| DESTAQUE | (continuação)não achando outro remédio senão meio milhão de baionetas para enfrentar a incertíssima empresa de impedir que a chama vire feroz incêndio".
Importância da luta no campo das ideias
Em meados do século XIX, o porvir anunciava-se agitado e nebuloso. Os articulistas escolados por Pio IX percebiam a urgência de restaurar os ideais católicos, estranhamente amolecidos e viciados em suas raízes. Como Plinio Corrêa de Oliveira no século XX, eles viam que não se conserta a sociedade com armas ou reformas econômicas: "Trata-se de iluminar as mentes, de endireitar as ideias, de esclarecer os fatos, de proclamar as verdades que esses tempos turbulentos e tempestuosos tornam inacessíveis e ninguém escuta. É a isto que devemos tender".E prosseguia louvando as publicações católicas que defendem esse ideal, porém destacando que a publicação querida por Pio IX o fazia em termos mais categóricos. Por isso havia escolhido como título, bandeira de guerra e estandarte de honra "A Civilização Católica", e fazia dela uma solene profissão de fé.No mesmo sentido, no artigo inaugural de Catolicismo Dr. Plinio convocava para a mesma luta: "Caminhamos para a civilização católica que poderá nascer dos escombros do mundo de hoje, como dos escombros do mundo romano nasceu a civilização medieval. Caminhamos para a conquista deste ideal, com a coragem, a perseverança, a resolução de enfrentar e vencer todos os obstáculos, com que os cruzados marcharam para Jerusalém".3Mantendo alto essa impostação, Catolicismo comemorou seus 70 anos como a publicação que certamente desagradou os "politicamente corretos", que não têm a "coragem de enfrentar ventos e marés, contra a avalanche de opiniões vulgarmente divulgadas pela maioria da mídia contemporânea". Ufana de ser a "revista das verdades e virtudes esquecidas", não é nem pretende ser "um eco repetidor de falsas ideologias, vulgaridades, contestações infundadas", nem mesmo arredondando-as com palavras "dialogantes", para não desagradar à macromídia, aos cresos das redes sociais, ou até mesmo aos católicos mornos!
Cruzada pela civilização autenticamente católica
Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: "Caminhamos para a civilização católica que poderá nascer dos escombros do mundo de hoje, como dos escombros do mundo romano nasceu a civilização medieval. Caminhamos para a conquista deste ideal, com a coragem, a perseverança, a resolução de enfrentar e vencer todos os obstáculos, com que os cruzados marcharam para Jerusalém".Foi bem esse o discernimento de Dr. Plinio escolhendo o nome Catolicismo — correspondendo à profissão pública e destemida da ordem católica. E para não deixar dúvidas, resumiu depois esse objetivo no ensaio Revolução e Contra-Revolução: "Restaurar e promover a cultura e a civilização católica", definida por ele como "a estruturação de todas as relações humanas e instituições humanas, e do próprio Estado, segundo a doutrina da Igreja".4 Ou seja, "a civilização cristã, austera e hierárquica, fundamentalmente sacral, anti-igualitária e antiliberal".Nossa Senhora apresentou em Fátima a luta contra um "inimigo terrível", ao qual Dr. Plinio associou o nome Revolução: "Uma explosão de orgulho e sensualidade que inspirou toda uma cadeia de sistemas ideológicos, de cuja larga aceitação no mundo inteiro decorreram as três grandes revoluções da História do Ocidente: a Pseudo-Reforma, a Revolução Francesa e o Comunismo".Os jesuítas reunidos pelo Papa Pio IX proclamavam que não há outra civilização senão a autenticamente católica e romana. É dessa civilização que o Brasil e as Américas são herdeiros ufanos. Por suprema desventura, nos últimos cinco séculos a Civilização Cristã foi sabotada, minada e posta no limite da extinção pelo gênio satânico da Revolução.Mas os destemidos polemistas do Beato Papa Pio IX, e a escola que Dr. Plinio formou e lançou à lide, compartem a certeza de que, quaisquer que sejam as dimensões do adversário, seus dias estão contados e a Civilização Cristã resplandecerá no Reino de Maria Virgem, por Ela anunciado como dotado de um fulgor historicamente incomparável.Cortar o passo às aberrações luteranas, voltairianas, socialistas, sorbonianas e católico-progressistas que precipitam o mundo civil e eclesiástico no caos, é o alvo da Cruzada convocada por Pio IX, afervorada por São Pio X e retomada com ímpeto e visão profética por Plinio Corrêa de Oliveira. Ela nos conduzirá à realização das promessas de Fátima.
Jamais pactuar com os partidários do relativismo
Os fundadores de "La Civiltà Cattolica" falavam de uma realidade apocalíptica: "a corrupção da Fé católica". Corrupção pelos maus exemplos e maus ensinamentos, que descem da cúpula de maus eclesiásticos e das cúpulas temporais onde se articula a conspiração e a revolta. Mas advertiam que os católicos, quando temem diante desse Leviatã, revelam desconhecer os homens e a História. Pois acima dos choques, catástrofes e conflagrações paira o cetro onipotente com que Deus rege a arquitetonia da História.Por isso a Introdução da revista abençoada por Pio IX impetrava que jamais suas páginas acolhessem aquela falta de decoro, considerada por alguns como um "maravilhoso achado: o da tolerância moderna, que leva os católicos moles a não polemizar, a não fazer nada [...]. Os partidários da moderação ilimitada nos estão levando direto ao precipício".Esse princípio do Sumo Pontífice, Plinio Corrêa de Oliveira sempre insistiu em ensiná-lo aos redatores de Catolicismo. Por exemplo, escreveu: "O amortecimento do princípio de contradição gera o gosto, a mania das soluções intermediárias, eu quase diria a servidão às soluções intermediárias [...]. Estamos no século da quinta coluna, e esta é uma das formas mais hábeis de solapar os meios católicos".Catolicismo pode reafirmar, sem receio de ser contestado, que é "um órgão de combate contra-revolucionário, sem relativismos entreguistas, inteiramente independente, sem vinculação com interesses escusos. Nosso único compromisso ‘é com o Magistério tradicional da única Religião verdadeira — a Santa Igreja Católica Apostólica Romana’". Fiel também ao que Nosso Senhor ordenou: "Seja vossa linguagem sim, sim; não, não" (Mt 5, 37). Assim agindo, temos a certeza de que, do alto do Céu, o bem-aventurado Papa Pio IX nos vê como continuadores de sua ínclita iniciativa de combate por meio da boa imprensa.Notas:1. "Il giornalismo moderno ed il nostro programma", La Civiltà Cattolica, anno I, volume I della serie prima, nona edizione, 1862.2. "O frade estrangeiro e outros escritos", Edição da Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, 1953, pp. 80-81.3. Catolicismo nº 1. Vide: http://catolicismo.com.br/acervo/num/0001/P01.html4. Catolicismo nº 100, abril/1959. Vide: http://catolicismo.com.br/acervo/num/0100/P01.htmlPágina seguinte