(continuação)
[...] a Rússia se elevará sobre todas as nações, especialmente sobre a Itália, e plantará a bandeira vermelha sobre a cúpula de São Pedro [...]. A Rússia preparou armas secretas contra os EUA, contra a França e contra a Alemanha. [...] O Papa terá que sofrer muito. O leão rugiente avançará sobre a cátedra de Pedro para difundir seus erros. O fel da Rússia envenenará todas as nações, especialmente a Itália [...] a Rússia é guiada por Satanás, que quer o domínio absoluto da Terra [...]. A Igreja será perseguida...".
Estas mensagens parecem ter sido acolhidas como dignas de fé pelo Santo Padre Pio que, para espanto dos que o ouviam, profetizou que os comunistas tomariam o poder "por surpresa, sem desfechar golpe [...] Nós nos daremos conta disso da noite para o dia". O santo religioso anteviu ainda que a bandeira vermelha flutuaria sobre o Vaticano. Entretanto, acrescentou, "isso passará", deixando claro que será um episódio extremo, mas transitório.
Na década de 30, quando a Rússia alimentava a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), responsável pelo martírio de milhares de sacerdotes, religiosos, religiosas e de leigos, Santa Faustina Kowalska padeceu especiais angústias pela Rússia e pela Espanha. Ela pedia por esses países, pelo Santo Padre e pelos sacerdotes. Em 16 de dezembro de 1936, após a Sagrada Comunhão, Jesus lhe disse da Rússia: "Eu não aguento mais esse país; minha filha, não amarre minhas mãos". E a religiosa comentou: "Eu entendi que se não fosse pelas orações das almas amadas por Deus, essa nação teria sido totalmente aniquilada. Oh, quanto eu sofro por essa nação que expulsou Deus de suas próprias fronteiras!".
A voz dos Papas
Os Papas do século da "guerra dos profetas" não deixaram de perceber a magnitude apocalíptica da centúria engajada nessa luta. Por exemplo, contemplando o espetáculo do mundo, Pio XI concluiu ser "de tal maneira aflitivo, que já se poderia ver nele a aurora desse 'início de dores' que deve trazer 'o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado'" (2Tes 2,4).
Em uma de suas famosas Radiomensagens, Pio XII alertou o mundo que, "frente à corrente que ameaça arrastar a uma socialização total em cujo fim se tornaria pavorosa realidade a imagem terrificante do Leviatã, a Igreja travará a luta até o extremo".
Contemplando os horrores indizíveis decorrentes da aplicação dos "erros da Rússia" na Ucrânia, sua pátria, Mons. André Sheptyskyj, Arcebispo de Lvov e chefe do Rito Greco-Católico ucraniano, escreveu à Santa Sé: "Este regime só pode se explicar como um caso de possessão diabólica coletiva". Também pediu ao Papa que sugerisse a todos os sacerdotes e religiosos do mundo que "exorcizassem a Rússia soviética".
A voz de um leigo brasileiro
Este imenso conflito entre a profecia de Fátima e as almas que a difundiam identificando-se com ela, de um lado, e a espécie de "contraprofecia" de Satanás condensada nos "erros da Rússia", de outro lado, foi também percebido por leigos que se engajaram com acuidade e auxílio sobrenatural nessa lide suprema do século XX. Um exemplo característico é o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Em 1929, com apenas 20 anos de idade, ele escreveu ao fundador da Faculdade Paulista de Direito, Prof. José Pedro Galvão de Souza, uma carta na qual expõe, vários anos antes da divulgação da Mensagem de Fátima, aspectos essenciais dela:
"Cada vez mais se acentua em mim a impressão — escrevia Dr. Plinio — de que estamos no vestíbulo de uma época cheia de sofrimentos e lutas. Por toda a parte, o sofrimento da Igreja se torna mais intenso, e a luta se aproxima mais. [...] Não tarda a tempestade, que deverá ter uma guerra mundial como simples prefácio. Mas esta guerra espalhará pelo mundo inteiro uma tal confusão, que revoluções surgirão em todos os cantos, [...] Todo o bas-fond da sociedade subirá à tona, e a Igreja será perseguida por toda a parte. [...] Como consequência, ou teremos un noveau moyen âge [uma nova Idade Média] ou teremos o fim do mundo.
"Que parte terá o Brasil nisto tudo? Que parte teremos nós? [...] ao invés de imitarmos os Apóstolos que dormiam no Monte das Oliveiras, nós devemos 'vigiar e orar'. Eis nossa principal tarefa. Prepararmo-nos para a luta, e preparar a Igreja, como o marinheiro que prepara o navio antes da tempestade".
Lendo essas linhas, não surpreende que o documentado biógrafo italiano Roberto de Mattei, que citamos, tenha incluído o Prof. Plinio entre os "profetas de Nossa Senhora" em sua erudita biografia intitulada Plinio Corrêa de Oliveira – Profeta do Reino de Maria.
O silêncio do Vaticano II
A "guerra dos profetas" gerou nos cinco continentes acontecimentos como a Segunda Guerra Mundial, revoluções e conflitos civis que encheram a história do século XX e cujo enunciado exigiria uma obra enciclopédica. Seja-nos permitido citar apenas dois episódios-auge desse confronto.
O primeiro é relativo ao Concílio Vaticano II. A Irmã Lúcia, a rogos de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, implorou às mais altas autoridades eclesiásticas a publicação da terceira parte do Segredo de Fátima em 1960, portanto antes do evento conciliar. Ainda se discute apaixonadamente por que esse pedido não foi atendido e as consequências catastróficas que se derivaram dessa omissão. Mas o fato é que, no clima de otimismo instalado no mundo e na Igreja nas décadas pós-Segunda Guerra Mundial, as vozes dos santos, dos mensageiros divinos e de espíritos de fé clarividentes foram tidas como as de "profetas de desgraças" que não compreendiam a felicidade especial do tempo. Nesse ambiente os "erros da Rússia" foram se infiltrando na
LEGENDAS:
- À esq., bispos húngaros prestam juramento de fidelidade ao governo comunista.
À dir., o Cardeal Mindszenty, ex-Arcebispo de Esztergom e Primaz da Hungria, foi o símbolo da resistência heróica ao comunismo: a coexistência pacífica entre a Igreja e um regime comunista é impossível.
- O Papa Pio XI.
- Plinio Corrêa de Oliveira: " "Cada vez mais se acentua em mim a impressão de que estamos no vestíbulo de uma época cheia de sofrimentos e lutas. Por toda a parte, o sofrimento da Igreja se torna mais intenso, e a luta se aproxima mais. [...] Não tarda a tempestade, que deverá ter uma guerra mundial como simples prefácio".