Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 785 | página 32-33
| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)

quais serão martirizados aos pés de uma Cruz. E pelo célebre princípio enunciado por Tertuliano, segundo o qual o sangue dos mártires é semente de novos cristãos, o sangue dos mártires dos tempos atuais não se perderá, infiltrando-se inutilmente pela terra. Para que isso não aconteça, esse sangue é recolhido em regadores de cristal por dois Anjos postados sob os braços da Cruz, e em seguida derramado sobre homens ignotos que vão se reaproximando de Deus (terceira parte do Segredo). Com estes restos da humanidade que misteriosamente se esgueiravam despercebidos à margem do confronto entre bons e maus que ocorria em torno deles, reconstituir-se-á a civilização cristã do futuro, como continuidade da civilização cristã medieval destruída pela revolução anticristã (veja-se Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, São Paulo, 1959).

As perspectivas apocalípticas aqui enunciadas parecerão a mais de um leitor fruto de alguma mente visionária! Não obstante, elas desfecham numa perspectiva muito coerente e plena de sentido. Nossa Senhora mesma a anuncia (no final da segunda parte do Segredo): “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”.

Terá o leitor entendido bem o alcance desta afirmação? O triunfo de Maria implica no triunfo de seu Divino Filho, em pleno acordo com a profecia enunciada há três séculos por São Luís Grignion de Montfort. Segundo ele, o Reino de Cristo se estabelecerá, ipso facto, nesta Terra, com o triunfo do Imaculado Coração de Maria! (cfr. Tratado da Verdadeira Devoção, n° 217).

Laicismo, para não dizer ateísmo...

O laicismo e a descristianização que permeia a sociedade ocidental, se reflete nas leis iníquas promovidas implacavelmente por tantos governos. Na foto, bela igreja católica, abandonada e usada como depósito, nos Estados Unidos.

Ora, o processo revolucionário que se desencadeou no fim da Idade Média tentou — e conseguiu, através de etapas e métodos vários — minar a unidade da Igreja e introduzir-se até em seu seio, levando a sociedade humana a descristianizar-se, a ponto de disseminar o princípio da laicidade do Estado por toda a Cristandade.

Segundo este princípio, o Estado proclama-se oficialmente laico em matéria de Religião, não se pronunciando sobre qual seja a religião verdadeira e concedendo a liberdade de culto a todo agrupamento religioso. Nessa concepção, aparentemente neutra em matéria de Religião, o Estado só interviria para manter a ordem pública.

Porém, essa pretensa neutralidade religiosa do Estado laico não passa de uma falácia.

Na prática, os fatos se passam muito diferentemente. Como mostrou o Papa Leão XIII na encíclica Immortale Dei, de 1° de novembro de 1885, “nessa situação política, que muitos favorecem hoje em dia, há uma tendência das ideias e das vontades para expulsar inteiramente a Igreja da sociedade, ou para mantê-la sujeita e acorrentada ao Estado. [...] Relativamente à religião, pensar que é indiferente tenha ela formas disparatadas e contrárias equivale simplesmente a não querer nem escolher nem seguir qualquer delas. É o ateísmo menos o nome(n°s 35 e 37).

Assim, na realidade dos fatos, do pretenso indiferentismo religioso apregoado pelo Estado laico passa-se ao ateísmo tout court. E daí a uma perseguição reli-

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