Mensagem de Natal em face da existência caótica do homem moderno
A Mensagem de Natal do Santo Padre Pio XII, pronunciada no dia 22 de dezembro de 1957, constitui profunda e sábia meditação sobre as catástrofes do materialismo e do tecnicismo em nossos dias.
Considerando a crise espiritual por que passam tantas pessoas a quem se tornou patente a desordem cruel e trágica do mundo hodierno, com repercussões como que cósmicas, o Sumo Pontífice afirma a ordem e a harmonia da criação, a dependência desta ordem natural em relação ao reino de Verdade e Graça instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, e a causa essencialmente religiosa e moral dos males atuais.
A tradução integral dessa alocução foi feita com base no texto do “Osservatore Romano”, edição em língua francesa, de 27 de dezembro de 1957. Os subtítulos são desta redação.
Certos leitores têm estranhado nossas reservas, quando não nossa clara censura, em relação a muitos dos aspectos técnicos da vida moderna. De outro lado, têm notado também com algum desprazer nossa apreensão diante das catástrofes a que esse tecnicismo nos conduz.
O Santo Padre Pio XII, reafirmando com toda a clareza que o progresso técnico é um bem, e não um mal, mostra entretanto, com admirável precisão, os verdadeiros desastres que esse mesmo progresso, in concreto, como historicamente se produziu, acarretou em muitos setores.
Estamos certos de que o luminoso ensinamento de Sua Santidade dissipará a tal respeito muitas dúvidas e dificuldades.
INTRODUÇÃO
1. O Natal de 1957 e o primeiro Natal
“Leva, Jerusalem, oculos tuos, et vide potentiam regis; ecce Salvator venit solvere te a vinculo”. — “Eleva os olhos, Jerusalém, e vê o poder do Rei: eis que o Salvador vem livrar-te de teus grilhões” (Brev. Rom., 2ª feira da 1ª semana do Advento, ant. do Magnif.). Este convite maternal da Igreja, de elevar os olhos para o Céu a fim de esperar dele o Deus Salvador, e com Ele a supressão das desarmonias que entravam as almas, Nós desejamos vô-lo repetir, caros filhos e filhas do mundo católico, como saudação paternal nesta festa de Natal que encontra os homens com os olhares levantados para o alto, sem dúvida, mas com o coração gravado pela angústia, em virtude da incerteza que pesa sobre a sorte da família humana e de sua própria morada terrestre.
Não foi assim que os pastores de Belém e os Magos do Oriente perscrutaram os céus, quando aos primeiros apareceram os Anjos e aos outros se mostrou a estrela misteriosa, anunciando o nascimento do Filho de Deus sobre a Terra. Um profundo assombro lhes invadiu as almas ante a nova e o espetáculo das
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