demolição de obras multisseculares do cristianismo na Síria e no Iraque, como também a destruição absurda de tesouros artísticos milenares, como a cidade de Palmira.
Invasões que lembram a queda do Império Romano do Ocidente
Enxurradas migratórias majoritariamente islâmicas procedentes do Oriente Médio somaram-se às centenas de milhares de estrangeiros que, provenientes da África, desembarcavam em ilhas mediterrâneas da Itália e da Grécia. Até setembro, eles já atingiram o número de 264.500. Milhares faleceram nessa tentativa, inclusive cristãos, jogados ao mar por fanáticos maometanos. O fluxo de imigrantes não fez senão aumentar a partir do momento em que, na ilha de Lampedusa, o Papa Francisco atribuiu aos “países ricos” a culpa pelo drama , e lançou a increpação: “Vergonha, vergonha, vergonha!”3
Em colunas, os migrantes penetraram também por terra, procedentes da Turquia, cujo governo é acentuadamente religioso-maometano. Só em julho, a Grécia recebeu mais refugiados que em todo o ano de 2014. As colunas prosseguiam rumo ao norte, lotando trens ou percorrendo estradas a pé. A Macedônia, a Sérvia e a Eslovênia não puderam detê-las. A Hungria, a Croácia e a Áustria ergueram barreiras, logo violadas. A Polônia e a Eslováquia decidiram receber apenas imigrantes cristãos, sendo invectivadas pela mídia e pela União Europeia. A Dinamarca bloqueou trens vindos da Alemanha — país que registrou 965 mil pedidos de asilo entre janeiro e o fim de novembro4. Grupos de imigrantes ingressaram na Noruega pela região ártica. Na França, os imigrantes acamparam em pontos estratégicos, como na entrada do túnel da Mancha que conduz à Inglaterra. A Europa reviveu o drama das invasões bárbaras que outrora determinaram a queda do Império Romano do Ocidente.
Conflitos entre facções religiosas ou étnicas de imigrantes, depredações e saques de instalações de acolhida, ataques ao pessoal hospitalar que os atendia, recusa de alimentos não conformes ao Corão ou com o emblema da Cruz Vermelha atiçaram a violência. Os recém-chegados entoavam em locais públicos versículos corânicos ou brados de guerra como “Allah akbar” (“Alá é grande”), e os atritos com as populações locais foram inevitáveis. Grupos “progressistas” ou de extrema-esquerda aplaudiram a chegada dos imigrantes, mas colidiram com seus conterrâneos opostos à “nova invasão”. Em Colônia, a candidata à prefeitura, Henriette Reker, pró-imigração, e mais quatro pessoas foram esfaqueadas em comício público por um cidadão anti-imigração. Os prefeitos de Magdeburg, Nieheim e Reutligen, bem como membros do Ministério Público de Dresden, receberam ameaças de morte pelo mesmo motivo.5
Acordos constitutivos da União Europeia, como o de Schengen, que extingue as fronteiras, viraram letra morta, fazendo temer uma implosão do bloco. O medo da invasão fez subir a cotação dos partidos opostos à imigração. A Polônia elegeu em maio o presidente Andrzej Duda, do Partido Lei e Justiça, que defende a família e é contra a imigração. Em outubro, o centro-direita venceu as eleições gerais em Portugal6. No mesmo mês, o Partido do Povo Suíço (SVP) obteve maioria recorde no Parlamento, defendendo a identidade nacional ameaçada pela entrada maciça de estrangeiros7. Na Croácia, a União Democrata Croata venceu as eleições parlamentares por razões análogas8. Nas eleições departamentais francesas de março, o centro-direita conquistou quase 70 departamentos, enquanto o Partido Socialista perdeu a metade das 61 circunscrições que comandava. O Front National, de extrema-direita, cujo avanço era trombeteado pela mídia, não conquistou nenhuma9. Nas eleições de dezembro último, o Front National tampouco obteve qualquer governo regional, apesar de ter sido o partido mais votado da França10.
Massacre em Paris apavorou o mundo
Em 13 de novembro, em nome do Corão e com requintes de implacabilidade, terroristas suicidas do Estado Islâmico fuzilaram 129 pessoas e feriram perto de 400, durante atentados em Paris. Os terroristas, nascidos na França, circulavam nos ambientes muçulmanos, que contam com dezenas de milhões de adeptos na Europa. Alguns deles foram treinados na Síria e regressaram com passaporte de imigrante, concedido por autoridades europeias. A polícia e o exército francês neutralizaram em Saint-Denis, na periferia parisiense, uma célula que preparava novos ataques. A França e a Bélgica entraram em estado de emergência. Eventos esportivos, voos comerciais e trens foram suspensos, quase a metade das reservas de hotéis e de restaurantes para as festas do fim do ano foi cancelada, generalizando-se nesses países o sobressalto.
Nos mesmos dias, o Estado Islâmico explodiu um avião de bandeira russa sobre o deserto do Sinai, matando todos os seus 224 passageiros e tripulantes. A Rússia havia entrado de modo atropelado e confuso na guerra civil da Síria, alegando visar o EI, mas de fato procurando atingir opositores do governo sírio apoiados pelos EUA. A intervenção russa soava como um embate dissimulado contra os americanos. Mas o atentado em Paris favoreceu Putin, a quem a França convidou para formar uma aliança contra o EI. Isso permitiu ao presidente russo sair do isolamento em que estava após a invasão da Ucrânia. Ele pronunciou truculentas ameaças contra os terroristas, mas verificou-se depois tratar-se de montagens da propaganda russa para seduzir ingênuos no Ocidente.
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