Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 778 | página 10-11
| ENTREVISTA |

Dr. Adolpho Lindenberg fala sobre seu primo
Plinio Corrêa de Oliveira


Presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, Adolpho Lindenberg é considerado, a justo título, um dos mais renomados arquitetos do Brasil. Nascido em São Paulo em 1924, ele se licenciou em Engenharia Civil e Arquitetura pela Universidade Mackenzie em 1949. Três anos depois fundou sua própria empresa, a Construtora Adolpho Lindenberg (CAL), que se tornou em pouco tempo uma das mais conceituadas empresas de construção civil do País. A CAL tem seu nome associado à reintrodução do estilo colonial na arquitetura moderna brasileira. O estilo de seus edifícios marcou profundamente a capital paulista.

Além de engenheiro e empresário, Adolpho Lindenberg dedica seus dias ao apostolado católico contrarrevolucionário iniciado pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, com quem conviveu e do qual guarda imorredouras lembranças, desde a infância na casa da avó comum, Da. Gabriela Ribeiro dos Santos. Depois, na juventude, participou do chamado Grupo do Legionário e do Grupo de Catolicismo, ambos formados e liderados pelo Prof. Plinio, bem como da fundação e das atividades da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP).


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Catolicismo – Enquanto homem público, Plinio Corrêa de Oliveira é conhecido de nossos leitores. Mas gostaríamos de saber como ele era na intimidade da vida familiar.

Dr. Adolpho Apesar de ter convivido com ele durante toda a minha vida, creio, no entanto, que são as lembranças que guardei dos bons tempos em que vivemos na casa de nossa avó, Gabriela Ribeiro dos Santos, lá pelos anos 30, quando Plinio tinha 20 e poucos anos e eu seis ou oito, que podem fornecer os elementos para uma boa compreensão de quem ele era na intimidade. Mesmo na vida particular, ele sempre se manifestava idealista. Ainda bem jovem, quando não imaginava as grandes batalhas que teria de enfrentar, já despontava o grande polemista que foi.

Catolicismo – Sabemos pouco a respeito de Da. Gabriela Ribeiro dos Santos, avó materna do senhor e de Dr. Plinio. Poderia nos dizer algo sobre ela?

Dr. Adolpho Nossa avó Gabriela foi uma senhora que marcou época na sociedade paulista do início do século passado. Muito cônscia de sua influência social e política, aristocrática enquanto ordenativa da cultura, dos costumes e do savoir-faire dos paulistanos.

Um quadro dela (dir.), que pertenceu a Plinio e que foi pintado por um conhecido retratista francês, apresenta vovó como tendo sido uma bela senhora, com um olhar decidido, vivo, inteligente e maternal. Era monarquista e, no meio republicano em que vivia, nunca escondeu de ninguém suas relações com a Princesa Isabel. Podia-se mesmo dizer que vovó foi uma expressão do Brasil antigo, tinha hábitos em que se sentia o Império e o Brasil do interior.

Tendo ficado viúva ainda moça, sempre se preocupou em manter a família unida, a ponto de fazer questão que seus cinco filhos – Gabriel, Lucilia (mãe de Plinio), Antônio, Iaiá (minha mãe) e Zili – fossem, com seus consortes, visitá-la quase todos os dias em sua residência nos Campos Elíseos. O ambiente, a partir das cinco horas da tarde, ia se transformando como que numa festa, com tantos parentes e amigos enchendo a imensa casa situada na Rua Barão de Limeira, que, como tantas outras do bairro, possuía traços marcantes da São Paulo de antigamente – patriarcal, interiorano, mas com certo ar senhorial.

Catolicismo – O que o senhor disse é tão interessante que desejaríamos conhecer um pouco mais desse ambiente familiar.

Dr. Adolpho Como a família Ribeiro dos Santos sempre se destacou pela sua loquacidade, com ditos de espírito e gosto pelas discussões, as reuniões naquele ambiente eram animadíssimas e interessantes, mas a nota dominante era a obediência à hierarquia e às boas regras que devem reger as conversas. Desencantado com a falta de graça e de vitalidade das conversas dos dias de hoje, eu me recriminaria se não dissesse que guardo uma saudade imensa dessas reuniões, a que eu assistia de um canto, silencioso e maravilhado. Falava-se e discutia-se de tudo: monarquia versus república, a péssima política de Getúlio Vargas, divórcio, fatos do dia-a-dia, parentes etc.

Catolicismo – Essas recordações caseiras nos remetem muito aos tranquilos tempos da pequena São Paulo do início do século passado.

Dr. Adolpho Talleyrand, apesar de suas faltas, grande diplomata e exímio homem de sociedade, comentou certa vez que de fato não conhecia bem a doçura de viver quem não tivesse vivido antes de 1789.

Penso que quem não conheceu as delícias do bem-viver de uma família patriarcal daquele tempo na “São Paulinho”, tem dificuldade de compreender como um ambiente familiar pode ser tão benquerente, agradável, harmônico e cheio de vida. Plinio viveu nesse meio, fez parte dele, analisou-o, explicitou impressões. Foi nesse microcosmo que pôde observar como tendências e mentalidades podem predispor as pessoas a aderir a esta ou àquela ideologia. Ele também guardava re-

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