Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 844 | página 44-45
| DESTAQUE | (continuação) Os princípios de pensamento e ação que o Pontífice ditou e controlou pessoalmente em cada artigo explicam o fundo da impostação que o Prof. Plinio imprimiu à revista Catolicismo. Na introdução de seu primeiro número,1 "La Civiltà Cattolica" ergueu o gládio da palavra contra o jornalismo revolucionário. E no primeiro número de Catolicismo, quase um século depois, o mesmo fez o Prof. Plinio, apontando a finalidade de Catolicismo como "A Cruzada do Século XX". Na introdução programática do seu primeiro número, "La Civiltà Cattolica" avançou de lança em riste contra o mau jornalismo: "Por mais delicado e imparcial que se queira ser com o jornalismo, jamais se poderá dissimular o lado impuro e turvo de suas origens [...]. O jornalismo é um instrumento de perpétua agitação dos povos, uma potência social tanto mais formidável quanto é independente de todo indivíduo em toda a Europa. Esse poder não provém de outro país que não seja a França, nem de outro tempo que não seja 1789 [Revolução Francesa], e é estritamente uma criação revolucionária".

A tirania da má imprensa

A linha da revista lançada pelo Bem-aventurado Pio IX denunciava que o jornalismo revolucionário não difunde tanto ideias boas quanto ideias más: "Basta olhar as pessoas que de fato o organizam, e os meios de que dispõem, e nenhum homem equilibrado deixará de concluir que está montado para espalhar o erro antes que difundir a verdade". O Papa prosseguia mostrando que esse mau jornalismo não pode ocupar o posto de honra que a civilização moderna lhe concede: "Ele será julgado como aquilo que em verdade é: uma praga da sociedade hodierna, tão perniciosa quanto essa sociedade que não o considera uma praga, mas pior, se apraz e se adorna com ele como se fosse uma beleza ou uma joia". Carlos de Laet : "A imprensa pode, efetivamente, influir no governo de um país, constituindo aquilo que já se chamou o quarto poder do Estado" Carlos de Laet, então presidente da Academia Brasileira de Letras, verberou essa má imprensa em 8 de maio de 1902: "Tirania da imprensa! Sim, tirania da imprensa... o povo ainda não compreendeu que uma das maiores tiranias que o oprime é a da imprensa; antes a reputa uma salvaguarda dos seus interesses e a vingadora de seus direitos [...]. Contai o número imenso de homens que não podem figurar na imprensa, [...] contai, por outra parte, o minguado número de jornalistas, e dizei-me se não se trata de uma verdadeira oligarquia, do temeroso predomínio de um grupinho de homens sobre a quase totalidade de seus concidadãos. E que poder exerce esse grupo minúsculo? Enorme. A imprensa pode, efetivamente, influir no governo de um país, constituindo aquilo que já se chamou o quarto poder do Estado".2 Como podem esse macrocapitalismo midiático e/ou as Big Techs submeter as sociedades? A explicação nos é dada pela revista suscitada por Pio IX, que nos seus primórdios tantas esperanças lhe causaram: "Esse fato incontestável tem uma explicação natural e simplicíssima: o pouco vigor intelectual que se encontra entre os homens. Esses, na sua imensa maioria, não pensam por si mesmos, mas pensam e julgam com o cérebro de outro, falam com a língua de outrem, e renunciando à sua própria independência ou autonomia, dependem cegamente e se deixam levar pelo nariz por articulista cujo pensamento se compra no mercado. "Os gozadores do mundo, por cujos muito graves compromissos com o teatro, as festas e os passeios não discorrem com sua cabeça, deixam que o jornalista aja em seu lugar e aceitam dele as premissas, dizendo: ‘O que vos parece? Eu li hoje em meu jornal!’ Acontece portanto que, nos países onde o jornalismo está na moda, ele se converte na suprema potência social, recebida como dogmática pela opinião pública, sendo a verdadeira dona e rainha do mundo". A corajosa revista constatava que, em face da enxurrada de males intelectuais, religiosos, culturais e sociais despejados pela mídia revolucionária, não basta um jornalismo cristão moderado ou mero difusor de doutrinas tradicionais, como alguns praticam não sem mérito. Pe. Carlo Maria Curci, fundador de "La Civiltà Cattolica". Embaixo, alguns volumes das primeiras edições da revista. Aqueles que perceberam esse despotismo através do prisma ideológico e religioso da "La Civiltà Cattolica" originária, e atualmente de Catolicismo, podem ser tentados a renunciar a toda esperança racional e apelar às armas ou às ditaduras, para afastar ideias ou partidos injustos — em geral com deplorável resultado. Foi assim no século XIX, como dizia a introdução que comentamos: "Enquanto enfurece a chama impura e devastadora do socialismo, a França está condenada a tolerar os jornais socialistas que sopram o incêndio com uma pertinácia infernal, Página seguinte