlerical continuou espalhando pela imprensa liberal da época que aquelas águas estavam contaminadas de micróbios. O ódio anticatólico era tal que, no dia 6 de março de 1922, a Capelinha localizada ao lado da bendita azinheira foi destruída por quatro bombas.
Por que tanto ódio contra Nossa Senhora, se Ela só fazia o bem aos enfermos de alma e de corpo? Seus adversários a odiavam porque Ela distribuía ali abundantes graças para Portugal e o mundo, operava inúmeras curas, convertia muita gente que vivia fora da Igreja e/ou atolada na vida pecaminosa, além de reconfortar numerosos sofredores.
A água maravilhosa levada para terras distantes
Com o título "As fontes miraculosas de Fátima", o site www.pliniocorreadeoliveira.info transcreve um precioso documento e uma bela oração, relativos às águas do abençoado fontanário da Cova da Iria:"A leitura da obra Novos esplendores de Fátima, dePágina seguinte