(continuação)
entre os homens é que seria conforme ao Evangelho, erradicada, ademais, qualquer outra diversidade social. [...] entendem esses católicos que todos os outros homens, que gozam de bens além da medida do estritamente necessário para viver, devem renunciar não só aos bens supérfluos, mas até aos que lhes são absolutamente necessários para poderem conservar o modo de vida segundo a posição social, que lhes é próprio. Por isso, para tais católicos, toda opulência familiar ou nacional deve ser sempre tida por roubo e injusta retenção de bens que pertenceriam às classes mais modestas. Daí deduzem [...] que as classes mais modestas têm estrito direito aos bens que devem ser considerados necessários [...] e podem tomá-los pela força. O que, quando aplicado ao convívio dos povos, resulta em que as nações de menor riqueza têm direito de exigir das nações mais cultas e ricas participação nos bens que estas possuem, quer de cultura, quer de fortuna. [...]
"2 – a Santa Sé deve distribuir para ajudar os pobres e os necessitados, os tesouros do Vaticano e das Basílicas romanas, assim como as obras de arte que possui. Os bispos, os mosteiros e os presbitérios deveriam renunciar a todas as riquezas, conservando tão somente aquelas que fossem necessárias para manter estritamente a vida.
"3 – Tais erros são difundidos por muitos mestres pertencentes às fileiras do Clero. Propagando-se sob aparências de justiça e de caridade, induzem numerosos fiéis a admitirem falsas doutrinas e princípios, criam um espírito infenso à ordem social católica e tendente ao igualitarismo social. [...]
"A sagacidade dos comunistas vem aplicando nos últimos anos um novo método estratégico. Proclama o governo russo a necessidade da coexistência pacífica, e ostenta uma liberalidade fictícia. Esta momentânea diminuição do rigor do sistema político cria a ilusão de uma certa evolução das nações comunistas, que, insensivelmente caminhariam para um tipo de sociedade que poderia ser tolerado e até desejado pelos católicos. [...] Apoiados em tais opiniões, muitos católicos reputam que a chamada sociedade ocidental, por causa de abusos do regime capitalista sob o qual vivem, é pior que a sociedade comunista. Consideram, realmente, insanáveis os abusos do capitalismo, e por isso dizem que em nada interessa à causa católica que vivamos sob um regime ocidental livre, ou sob a servidão comunista. [...]
"Essa geral infestação de ideias e de mentalidade marxista exige absolutamente do Concílio uma palavra que possa tranquilizar a consciência cristã. Essa palavra, segundo me parece, não pode ser omitida sem gravíssimo dano das almas. Realmente, o marxismo e o comunismo devem ser considerados como as maiores e mais perigosas heresias deste século; os fiéis, portanto, ficariam perplexos se o Concílio não tocasse em questão tão momentosa".
"Rogo [...] que o Santíssimo Padre determine a elaboração e o estudo de um esquema de constituição conciliar no qual:
"1 – se exponha com grande clareza a doutrina social católica, e se denunciem os erros do marxismo, do socialismo e do comunismo, sob o aspecto filosófico, sociológico e econômico;
"2 – sejam profligados aqueles erros e aquela mentalidade que preparam o espírito dos católicos para a aceitação do socialismo e do comunismo, e que os tornam propensos aos mesmos".
Na mesma magna assembleia conciliar, 510 bispos de 78 países — mais de um terço dos bispos residenciais do mundo — imploraram ao Papa Paulo VI que, acompanhado dos bispos de todo o orbe católico, atendesse ao desejo de Nossa Senhora de Fátima e consagrasse a Rússia a Seu Imaculado Coração. O objetivo da petição foi "obter a paz para nossa época conturbada, remover as causas profundas de apostasia, conseguir a conversão dos que aderiram ao comunismo, impetrar a intercessão d´Aquela que 'sozinha esmagou todas as heresias em todo o orbe', obter a liberdade das nações nas quais a Igreja é perseguida, promover ubérrimos frutos de renovação da vida cristã dos fiéis".
Se a condenação e a consagração tivessem sido solenemente efetivadas, o Concílio Vaticano II teria sido gloriosamente inscrito na linha dos desejos da Santa Mãe de Deus expressos em Fátima. A conversão da Rússia a teria arrancado das mãos das trevas e seria afastado do mundo o imenso flagelo comunista. Veremos o que aconteceu.
Duas escolas de profetas: a da alienação e a da desalienação
Os profetas dos "erros da Rússia" implantaram-nos no mundo inteiro. Além dos líderes russos como Stalin, Kruschev e Brezhnev, destacaram-se o chinês Mao Tsé-Tung; os italianos Antonio Gramsci, Palmiro Togliatti e Enrico Berlinguer; os franceses Maurice Thorez e Georges Marchais; os espanhóis Dolores Ibarruri, la Pasionaria, e Santiago Carrillo; o brasileiro Luís Carlos Prestes; o cubano Fidel Castro; o argentino Che Guevara, e ainda muitos outros que a exiguidade de espaço não nos permite elencar.
Em sentido contrário, Maria Santíssima inspirou almas seletas que falaram ao mundo com acentos proféticos no sentido da Mensagem de Fátima. Um exemplo foi São Maximiliano Kolbe O.F.M., alma de fogo e fundador da "Milícia da Imaculada", de imensa difusão, sobretudo na Europa Oriental. Em 11 de fevereiro de 1937, durante um Congresso sobre Nossa Senhora de Lourdes, em Roma, na presença de cardeais, bispos, nobres, professores e representantes das maiores ordens religiosas, ele afirmou: "A Imaculada é a vencedora do demônio, [...] combate as batalhas de Deus para derrotar o mal, pelo triunfo do bem, esmaga a cabeça do monstro infernal e destrói todas as heresias do mundo. [...] Ela é a vencedora. Aguardemos cheios de fé o dia em que um cavaleiro da Imaculada vai hastear bem alto no Kremlin, em Moscou, o estandarte branco da Imaculada". Interrogado quando isso aconteceria, o santo sempre mencionava que uma universal "prova de sangue seria necessária para a realização" desse histórico evento.
Nosso Senhor revelou em diversas ocasiões à bem-aventurada Irmã Elena Aiello (1895-1961), fundadora das Irmãs Mínimas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, o caráter de flagelo da Rússia. Ela recebeu do Céu um eco aumentado da Mensagem de Nossa Senhora em Fátima: "A Rússia desencadeará todas as forças do mal sobre todas as nações e destruirá a parte melhor de minha grei; esta passará pela purificação que será lembrada como o mais grave flagelo havido na história do mundo. [...] Virá uma guerra que destruirá povos e nações, os homens caminharão sobre os cadáveres [...]. A Igreja está ferida por dentro e externamente. Então as trevas cobrirão a Terra porque são dominadas por Satanás. As forças do mal avançam e as forças do bem retrocedem..." .
E ainda, sobre a escalada dos maus costumes que hoje atingiu proporções imagináveis, e que foi apontada por Nossa Senhora em Fátima como causa de todos os males e motivo do flagelo dos "erros da Rússia", prosseguiu: "O pecado de impureza faz estragos na juventude, nas crianças, a família cristã não existe mais. Não fazem mais mistérios: querem expulsar Cristo das famílias, das escolas, das oficinas, da sociedade, das consciências [...]. Roma será castigada [...]
LEGENDA:
- À esq., bispos húngaros prestam juramento de fidelidade ao governo comunista. Dir., o Cardeal Mindszenty, ex-Arcebispo de Esztergom e Primaz da Hungria, foi o símbolo da resistência heróica ao comunismo: a coexistência pacífica entre a Igreja e um regime comunista é impossível.