Egito: as pirâmides de Quéops, Quefrem e Miquerinos.Já bem antes de Roma, era possível seguir a evolução das construções do primitivo Egito até as pirâmides de Quéops, Quefrem e Miquerinos. Durante milênios os egípcios construíram. Chegaram a um estilo único, a partir do qual repetiram a forma de sua arquitetura, e a ela agregaram colunas e esfinges. Mas pararam nisso, e hoje não se entende por que não desenvolveram as mil possibilidades que tinham para aprimorar sua arquitetura. Por que faltou fertilidade aos egípcios?Os exemplos de arquitetura pagã dão-nos a impressão de povos semelhantes a árvores nascidas para produzir muitas safras, entretanto geraram uma só, e nela se fixaram. Esses povos perderam a propulsão inicial. Passando-se os milênios, seus frutos magníficos secaram no tronco que os gerou, antes mesmo de amadurecerem. Criaram belezas que atingiram um grau de perfeição, mas a partir de determinado momento não mais se moveram. Fixaram-se à espera de suas próprias ruínas.Ao denotar o movimento das almas ao longo da História, a arte arquitetural revela o caminhar de toda a cultura de um povo. Seu pensamento e suas orações incutem formas a seus monumentos.O historiador norte-americano Henry Osborn Taylor bem assinala o progresso do pensamento religioso na Cristandade. O acréscimo de fervor dos santos ao longo dos séculos foi compartilhado pelo desenvolvimento dos estilos românico e gótico cuja finalidade era a mesma da oração; ou seja, elevar a alma a Deus. O gótico é oração expressa, não por meio da escrita, mas pela pedra. "É verdade que Santo Agostinho tinha um grande amor de Deus. Com grande fervor ele degustava esse amor; analisava-o racionalmente e nessa análise seu pensamento se abrasava. Entretanto, sua oração ainda não transmitia aquela ternura pelo Cristo divinamente humano que vibrava nas palavras de São Bernardo e fazia da vida de São Francisco um poema lírico".*Assim, o santo, o poeta e o mestre de obras se uniam no mesmo progresso. No mundo cristão, sob as bênçãos da Igreja, a estagnação pagã não se deu. Os estilos e seu aperfeiçoamento ao longo dos séculos e das épocas são notáveis. Estilos se sucederam a estilos nos povos cristãos, e nossas igrejas ostentam imagens de santos dos mais variados séculos, irmanados dentro da eternidade e falando às multidões de modo comovedor.Na face de um mártir da época das perseguições de Diocleciano espelha-se a mesma luz sobrenatural que, muitos séculos depois, circunda a fisionomia severa e doce de São Pio X. Ambas resultam da mobilidade católica, inspirando a cultura e civilização cristãs. A Igreja tem vida sobrenatural, e essa vida propulsiona seu progresso. O estímulo católico vem da presença em seu seio do próprio Deus, vivo e verdadeiro. Enquanto houver fidelidade a essa Presença divina, a Igreja realizará maravilhas em todos os domínios da atividade humana: Omnia possum in eo qui me confortat ("Tudo posso n’Aquele que me conforta" (Phil. 4, 13).À cultura pagã, pelo contrário, falta energia vital. Alcançado um grau de esplendor, à míngua de propulsão para o alto ela não continua sua marcha ascensional, não acompanha os passos da História.
Estilo românico
Igreja de São Clemente de Tahúll, de estilo românico, na Catalunha.O estilo diretamente inspirado pela Igreja em seus primeiros tempos é o românico. É a continuação do estilo romano, acrescido de algo novo. Dele jorra um novo esplendor repleto de sugestões, que mais tarde se realizariam numa nova forma de beleza que foi o estilo gótico. O vigor de alma palpitante no estilo românico pressagiava um esplendor ainda mais fulgurante, e o gótico realizou essa promessa.Na medida em que o românico vai se desenvolvendo, suas paredes vão se tornando mais grossas, sua silhueta se torna mais séria. Dir-se-ia que, com seu afirmamento, as pedras as tornam mais duras e ele vai adquirindo outra fisionomia. Visto de fora o prédio mostra uma fisionomia um tanto sombria, pensativa, nobremente ameaçadora; mas internamente ele se torna acolhedor e suave.O aspecto de fortaleza que se observa na fachada reflete o tempo das invasões bárbaras e sarracenas, além do combate às heresias. Em seu interior, no entanto, ele se enche de doçura, protege e abriga o povo fiel. Condensando assim no seu conjunto a expressão de sua vida, a fachada chama à árdua luta apostólica, e no interior a doçura materna aponta para o Céu. Duas características aparentemente conflitantes — a luta e a proteção afetuosa — entretanto tornadas harmônicas no regaço materno da Santa Igreja.
Estilo gótico
Santo Antonio de Pádua (detalhe) – Giotto, Aparição de São Francisco em Arles (1297-1300). Basílica de São Francisco, em Assis.Como evoluiu o estilo românico? Em determinado momento seus arcos se ergueram, afilaram-se, suavizaram-se e terminaram em ponta encimada por uma cruz, transformando-se no arco ogival gótico. Este arco tornou-se moldura para um novo elemento, ainda mais suave e maravilhoso: os primeiros vitrais. Os Evangelhos, os dogmas, a história sagrada e eclesiástica — tudo isso narrado em vidro multicolorido — passaram a guarnecer aberturas na pedra, e através delas jorravam luz, cores e milagres sobre fiéis deslumbrados.As torres externas das catedrais começaram a se rendilhar em esculturas e nos mil ornatos próprios ao gótico. Começaram a aparecer anjos, profetas, reis, cortejos de santos, Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora, imagens que até então eram mostradas apenas no interior do templo feito para abrigá-las.Fachada da catedral gótica de Orvieto, Itália.A partir de um momento impreciso os mestres construtores medievais decidiram expor tais imagens fora da igreja. E numa pedra opaca enquanto pedra, mas transparente de espiritualidade, elas passaram a agir como oradores mudos, atraindo pela expressão de bondade,Página seguinte