Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 831 | página 38-39

| VIDAS DE SANTOS |

SÃO CLEMENTE MARIA HOFBAUER

Plinio Maria Solimeo

Neste mês se comemora o bicentenário desse grande santo, falecido em 15 de março de 1820 e considerado “coluna da Igreja”, razão pela qual foi muito perseguido pelo clero progressista de sua época.

Nas horas de dificuldade ele se dirigia à igreja e batia na porta do sacrário, dizendo: “Senhor, agora é tempo de nos socorrer”. Depois desse ato de confiança, geralmente vinha o auxílio desejado.

No dia 26 de dezembro de 1751 nascia em Tasswitz, na Morávia (então pertencente ao Império Austríaco), São Clemente Hofbauer. A riqueza de seus pais — os camponeses Pedro Paulo e Maria Steer — consistia em ser uma grande família com muita fé em Deus. Quinto dos 12 filhos do casal, Clemente perdeu seu pai aos seis anos de idade. Diante de um Crucifixo, sua mãe então lhe disse: “De agora em diante, este será teu único pai; procura seguir seus passos e levar uma vida conforme sua vontade santíssima”.

Deus o dotara de um coração extraordinariamente propenso ao bem, reto e sincero. Tinha um amor entranhado ao Sacramento da Eucaristia e à Santíssima Virgem, sendo o Rosário sua oração predileta. Completou o curso primário na escola local, enquanto ajudava a mãe no campo. Embora sentisse verdadeira vocação para o sacerdócio, a pobreza da mãe não permitiu que continuasse os estudos.

Dificuldades para a ordenação sacerdotal

Até ordenar-se sacerdote sua vida foi como a dos “rios chineses”, que normalmente só chegam ao mar depois de darem muitas voltas. Aos catorze anos tornou-se aprendiz de padeiro. Depois disso, sempre à espera de uma oportunidade para estudar, foi encarregado do refeitório dos padres premonstratenses de Bruck, onde concluiu o curso ginasial. Tornou-se eremita perto de Mulfrauen, voltando depois à profissão de padeiro, para retornar à vida eremítica, desta vez em Tivoli (Itália). Aos 32 anos, quando parecia que seu sonho nunca mais se realizaria, benfeitoras pagaram o seus estudos na Universidade de Viena. Mas como as leis anticatólicas do Imperador José II, “déspota esclarecido”, criavam obstáculo à sua ordenação na Áustria, voltou para a Itália, onde ingressou na recém-fundada Congregação do Santíssimo Redentor (redentoristas), nela recebendo a ordenação sacerdotal em 1786.

Na Polônia, corrupção e decadência religiosa

São Clemente deveria introduzir a Ordem Redentorista nos países de língua alemã, entretanto não podia exercer seu apostolado na Áustria, pois o imperador José II, instigado por alguns ministros, baixara vários decretos em detrimento da Igreja Católica: suprimiu conventos, perseguiu religiosos e impediu o exercício livre do culto divino. Por isso, a pedido do Núncio Apostólico em Varsóvia, ele foi para a Polônia.

A situação social e religiosa desse país, afligido por contínuas guerras, era desastrosa. Abalada a fé, os costumes estavam dissolutos e a pobreza reinava. O santo escreveu nessa ocasião: “Escândalos e vícios atingiram seu auge, sendo difícil encontrar o caminho mais seguro e o modo mais eficaz de melhorar a situação. Desde o clero até o mais miserável mendigo, tudo se encontra corrompido. Temo muito que Deus descarregue algum golpe terrível sobre esta nação, que assim despreza suas graças e favores. Roguemos para que meus temores não se cumpram”. Mas eles se cumpriram à risca: em 1795 a Rússia, a Áustria e a Prússia repartiram entre si a desventurada Polônia. Em meio ao caos reinante, a Religião quase desapareceu.

O santo recebeu o encargo de cuidar da igreja de São Beno, dos alemães. A pobreza em que vivia a população era tão grande, que às vezes faltava o necessário para a própria subsistência. Nessas horas ele se dirigia à igreja e batia na porta do sacrário, dizendo: “Senhor, agora é tempo de nos socorrer”. Depois desse ato de confiança, geralmente vinha o auxílio desejado.

Grande conhecedor da psicologia humana, para atrair os fiéis ele se empenhava sobretudo em exercer as funções litúrgicas com muita pompa. E esclarecia: “As solenidades públicas atraem por seu esplendor, e aos poucos cativam o povo, que ouve mais com os olhos do que com os ouvidos”. Apesar da dificuldade financeira, encomendou paramentos belos e ricos. Recorria muito frequentemente à exposição solene do Santíssimo Sacramento, às procissões, novenas e tríduos. Ressuscitou associações tradicionais de piedade e criou outras, tanto para homens quanto para mulheres e crianças. Fundou uma espécie de Ordem Terceira dos redentoristas, os “oblatos”, entre os quais figuravam sacerdotes e pessoas de ambos os sexos, de todas as classes sociais. Tinha como finalidade promover

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